Jacques e a Revoulção ou como o criado aprendeu as lições de Diderot no Parque das Ruínas

Abílio Ramos e Luiz Washington
Abílio Ramos e Luiz Washington

A obra soa como uma expressão premonitória dos tempos atuais.

Num confronto bem humorado, “Jacques” e o “Empresário”, passam em revista as suas próprias histórias, ambições e derrotas.

Escrita num momento diverso, porém igualmente perturbador, ao final dos anos 1980, no início do processo de democratização do país, à época da queda do muro de Berlim, “Jacques e a Revolução ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot”, de Ronaldo Lima Lins, dialoga intensamente com os tempos que correm, como se estivéssemos diante de uma espécie de expressão premonitória das sucessivas crises hegemônicas e representativas dos poderes. Para examinar um conjunto de ideias delineadas pelo iluminista francês, a peça reinaugura questões antigas na dinâmica dos últimos séculos de modernidade. Não há lugar geográfico específico. O mundo está em foco. Tudo se passa através do diálogo entre dois personagens: O patrão, um empresário e seu empregado, Jacques.

Equipe – No elenco, dirigido pelo dramaturgo Theotonio de Paiva, estão Abílio Ramos, Ana Luiza Accioly, Katia Iunes e Luiz Washington. A trilha sonora leva a assinatura do maestro Caio Cezar e Christiano Sauer. Marianna Ladeira e Thaís Simões assinam a direção de arte e Carmen Luz a direção de movimento e preparação corporal. A iluminação é de Renato Machado. Designer gráfico Nicholas Martins, fotos de MarQo Rocha e Flávia Fafiães.

O texto ganhou o Prêmio Maurício Távora – 1989 / Secretaria de Cultura do Estado do Paraná.

A direção acentua um jogo de espelhos, numa encenação que exercita o poder da síntese, ao trabalhar com quatro naipes de personagens: dois homens e duas mulheres. “Essa composição permite revelar mais claramente o jogo presente no próprio texto, favorecendo uma grande construção dramático-narrativa entre atores e público”, afirma o diretor Theotonio de Paiva.

A conversa entre os dois personagens centrais – Jacques e o Empresário – é amigável e informal, porém, às vezes resvala para conflituosa – colocando-os em confrontos bem humorados. O “tema da viagem”, conforme aparece em Diderot, aqui se concentra num único eixo, no coração de um império econômico, metáfora do próprio sistema. Não se trata, no entanto, de uma situação onde tudo parece indiferenciado. Um comentário descuidado, no conjunto das situações, aponta para algo profundo, como se as ações humanas permanecessem além da nossa compreensão. Constrói-se então uma reflexão que, sem tirar o sabor do riso, atribui ao mesmo um caráter sério, como se nos movêssemos sobre armadilhas. “Somos colocados diante de uma dialética envolvendo dominador e dominado, como se fosse um destino, no qual há trânsito e alternância de posições. Quem estava por baixo vê-se por cima e vice-versa”, reflete Ronaldo Lima Lins, autor da peça.

Projeto – A peça é um Projeto Cultural de Teatro, contemplado no Edital Viva a Arte! da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro. A estreia de JACQUES E A REVOLUÇÃO, no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, vem com série de ações. O espaço ocupa o segundo lugar de maior assistência dentre os equipamentos da SMC-RJ: são quase 35 mil pessoas circulando, por dia, pelas ruínas do casarão em Santa Teresa. Durante a temporada, instituições importantes serão parceiros nessa empreitada, como a Casa da Leitura / Biblioteca Nacional e Biblioteca Parque, na Pres. Vargas.

No cardápio da peça – palestra, lançamentos de livros, debates. Em tempo, o lançamento da peça em livro, está agendado para 15 de outubro, no Parque das Ruínas. Além disso, o autor fará dois outros lançamentos: Casa da Leitura – 18 de outubro │ Biblioteca Parque – 19 de outubro. Coincidentemente, Ronaldo Lima Lins apresenta outro livro de ensaios, “O saber e os ventos do não saber”. Que será lançado dia 5 de outubro na Livraria Blooks, pela Editora Mauad.

“JACQUES E A REVOLUÇÃO ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot”, passou por Lonas e Arenas Culturais, no decorrer desse ano, onde recebeu público de diversos bairros cariocas. Uma nova frente de espectadores se criando…

CENTRO CULTURAL MUNICIPAL PARQUE DAS RUÍNAS
End. Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa
Tel. (21) 2215 0621
De 07 a 30 de outubro
De sexta a domingo, sempre às 19h
Valor do ingresso: R$ 30,00 reais (inteira) e R$ 15,00 reais (meia)
Duração: 80m
Lotação: 70 lugares
Faixa etária: 14 anos

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