Janaina Fellini apresenta pela primeira vez no Rio de Janeiro, o show “Casa Aberta”, no Solar de Botafogo

Show é fruto de projeto selecionado entre mais 15 mil inscritos no programa “Rumos Itaú Cultural” e foi desenvolvido em seis dias de residência artística, no interior do Paraná

Janaina Fellini (foto: Letícia Moreira)

No sábado (12.03), às 21h30, no Solar de Botafogo, a cantora Janaina Fellini apresenta pela primeira vez no Rio de Janeiro o show “Casa Aberta”, fruto do trabalho realizado durante seis dias de imersão artística realizada numa chácara, no interior do Paraná. Além de Janaina e sua banda, protagonizaram a imersão o produtor musical Beto Villares e o maestro Letieres Leite, que dão aval para a carreira da cantora.

Quando a van estacionou e o maestro Letieres desceu do carro, fiquei paralisada. O que eu tô fazendo aqui? Quero fugir!”. Foi essa a reação da cantora Janaina Fellini ao ver-se diante da realização de um sonho. Ali começava o projeto “Casa Aberta”, residência artística que a cantora criou e que foi selecionada pelo Programa Rumos Itaú Cultural, entre mais de 15 mil propostas. A realização do projeto foi encabeçada por Janaina, ao lado do maestro Letieres Leite e do produtor Beto Villares.

Para se ter uma ideia do frio na barriga de Janaina, Letieres Leite é maestro arranjador escolhido por artistas como Nana Vasconcelos, Gilberto Gil e Elba Ramalho. Já Beto Villares assina discos de artistas como Céu e Siba. E Janaina era, até então, uma cantora conhecida em Curitiba, tentando entender se deveria mesmo insistir na carreira artística ou arrumar um outro jeito de ser feliz.

A resposta do programa Rumos Itaú Cultural reconduziu Janaina para a música. Pouco tempo antes, após inscrever o projeto, ela resolveu tentar a vida sendo balconista em Aracaju. Num dia de Yemanjá, mandou seis rosas brancas num barquinho para a entidade. Para uma das rosas, pediu que encontrasse um caminho profissional. A resposta veio com o “sim” para o projeto “Casa Aberta”, recebido e celebrado com lavanda em homenagem à Rainha do Mar.

Não à toa, a lavanda estará sempre presente neste trabalho. Nas fotos, no encarte do álbum e no palco.

Processo – A proposta de criar um trabalho a partir da soma de experiência dos artistas foi o que chamou atenção da Comissão de Seleção do Rumos Itaú Cultural. “Me perguntavam de onde eu conhecia o Letieres e o Beto. “Eu respondia que não os conhecia pessoalmente, mas queria trabalhar com eles. Encontrei os contatos, liguei e eles embarcaram no meu projeto!”, lembra sorrindo Janaina, que reuniu na mesma casa artistas que nunca haviam trabalhado juntos.

O projeto evoluiu para uma residência artística e, na convivência da casa, Beto Villares e Letieres Leite trabalharam de forma integrada. O primeiro observava e refinava as ideias. O segundo criava e conduzia. “Janaina é uma artista muito generosa e dedicada, que tem bem definido sua intenção, sua música. Me senti muito seguro em trabalhar com uma artista que apresenta sua identidade. No último dia de gravação, já senti saudade deste encontro entre energia, coletividade e música”,conta Letieres Leite. A residência aconteceu na Chácara Asa Branca, onde também foram gravados os Cd´s Leminskanções (Estrela Leminski) e All In (Du Gomide). O trabalho conta com a preparação vocal de Ana Cascardo. Bernardo Bravo, Estrela Leminski e Téo Ruiz participaram da composição em tempo real da faixa “Árida” juntamente com Janaina Fellini e Beto Villares. Ela foi composta numa noite de domingo e às 14h do dia seguinte já estava gravada. Dando vida aos arranjos, a banda foi composta pelos instrumentistas que dividem os palcos paranaenses com Janaina desde 2012. Du Gomide (guitarra e viola), Glauco Solter (contrabaixo elétrico e acústico), Alonso Figueroa (teclados e acordeom), Sergio Freire (sopros) e Denis Mariano (bateria). Para a “Casa Aberta”, foram convidados também Fernando Lobo (percussão) e Ruan Castro (guitarra). Na finalização do processo, o percussionista Maurício Badé fez uma participação.

Janaina – Depois de lançar o primeiro disco, em 2012, e se consolidar em Curitiba, Janaina pensou em outros rumos para sua carreira: “experimentei outra vida, e acreditei que poderia ser feliz de outro jeito”. Mas a oportunidade de gravar um novo álbum a levou de volta para a música.

Filha de pai sanfoneiro e de uma linhagem inteira de mulheres cantoras e homens instrumentistas – todos intuitivos –,Janaina Fellini é a primeira mulher da família a se dedicar a uma carreira na área. “A música é meu guia”, diz a cantora, que quer que as pessoas saiam do seu show transformadas e provocadas a reinventarem-se. “Acredito que a música pode virar uma chavinha dentro da gente”, provoca.

Dividem o palco com a cantora os músicos que a acompanham desde 2012: Du Gomide (guitarra e viola), Glauco Solter(contrabaixo elétrico), Alonso Figueroa (teclados e acordeom), Sergio Freire (sopros) e Denis Mariano (bateria), além da participação do maestro Letieres Leite.

