“Juvenal, Pita e o Velocípede”faz cuta temporada no Teatro Cândido Mendes

foto: Renato Mangolin
foto: Renato Mangolin

Com texto de Cleiton Echeveste, premiado monólogo da Pandorga Companhia de Teatro resgata as memórias da infância

Interpretado por Eduardo Almeida, espetáculo tem direção de Cadu Cinelli, integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias

Juvenal tinha cinco anos de idade e adorava brincar com o seu velocípede. Um dia descansando embaixo de um cajueiro, ele conheceu uma menina chamada Pita. Eles se tornam amigos inseparáveis e viveram grandes aventuras a bordo de um velocípede construído pelo tio do menino. No monólogo Juvenal, Pita e o velocípede, o ator Eduardo Almeida empresta as próprias lembranças da infância para contar as histórias do menino Juvenal.

A produção é uma criação coletiva da Pandorga Companhia de Teatro com dramaturgia de Cleiton Echeveste.  Integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias, Cadu Cinelli é o diretor convidado da quarta montagem infantojuvenil da Pandorga. A peça estreou em 2015 no Centro Cultural Justiça Federal e agora chega ao Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, para uma temporada de 4 a 26 de junho, sábados e domingos, às 16h, com ingressos a R$ 40 (inteira).

O projeto surgiu da vontade do ator Eduardo Almeida de fazer uma montagem sobre as memórias da infância. Além das histórias pessoais e da equipe, o livro Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo, de William Joyce, foi uma das obras usadas durante o processo de pesquisa e de criação do espetáculo. Um teatro foi o lugar escolhido por Pita para reencontrar o amigo de infância que ela não vê há 30 anos. Juvenal hoje tem cerca de 40 anos. Enquanto espera a amiga chegar no teatro, ele relembra diversas histórias dos tempos de criança: como ele recebeu o nome de Juvenal, o dia em que ganhou o velocípede do tio, a paixão pelo personagem japonês Ultraman, como ele conheceu a Pita, entre outras.

Para viver o Juvenal, Eduardo Almeida passou por uma transformação física nos últimos meses: raspou a cabeça, deixou a barba crescer e furou as orelhas. Em cada sessão, o ator usa tatuagens temporárias espalhadas pelo pescoço, os braços, as mãos e os dedos. Reveladas aos poucos durante a performance, as imagens fazem referência ao mundo do Juvenal e da própria infância do ator, como a tatuagem com o rosto do Ultraman e o nome do personagem escrito em japonês.

“Eu sempre fui apaixonado pelo Ultraman, assistia a todos os episódios e até cantava em japonês”, conta Eduardo. “A trilha sonora que o Rudi Garrido criou foi toda inspirada no tema do seriado. É como se ele pegasse a música e colocasse de traz pra frente, de ponta a cabeça”, revela o ator.

Como ator, contador de histórias e integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias, o diretor Cadu Cinelli levou para a montagem a perspectiva do narrador. “O teatro é um lugar para se viver o lúdico, um lugar de encontros e que nos permite ver o que não existe. Durante o processo de criação, nunca perdi de vista que nós estamos ali para contar uma boa história”, explica Cadu, que lembra que a peça é para toda a família.

A TRAJETÓRIA DO ESPETÁCULO
A peça estreou em julho de 2015 no Centro Cultural Justiça Federal. Fez temporada no Teatro Maria Clara Machado/Centro de Referência Cultura Infância, participou do SESI Cultural 2016 e tem circulado por várias unidades da Rede Sesc Rio. Em abril deste ano, esteve no Galpão Gamboa e, a partir de maio, faz parte da programação do Projeto Plateias Hospitalares do Grupo Doutores da Alegria.

Em abril, a Pandorga apresentou o espetáculo em Lima, no Peru, no IV Congresso de Literatura Infantil e Juvenil e do 1º Festival do Livro e das Ideias, promovidos pela Casa da Literatura Peruana e pelo Ministério da Cultura do Peru. O espetáculo foi ainda apresentado na Faculdade de Artes Cênicas, da Pontifícia Universidade Católica do Peru.

Juvenal, Pita e o velocípede foi indicado a diversas categorias em prêmios voltados para produções infantojuvenis, tendo conquistado o de Ator para Eduardo Almeida, no 2º Prêmio CBTIJ/ASSITEJ Brasil de Teatro para Crianças; e Texto, para Cleiton Echeveste e Iluminação, para Ricardo Lyra Jr., no 10º Prêmio Zilka Sallaberry de Teatro Infantil.

SOBRE A PANDORGA COMPANHIA DE TEATRO
Fundada em 2006, a Pandorga Companhia de Teatro é formada por André Roman (ator e produtor), Cleiton Echeveste (dramaturgo e diretor) e Eduardo Almeida (ator e produtor). A primeira montagem do grupo foi em 2007: O menino que brincava de ser. A peça teve várias temporadas no Rio de Janeiro e participou de festivais e mostras em Minas Gerais, Brasília e São Paulo.

Em 2012, foi a vez de Cabeça de vento. A peça participou de diversos festivais de teatro na cidade e em outros estados (Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina). O espetáculo recebeu um total de treze prêmios nos Festivais Nacionais de Teatro de Guaçuí/ES, Duque de Caxias/RJ e Ponta Grossa/PR, além de três indicações ao 7º Prêmio Zilka Salaberry, nas categorias ator (Jan Macedo), figurino (Daniele Geammal) e produção. Foi o único grupo brasileiro selecionado para o 8º FESTECA, em Luanda, Angola. Em 2013, a peça foi lançada em livro pela Giostri Editora (SP). Atualmente a companhia trabalha na montagem de seu primeiro espetáculo adulto, refugo, ainda sem previsão de estreia. O site oficial da companhia é: pandorgaciadeteatro.wordpress.com

FICHA TÉCNICA
Elenco: Eduardo Almeida
Direção: Cadu Cinelli
Dramaturgia: Cleiton Echeveste
Figurino e Cenário: Daniele Geammal
Iluminação: Ricardo Lyra Jr.
Direção Musical: Rudi Garrido
Direção de Movimento e Preparação Corporal: Jan Macedo
Visagismo: Francisco Leite
Construção do Velocípede: Garlen Bikes e Marcelo Huguenin
Pintura de arte do velocípede: Renato Marques
Design Gráfico: Fernando Nicolau
Fotografia: Renato Mangolin
Assistência de Produção: Lucimar Ferreira
Produção: André Roman e Eduardo Almeida
Realização: Pandorga Companhia de Teatro, Pita Produções e AR Produções
Teatro Cândido Mendes
Endereço: Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema
Informações: (21) 2523.3663

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Temporada: 4 a 26 de junho
Dias e horários: Sábados e domingos, às 16h
Duração: 55 minutos
Classificação: Livre. Recomendado para crianças acima de 6 anos
Lotação: 102 lugares

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