Iria Braga, um escorpião inquieto

A trajetória artística de Iria é caracterizada por seu trânsito entre a música e o teatro, bem como pela mistura dessas artes em suas produções. A ânsia de criar e dar corpo aos seus projetos (desejos) movimentou sua vida em busca de uma linguagem particular como intérprete. Assim, a realização de shows solos com diferentes temáticas, a integração em diversos grupos musicais e a carreira paralela de atriz delinearam o perfil da artista que é atualmente. 

“Estou ouvindo. Lindo trabalho. Linda música, lindos músicos e linda voz. Amei.”
Jane Duboc
 

Foi na adolescência que se decidiu pela arte, pois na infância queria ser de tudo um pouco e era uma incógnita por onde seguiria. Por intuição, compreendeu cedo que esse era o único universo que poderia lhe conter e permitir que vivenciasse sua pluralidade. A primeira lembrança musical vem da estreita ligação afetiva com sua avó materna Áurea. No início era um repertório religioso, do coro da igreja, mas aos poucos foi evoluindo. Em casa, ouvia rádio e gravava as melhores da FM em seu toca-fitas vermelho para depois dublar como num karaokê. Ouvia também, por intermédio de seu padrasto, a coleção completa da dupla sertaneja João Mineiro e Marciano e a coleção da banda de hard rock Kiss, dos quais era fã. A diversidade e a contradição conviveram íntimas em sua formação, fator que revela muito sobre seu pensamento criativo.

“Achei a musica linda e tristissima, otima cantora, com estilo. abraços musicais.”
Nelson Motta (sobre o clipe de Peito Vazio):
 

Em 1997, ingressa no curso de teatro do Colégio Estadual do Paraná e, simultaneamente, inicia seus estudos de canto no Conservatório de MPB de Curitiba. Um novo mundo se apresenta, dando inicio a grandes mudanças. Surgem suas primeiras paixões dentro da música brasileira, e assim começa a colecionar canções preferidas, cantores, compositores. Mas, o divisor de águas foi a audição de “Travessia”,  de Milton Nascimento e Fernando Brant, interpretada por Elis Regina. O primeiro show – para valer – não demorou. E sua história começa numa desilusão amorosa. Para enfatizar o fim do relacionamento, o ex-namorado lhe sugere ouvir “Acontece”, do sambista Cartola. Iria apaixonou-se pela obra, curou a dor de cotovelo e a transformou em repertório de sua estreia como cantora profissional no show “Fita Meus Olhos”, de 2000, com direção de Cleber Braga. Dois anos depois montou outro espetáculo, “Oração ao Tempo”, inspirado na cultura afro-brasileira. Em 2004, com a direção de Indioney Rodrigues, “De Cor Laranja Amarelo Ouro” dá continuidade à pesquisa do show anterior. Em 2007, veio “Flor de Maracujá”, com músicas inéditas de compositores paranaenses. Nesse mesmo ano, Iria viaja à França e apresenta-se em diversos espaços culturais. Absorveu o que pôde da cultura em Paris, vivenciou uma efervescência artística diferente, reconheceu a força da música brasileira no exterior e decidiu voltar ao Brasil com a decisão de se dedicar a carreira de cantora. O resultado foram os shows “Peixe-Estrela” (2008), com repertório exclusivo da compositora e cantora Joyce, e “Mélanger” (2009), uma mescla de canções brasileiras e francesas.

“Mas que interessante a versão da Iria Braga, hein? AMEI. Muito corajosa ela e tem voz linda.”
Vânia Bastos (sobre a versão de Crotalus Terrificus)
 

Sem abrir mão da carreira musical, em 2011 Iria se formou em Licenciatura em Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Em paralelo à universidade, cursou a formação antroposófica em canto e cantoterapia – A Escola do Desvendar da Voz –, interrompendo no último período, após três anos e meio, para se dedicar ao seu novo espetáculo “Iria Braga e Quarteto”, o embrião que resultaria no seu primeiro CD solo.  

Filha de muitas influências e experiências, Iria metamorfoseia-se em direção a imprimir cada vez mais sua personalidade no que canta, no que produz. Passeando pelo samba, caminhando pelo jazz, namorando o pop, flertando com a erudição e, acima de tudo, mantendo em sua trajetória a filosofia de vida que aprendeu com sua avó: “Tudo pode passar na sua vida, menos a música”.

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