João Bosco completa 70 anos em plena atividade

Foto: Divulgação

“Caía a tarde feito um viaduto e um bêbado trajando luto…” que brasileiro já não cantarolou estes versos, seja na voz da nossa cantora maior Elis Regina, que o projetou nacionalmente, seja em praça pública, entoada  por milhares de pessoas que os transformaram num verdadeiro hino nacional, na época do Brasil pelas Diretas e pela Anistia? Esta música, que atravessou gerações, foi composta lá pelo final dos anos 70, em homenagem à Charles Chaplin e seu personagem eterno, o bêbado em questão Carlitos, que arrebatou plateias pelo mundo afora mexendo com emoções antagônicas que só um gênio desperta. O viaduto que caía, poucos se lembram, claro, mas fez o Rio chorar naquela tarde em que desabava o Paulo de Frontin.

Mesmo tendo  conquistado o mundo com seu  ritmo e sua batida única no  violão, afirmou  sua nacionalidade em outra obra-prima que compôs, “Nação”: “a minha sina é verde-amarela como a bananeira”.  Estamos ali, nós brasileiros, expressos em cada aspecto de nossa cultura, em composições feitas com o  parceiro Aldir, como “toca de tatu, linguiça e paio e boi  zebu, rabado com angu, rabo de saia” ou expiando nossas mazelas  em  “De frente pro crime”:  “tá lá um corpo estendido no chão, em vez de rosto uma foto de um gol, em vez de reza uma praga de alguém…”; relembrou  passagens de nossa história como na homenagem ao líder da Revolta da Chibata, o Almirante negro   João Cândido : “salve o navegante negro que tem por monumento as pedras pisadas do cais”. João ainda fez  o Brasil cantar diariamente diante da TV o mega sucesso  “minha pedra é ametista,  minha cor o amarelo”,  música-tema de O ASTRO.

70 anos em pleno vigor

O Sopa Cultural vem homenagear esse grande artista mineiro, João Bosco, que completa 70 anos, em plena atividade profissional como músico e cantor, que já lhe rendeu o Prêmio Tim de Música em 2005 e, em 2012 foi o grande homenageado do 23. Prêmio da Música Brasileira. Nascido em Ponte Nova, cresceu em um ambiente musical – sua mãe tocava piano e sua irmã era crooner. Foi morar em Ouro Preto para estudar engenharia e lá conheceu Vinícius de Moraes, que se tornou seu primeiro parceiro. Em 1970, conheceu Aldir Blanc, com quem formou uma parceira das mais férteis da MPB, com sucessos como “Dois prá lá dois prá cá”, “Mestre-Sala dos Mares” e “O Bêbado e a Equilibrista”, já citadas aqui. Ao longo de sua carreira, compôs com Capinam, Wally Salomão e Antônio Cícero, entre outros. Morador do Rio de Janeiro há décadas, nunca deixou de lado sua alma mineira, que o levou a ser convidado para compor a trilha do balé “Benguelê” do Grupo Corpo, em 1998.

João Bosco, que está comemorando seu aniversário em plena atividade profissional, acaba de participar do Festival de Montreux e se prepara para lançar um novo CD de músicas inéditas, além de  outro com gravações de músicas de outros autores, “passagem de Som”, com arranjos próprios, a partir da sugestão do filho Francisco, que em recente artigo de jornal, fez uma emocionada homenagem à João pelo aniversário de seus 70 anos,  citando o mito do Gênio que os antigos latinos consideravam como o deus a que todo o homem é confiado na hora de seu nascimento. Assim, ele sutilmente saúda o Gênio de seu pai, mas não deixa dúvida à que gênio está se referindo: “João Bosco é o que é por sua obra, que é obra de (seu) gênio” .

O aniversário é dele, mas é o Brasil  que agradece! Que o show de nosso artista continue por muito tempo ainda. Salve João Bosco!          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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