Bate Papo com Dado Villa-Lobos da Legião Urbana

Amanhã, na Fundição Progresso (Lapa, RJ) Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá voltam aos palcos para o show comemorativo dos 30 anos do lançamento do álbum de 1985 da Legião Urbana.

O espetáculo será dividido em duas partes. Na primeira a banda toca, na íntegra e na ordem original, as músicas de “Legião Urbana”, álbum lançado em 1985 e que trazia sucessos como “Geração Coca-Cola” e “Será”, “Soldados” e “Por Enquanto”.

Após o intervalo, o grupo apresenta sucessos dos outros discos da carreira, como “Pais e filhos”, “Índios”, “Há tempos”, “Tempo perdido”, “Eu sei”, “Meninos e meninas”, “Angra dos Reis”, “Quase sem querer”, “Faroeste caboclo”, “Perfeição” e  “Que país é este”.

Conversei com  o Dado Villa – Lobos pra termos mais informação sobre o show.

Vamos conhece-lo um pouco mais?

Esse show é a volta do Legião Urbana?
Não e nunca será. Essas apresentações são comemorativas e não é o retorno da Legião Urbana, já que Renato Russo é insubstituível. Esse show é uma grande festa que cumpre o intuito de saciar a demanda do público e tocar ao lado de amigos e grandes parceiros, celebrando quem eles foram, são e serão daqui a alguns anos. O objetivo é festivo, de celebração ao rock nacional, com um conteúdo que transmita conceitos fortes para os jovens brasileiros. Só isso. A banda atual traz amigos parceiros de muito tempo: no vocal tem o André Frateschi que acompanhou os primeiros shows da banda, ainda criança, na segunda guitarra  tem o Lucas Vasconcellos, no baixo Mauro Berman e nos teclados Roberto Pollo. Todos grandes parceiros e amigos de uma vida.

Qual é a emoção de voltarem aos palcos juntos e cantando os mesmos sucessos de 30 anos atrás? O público canta do início ao fim do show.  É uma catarse generalizada.
Durante todo esse período sem tocar as músicas da Legião, nós não tínhamos ideia do que poderia acontecer quando voltássemos a cantar o nosso repertorio. Foi lindo e emocionante. Cada show, uma experiência diferente.

Vocês percebem que o público aumentou e rejuvenesceu?  Como diz a música, agora o público da LEGIÂO é de Pais e Filhos.
Sim, a nossa expectativa é reunir fãs de todas as idades, pois essa é característica de destaque de todo show da Legião Urbana. É incrível! Já vimos uma criança de quatro anos na plateia. A música transcendeu nossas expectativas, é a realização de um sonho, de garotos de 18 anos  que acreditam  em transformar o mundo. Isso tem um valor inestimável. O país precisa de ideias novas, pessoas e atitudes, Nós temos compromisso com nós mesmos, de produzir algo legal e bacana pro público.

Seus filhos – o seu e do Bonfá – participarão do  show?
Realmente, agora você está me lembrando isso, vou convidá-los novamente pra estarem conosco nessa noite na Fundição Progresso. O João Pedro, filho do Bonfá, é musico profissional, já o meu filho Nicolau toca guitarra mas tem outros planos pra carreira dele. Na época que lançamos essa música “Pais e Filhos” eles eram recém nascidos e o título da música era o nome de uma revista dedicada aos pais dos bebês. 27 anos depois, olha eles aí engrossando a Legião.

Qual a música que mais toca (ou incomoda) ao cantarem novamente?
Muitas, mas em especial “Soldados”. O refrão “… a gente não queria lutar” continua forte e atualíssima.

Legião Urbana

Aliás, a música de vocês continua atualíssimas? Vocês quando compuseram não tinham a ideia que isso aconteceria…
Não tínhamos ideia disso mas o Renato (Russo) sempre quis fazer discos de catalogo. Ele tinha certeza que isso aconteceria. Nossas músicas trazem magia, rebeldia e melancolia. Temas universais e eternos.

Que música mais faz lembrar o Renato Russo?
Todas elas, ele é e sempre será onipresente nas nossas vidas. Mas “Angra dos Reis” é emblemática. Nessa canção, propositalmente, eu só entro no final dela.

Descreva o importância do Renato Russo para a carreira do Legião e de uma legião de fãs?
Total. Sem ele não haveria Legião. Como não haverá mais a Legião.

Por que o André Frateschi foi o escolhido para esses shows? Ele substitui o Renato Russo?
Não, ele não substitui o Renato. Ninguém substituirá.  Tempos atrás, quando fomos convidados para um festival em homenagem aos Beatles no Vivo Rio, reencontramos vários colegas e entre eles o André Frateschi.  Conversando descobrimos que ele, quando criança ficava pelas coxias de nossos shows quando nos apresentávamos com o pessoal do espetáculo do Marcelo Rubem Paiva, Feliz Ano Velho,  que sua  mãe, a atriz Denise Del Vecchio, protagonizava. 

Dado

Qual a sua opinião sobre as bandas covers do Legião?
Acho ótimo, eles suprem as necessidades do nosso público. Eles divulgam nosso repertorio de forma verdadeira. Chegam onde não conseguimos chegar. 

Como fica a carreira solo de vocês, Bonfá e Dado?
Continuamos gravando e compondo para novos projetos, tanto eu como o Bonfá lançaremos em breve novos trabalhos solos. Isso é muito importante pra nós. 

Quando vocês começaram a pensar em voltar a cantar os sucessos do Legião tinham certeza do sucesso?  A música de vocês tornou-se um hino na boca dos fãs. 
A música da Legião é atemporal por causa das melodias que são lindas, as letras, a vibração da música. Buscávamos fazer aquilo que primeiro nos fizesse vibrar muito. É a magia da música. Isso é incrível, ver adolescentes hoje cantando. É a realização do nosso sonho de adolescentes: nós vamos mudar o mundo com a música.

Você, nesses últimos 20 anos, conheceu alguém que não gostasse do som da LEGIÃO?
Sim, muitos. Tem gente que não se identifica, acha brega. Como dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Não estamos acima do bem e do mal.

Vocês pretendem apresentar esse show em Brasília, onde aconteceu o incidente no Estádio Mané Garrincha, em 1988?
Sim, levaremos esse show para Brasília e será ótimo. Temos certeza disso.

Finalmente, vocês – você e Bonfá – agora podem usar o nome Legião Urbana em seus shows e carreira. Como ficou isso resolvido com a família do Renato Russo?
Isso é impressionante. Como alguém pode cogitar de não podermos usar o nome da banda que formamos juntos, eu, Bonfá e Renato? Os deuses confabularam e pudemos usar o nome do grupo. A justiça tarda, mas não falha. Ao final dessa turnê, voltaremos para nossa carreira solo. Quando gravamos 5º LP e Renato estava doente, combinamos que, se alguém saísse, não haveria mais Legião.  E assim será.

Será?

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