Isabella Taviani lança CD Carpenters Avenue no Tom Brasil

Cantora homenageia Karen Carpenter, grava seu primeiro trabalho só como intérprete e conta com a participação de Dionne Warwick

Isabella Taviani (foto: Daryan Dornelles)
Isabella Taviani (foto: Daryan Dornelles)

No dia 30 de abril de 2016, Isabella Taviani inicia a turnê de divulgação de seu novo trabalho, Carpenters Avenue, no qual relê 14 músicas do repertório dos Carpenters. O show será realizado no Tom Brasil. Antes, ela participará de dois shows no Brasil de Dionne Warwick, que marcou presença neste novo CD.

No dia 28 de abril em São Paulo (Citibank Hall) e no dia 29 de abril no Rio (Theatro Municipal), Isabella cantará com Dionne no show da consagrada cantora americana exatamente a música que as duas gravaram juntas. Trata-se de “(They Long To Be) Close To You”, um dos maiores sucessos dos Carpenters e que é de autoria do genial Burt Bacharach, grande mentor da carreira de Dionne.

Os Carpenters foram um dos grupos de maior sucesso da história da música pop, lançando entre 1969 e 1983 canções doces e românticas que embalaram corações nos quatro cantos do planeta. O piano e os arranjos de Richard e a voz encantadora de Karen Carpenter são apreciadas até hoje pelos fãs de música pop.

Fã dos irmãos Carpenter desde criança, Isabella teve a ideia de gravar um álbum só com músicas do repertório dos Carpenters em 2010. O álbum traz 14 faixas, sendo oito gravadas no Brasil e seis em Los Angeles (EUA), indo de hits como “We’ve Only Just Begun”, “(They Long To Be Close To You)” e “Only Yesterday” a adoráveis lados B como “Eventide”, “Sometimes” e “Love Me For What I Am”. Consagrados músicos brasileiros e americanos participaram dos arranjos e das gravações.

Em “Sometimes”, temos a participação vocal de Monica Mancini, filha do célebre maestro Henri Mancini, que é autor desta canção em parceria com a irmã de Monica, Felice. De quebra, foi incluída na gravação o piano tocado por Henri na demo original enviada aos Carpenters em 1971. O CD é um sonho que Isabella Taviani acaba de concretizar, uma bela homenagem à saudosa Karen Carpenter (que nos deixou precocemente aos 32 anos, em 1983) que agora será partilhado com todos os seus fãs.

Por que Carpenters?
Quando eu tinha 5 anos, minha voz me causava muito constrangimento. Era grave demais e várias vezes me confundiam com meninos. Eu dizia para minha mãe que não gostava de falar assim, e ela, dona de sabedoria Materno-Musical, tentava tirar essa idéia de dentro da minha cabecinha. Dizia que era uma voz muito bonita e rara (coisas de mãe), e que eu deveria buscar cantoras com esse timbre para que sentisse o quão lindas elas soavam!

Eu passava as tardes na casa de uma prima que tinha muitos LPs internacionais. Ouvíamos todo tipo de Música e 0 tempo inteiro. Até que ela botou para tocar “Please Mr. Postman” e “Only Yesterday”, canções no Topo das paradas de Sucesso (era assim que falávamos) no ano de 1975. Minha paixão foi instantânea!

O LP em questão era “HORIZON”, meu preferido até hoje, e talvez o melhor registro vocal de Karen Carpenter. Isso para não falar das canções maravilhosamente bem arranjadas por Richard Carpenter e de suas composições. Karen arrebatou meu coração com a sua voz grave, doce e até descontraída, ou tentando ser! Naquele momento passei a ouvir tudo que eles gravavam e a cantar tudo como ela! Se Karen fazia, então era de fã. Iniciei uma apaixonada procura por todos os discos lançados por eles durante os IO anos seguintes.

Em 4 de Fevereiro de 1983, meu mundo caiu. Morria “A Voz” dos Carpenters e eu perdia minha estrela mais amada e brilhante para uma doença até então pouco conhecida: Anorexia! Eu esparramava os tão preciosos discos na cama e me jogava sobre eles em uma dor e sentimento profundos. Mas o tamanho desta profundidade eu iria conhecer em 2016, no lançamento deste “Carpenters Avenue”. Parece que eu devia isso a mim e a eles: Uma homenagem!

Esse é o meu primeiro trabalho somente como intérprete, e foi muito difícil!

A escolha do repertório: uma tortura! Só 14 faixas? Como assim? Não dá! Como fã convicta, talvez tenha pecado um pouco ao optar por canções não tão “Lado A”, como “Love me for What I am”, “Sometimes”, “Eventide” e “A song for You”. Mas a vontade de cantar essas músicas era muito mais forte que o pensamento comercial. Afinal, este CD é um presente para mim também!

O projeto começou em 2010, antes do lançamento do meu quinto álbum: “Eu Raio  Junto com Clemente Magalhães, produzi as duas primeiras faixas mesclando teste e curiosidade pessoal de como seria cantar Carpenters. Gravamos “Superstar” e “A song for You” em uma sonoridade Folk. Queria distanciar um pouco do tão marcante piano de Richard e trazer as canções para 0 “meu” violão. Você vai sentir claramente isso nas duas faixas.

Bem, o tempo foi passando…gravei o CD “Eu raio X”, depois o DVD homónimo, mas aquele projeto Carpenters continuava a me “beliscar” a alma.