No repertório do show, 10 músicas entre releituras de Gilberto Gil (“O Seu Amor”), Alessandra Leão (“Varanda”), Lucas Santtana (“É sempre bom se lembrar”), Zé Manoel (“Sol das Lavadeiras”), Lirinha (“Preta”), entre outros, além das inéditas “Infinito Efêmero” (César Lacerda) e “Árida”, composta e gravada na residência.

Capa

“Casa Aberta” faixa por faixa

1 – Varanda (Alessandra Leão)

Foi a primeira música arranjada, a receber a voz e ficar pronta. Janaina realizou quatro seleções de músicas e “Varanda” esteve escolhida para o repertório desde o início.

2 – Infinito Efêmero (César Lacerda)

Com letra suave e arranjo denso, carrega algo onírico.

3 – O Seu Amor (Gilberto Gil)

Beto Villares orientou que fosse escolhida uma música de alguém por quem Janaina tenha sido influenciada. A cantora escolheu “O Seu Amor” por acreditar que tem com Gil um encontro espiritual.

4 – Promessa (Bruno Capinan e Luisão Pereira)

Foi composta por amigosno período que antecedeu a ida para a chácara. Janaina recebeu a obra um dia antes da imersão e não teve dúvidas em colocá-la no repertório. Para a cantora, essa música tem relação com a época em que esteve em Aracaju e em Salvador, com a promessa que fez para Yemanjá e as realizações a partir disso.

5 – É sempre bom se lembrar (Lucas Santtana)

Janaina escolheu esta faixa pelo casamento entre melodia e letra, beleza e complexidade do tema.

6 – Sol das Lavadeiras (Zé Manoel e MaviPugliesi)

“Essa música me leva para uma coisa mais brejeira, me faz retornar às minhas origens”, conta Janaina. A canção foi indicação do músico Bernardo Bravo.

7 – Árida (Janaína Fellini, Beto Villares, Estrela Leminski, Téo Ruiz e Bernardo Bravo)

Composta e produzida durante a residência. Letra foi feita na noite de um domingo e, no dia seguinte, às 14h, estava com o arranjo finalizado e gravado.

8 – Sutil (Itamar Assumpção)

Traz irreverência, algo desconstruído e com sentido. A nova versão tem um dos arranjos mais dançantes. Janaina sempre admirou a obra de Itamar Assumpção e são comuns os encontros com ele por meio dos sonhos.

9 – Preta (Lirinha)

É uma composição delicada meio à obra do grupo Cordel do Fogo Encantado e resgata a “brejeirice”.

10 – Quem (Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

Entrou aos 45 do segundo tempo. Conforme “Casa Aberta” ia sendo desenvolvido na residência, Janaina lembrava de trabalhos que admirava e, pelo clima e energias trocadas durante o processo, escolheu “Quem”,  o encaixe que faltava.

Ficha técnica “Casa Aberta”
Arranjado por Letieres Leite
Produzido por Beto Villares

Músicos residentes: Janaina Fellini (voz), Du Gomide (Guitarra | Viola), Glauco Solter (Contrabaixo), Alonso Figueroa (Teclado | Acordeom), Sergio Monteiro Freire (Sopros), Denis Mariano (Bateria)

Músicos convidados: Fernando Lobo (Percussão), Ruan Castro (Guitarra), Bernardo Bravo, Estrela Leminski e Téo Ruiz (composição em tempo real) e Maurício Badé na faixa “Preta” (congas).

Participação Especial: Beto Villares na faixa “Árida” (voz e violão) e na faixa “Quem” (guitarra). Letieres Leite na faixa “Preta” (Flauta Transversal). Du Gomide na faixa “Sol das Lavadeiras” (Voz).

Preparação Vocal: Ana Cascardo
Técnicos de Gravação: Fred Teixeira e Chico Santarosa
Mixagem: Gustavo Lenza
Masterização: Felipe Tichauer
Ilustração de Capa: Pupillas
Direção de arte e projeto gráfico: Adriana Alegria
Tradução: Isabela Mafioletti Salvador
Registro em vídeo: VinniGennaro
Fotografia: Luciane Stocco, Daniela Carvalho e Web Mota
Chefe de Cozinha: Hannah Lima
Auxiliar Geral: MônicaApple
Concepção de Projeto: Janaina Fellini
Produção Executiva: Daniela Brusco, Janaina Fellini e Vivi Medeiros
Equipe de acompanhamento Itaú Cultural: Edson Natale, Otavio Bontempo e Bianca Barbosa Costa

Arranjado e Gravado na Chácara Asa Branca, Campina Grande do Sul-PR. De 19 a 25 de fevereiro de 2015. Gravação de voz no Estúdio Ambulante, São Paulo-SP, de março a julho de 2015, exceto a faixa Sutil, gravada ao vivo na chácara Asa Branca.

Casa Aberta, de Janaina Fellini

Dia 12 de março, sábado, às 21h30

Local: Solar de Botafogo (capacidade: 180 lugares)

Endereço: R. Gen. Polidoro, 180 – Botafogo, Rio de Janeiro – RJ

Ingressos: R$50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia) – Os ingressos estarão disponíveis no ingresso.com

Duração: 70 minutos

Classificação: Livre

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