João Turin abre individual na Pinacoteca de São Paulo

Mostra reunirá esculturas em bronze, desenhos e documentos do artista, além da obra 'Pietá', que resistiu ao bombardeio da Segunda Guerra Mundial na Normandia Abertura 02 de abril, sábado, às 11h | Em cartaz até dia 06 de junho

Pietá - Foto Maringas Maciel
Pietá - Foto Maringas Maciel

A partir do dia 02 de abril, a Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, com o patrocínio do Banco BM&FBOVESPA, abre a exposição “João Turin, escultor”, que destaca parte da trajetória do artista brasileiro João Turin (1878-1949), um dos criadores e principal representante do Paranismo, movimento estético surgido em Curitiba na década de 1920, centrado na valorização do indígena e da fauna e flora regionais.

A retrospectiva do artista realizada no Museu Oscar Niemeyer bateu recorde de visitação e foi vencedora do prêmio Paulo Mendes de Almeida, concedido pela Associação Brasileira dos Críticos de Arte, na categoria ‘melhor exposição de 2014’. José Roberto Teixeira Leite é o curador da exposição, que reúne 50 esculturas e baixos-relevos realizados por Turin entre as décadas de 1910 e 1940, além de 35 desenhos, manuscritos e fotos. Também estarão expostos dois vestidos com motivos paranistas que mostram sua faceta pioneira na criação de design.

No total, cerca de 100 peças estarão na Pinacoteca. Entre elas as que marcam sua trajetória, observando a influência recebida durante o período em que foi pensionista do Paraná, na Bélgica e na França. Destaque para a escultura de Tiradentes, realizada ainda na Europa que, no entanto, representa o famoso herói mineiro. Assim como as esculturas que definiram suas criações mais “brasileiras”, como as animalistas, caso da obra ‘Luar do Sertão’, que representa uma onça quase em dimensões reais.

A temática indígena, fortemente presente na obra do escultor, também estará representada. Entre as esculturas está o ‘Índio Guairacá’, com 1,23m de altura, empunhando seu arco e flecha ao lado de um lobo-guará. A mostra também trará uma Pietá, feita em 1917, para a Igreja de Saint Martin, em Condé-sur-Noireau, na Normandia, França. Mesmo depois da região ter sido severamente bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e a Igreja seriamente danificada, a escultura permaneceu intacta.

“A circunstância de a exposição ter lugar na Pinacoteca do Estado, reconhecidamente um dos mais prestigiosos museus do país, desde logo evidencia a importância da obra de Turin e contribuirá para consolidá-lo como um dos mais originais escultores brasileiros do seu tempo”, disse o curador.

Integra ainda a exposição um exemplar do livro biográfico. Escrito por Teixeira Leite, o livro foi o vencedor do prêmio Sérgio Milliet na categoria melhor pesquisa publicada de 2014, premiação concedida pela ABCA. O livro estará à venda na loja da Pinacoteca, assim como outros produtos inspirados nas obras do artista.

A mostra permanece em cartaz até 06 de junho de 2016 no 1º andar da Pinacoteca – Praça da Luz, 02. A visitação é aberta de quarta a segunda-feira, das 10 às 17h30 – com permanência até às 18h – e o ingresso custa R$6 (inteira) e R$ 3 (meia). Crianças com menos de 10 e adultos com mais de 60 anos não pagam. Aos sábados a entrada é gratuita para todos os visitantes.

ACESSIBILIDADE
Onze esculturas que compõem a exposição serão identificadas com legendas em Braille e poderão ser tocadas por pessoas com deficiência visual atendidas pelo Programa Educativo para Públicos Especiais da Pinacoteca. Para o agendamento de visitas educativas é necessário entrar em contato pelo telefone (11) 3324-0945.

SOBRE O ARTISTA
Natural de Porto de Cima, município serrano paranaense, João Turin estudou artes desde a infância. Graças ao apoio do governo local, conseguiu uma bolsa que viabilizou a sua ida à Bélgica, onde ingressou na Academia de Artes de Bruxelas, em 1905 e destacou-se pelo seu trabalho com anatomia humana e animal. Depois de formado, o brasileiro seguiu para Paris em busca de trabalho e, na cidade, conviveu com outros pensionistas como o escultor Victor Brecheret e o pintor Tulio Mugnaini, diretor da Pinacoteca entre as décadas de 1940 e 1960, entre outros. Retornou ao Brasil em 1922, onde viveu os anos mais produtivos de sua carreira. João Turin faleceu em 1949 e deixou um acervo completo de moldes em gesso hoje preservados pelo Atelier João Turin.

SOBRE O CURADOR
José Roberto Teixeira Leite dedica sua vida à arte e mantém um rico currículo: professor universitário de História da Arte no Brasil, lecionou em instituições de renome como a UFRJ, Universidade Gama Filho, Instituto de Artes do Rio de Janeiro e Universidade Estadual de Campinas; pesquisador, fez a crítica de arte em grandes veículos da imprensa como jornal O Globo, Folha de São Paulo, revista Bravo! e Veja; curador de inúmeras exposições no Brasil e no exterior, autor colaborador de mais de 30 livros, diretor do Museu Nacional de Belas Artes (1961-1964), exerceu cargos na Associação Brasileira de Críticos de Arte por diversas vezes, membro do Conselho de Orientação da Pinacoteca do Estado de São Paulo de 1989 a 2010.

Visite 
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Praça da Luz, 02 – Tel. +55 11 3324 1000
Quarta a segunda das 10h às 17h30 com permanência até as 18h.
Estação Pinacoteca e Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 – São Paulo, SP – Tel. +55 11 3335 4990
Quarta a segunda das 10h às 17h30 com permanência até as 18h

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