Um dia recebi o telefonema de Los Angeles do Produtor Musical Rodrigo Rios. Nestas nada coincidências da vida, ele tinha ouvido algumas gravações minhas e se colocou à disposição para produzirmos o que eu quisesse em L.A. À princípio achei bobagem. Por que EUA? Para dizer que gravei fora do País!? Isso não me enchia os olhos nem os ouvidos! Ele insistiu…e durante os muitos papos pelo telefone, eu fui “beliscada” de novo! Bem aí, tudo se encaixou.

Com duas canções prontas tendo um resultado que me agradava bastante, não achei que seria legal produzir todas as faixas nos Estados Unidos. Queria justamente a mistura musical que podíamos fazer. Convidei o pianista, arranjador e compositor Marco Brito para produzir as faixas gravadas no Brasil e a “costurar” comigo essa sonoridade Norte Sul-americana.

Assim, começamos o processo por aqui em 2014 e dividimos o repertório em:

BRASIL:
“We’ve Only Just Begun”
“Please Mr. Postman”
“Only Yesterday”
“Eventide”
“Calling Occupants of Interplanetary Craft” “Rainy Days and Mondays”

EUA:
“Solitaire”
“(They long to be) Close to You”
“For All We Know”
“l Can’t Smile Without You”
“Sometimes”
“Love me for What I am”

Os arranjos de Brito, vencedor do Grammy Latino 2015, provavam que ele também era um grande fã dos Carpenters. E nós não conseguíamos, ou talvez nem quiséssemos, nos distanciar tanto das gravações originais. Seria um desperdício. A personalidade de Richard nos arranjos sempre foi tão elegante e bem escrita que buscar tanto afastamento poderia descaracterizar demais o prazer que sempre sentimos ao ouvir a dupla. E ai morava outro desafio: respeitar o que já nasceu lindo e trazer diversidade sonora na medida certa. E como é bom sentir que conseguimos!

Terminadas as sessões no Brasil, segui para Los Angeles em Outubro do mesmo ano e gravamos as bases no lendário “Capitol Studios”! #semcomentários

Uma das razões que me levou a gravar nos Estados Unidos foi poder convidar Dionne Warwick para participar do projeto. Karen a tinha como grande amiga e confidente, e a canção escolhida para esse dueto foi “Close to You”, uma das mais conhecidas e premiadas da dupla.

Dionne aceitou!

Os momentos que passamos juntas no estúdio foram inesquecíveis para mim, também porque pude conversar sobre a Karen. E ela me confessou: “Como eu gostava daquela menina…era tão doce!”

Durante a primeira faixa que gravamos na Capitol, “For All We Know”, senti algo diferente de tudo que vivi em estúdios na minha carreira. Senti a presença daquela estrela brilhante bem perto de mim. Não me pergunte como, mas eu sei que ela estava lá!

Era uma alegria olhar para sala gigante e ver músicos tão incríveis gravando comigo: Larry Goldings (arranjador de James Taylor e responsável pelos nossos arranjos), Leland Sklar, Brandon Fields, Cheche Allara…todos envolvidos e emocionados com o momento.

Bases prontas, fomos para 0 estúdio de Monica Mancini e Cregg Field para captação de voz e mixagens. Monica, ao ouvir as passagens vocais, se disse muito Surpresa com o projeto e com a região de voz, aquela que tanto me constrangeu, que Karen e eu dividimos. Por terem convivido, partilhado histórias e pelo talento de Monica, Rodrigo Rios (meu produtor e baterista nas faixas) teve a idéia de trazer a filha de Henry Mancini para o álbum. A canção “Sometimes” (Henry Mancini/Felice Mancini) foi gravada pelos Carpenters em 1971 e Monica topou na hora, começando ali um novo dueto. Era mais um presente que o disco me reservava.

NO almoço de despedida de Los Angeles, Monica contou que havia recebido um súbito e-mail de Sally (cantora que registrava vozes nas demos de Henry), exatamente com a faixa original da canção que gravamos juntas. Foi a mesma faixa enviada aos irmãos Carpenters na época da escolha de “Sometimes” para entrar no disco de 1971 e, pasmem, no mesmo exato tom! Além da generosa entrega do piano original e inédito de Henry Mancini para inserirmos neste CD de 2016.

Você pode imaginar isso? Fiz um dueto com Monica Mancini (sem que isso fosse premeditado) de uma música gravada pelos Carpenters, com letra da sua irmã gêmea (Felice Mancini), musicada pelo maior compositor de trilhas de cinema de Hollywood de todos os tempos e, como introdução, um piano inédito do próprio!

Não…não acredito em coincidências! Tudo neste projeto, desde o embrião em 2010, me fez crer que muitas energias conspiraram para que ele fosse realizado da melhor maneira possível.

Foi uma empreitada cara! Sem economias de orçamento, deslocamento, tempo e dedicação. Gastei, de tudo isso, o que pude e não pude para executar uma homenagem digna aos meus ídolos musicais.

Também foi um processo moroso e cheio de detalhes mínimos…da Semente à floração. Sinto agora que cumpri minha tarefa com louvor! Tenho muito orgulho do que fiz e gratidão por todos que deixaram aqui seu talento e sua energia.

Agora, é hora dele seguir 0 caminho por si só. Eu sou uma mera coadjuvante desta Avenida, mas “Carpenters Avenue  é o meu próprio caminho contado em todas as pedras!

Bem vindo a essa nova volta nas estradas musicais, indiciada na época circular das trilhas dos vinis, daqueles que ousaram, emocionaram e deixaram saudades: THE CARPENTERS