Joël Pommerat escapa de todas as armadilhas e brinca com as convenções, para – mais uma vez – impor, magistralmente, seu universo tão singular, entre naturalismo e onirismo, para falar de amor.  As cenas que concebeu não estão ligadas entre si, a não ser pelo tema.

Dia 24 de junho, estreia no Oi Futuro o inédito e premiado espetáculo A Reunificação das Duas Coreias, do autor francês Joël Pommerat, homenageado da Mostra Internacional de Teatro de SP – 2016, com direção de João Fonseca. O texto mergulha no mundo onírico e controverso das relações amorosas. Os atores Louise Cardoso, Bianca Byington, Solange Badim, Marcelo Valle, Gustavo Machado, Verônica Debom e Reiner Tenente se revezam em 47 diferentes personagens protagonizando as 18 histórias que mostram o que há de mais cômico, trágico e dramático nas relações afetivas, um universo do qual nenhum espectador escapa. Apesar de o título remeter a questões políticas, A Reunificação das Duas Coreias aborda o tema Amor em suas diversas formas e manifestações. O título é uma licença poética extraído da fala de uma das personagens que explica à mulher sem memória como os dois se amavam quando se conheceram: “Foi como se a Coreia do Sul e a Coreia do Norte abrissem suas fronteiras e se reunificassem e que as pessoas que tinham sido impedidas de se ver durante anos se reencontrassem”.

A Reunificação das Duas Coreias foi apresentada à produtora Maria Siman (Primeira Página Produções), em 2014, por uma amiga francesa que enviou o texto com um bilhete que dizia “você vai amar esta peça”. Como previsto, Maria se encantou e iniciou as negociações para a compra dos direitos. Em fevereiro de 2015 o espetáculo voltou aos palcos de Paris e ela teve a oportunidade de assistir à montagem original, dirigida por Pommerat e encenada por sua Companhia, Louis Brouillard. Foi quando finalizou as negociações e começou a trabalhar na produção, convidando o diretor João Fonseca, com quem já trabalhara em quatro espetáculos, para liderar a equipe: “Maria me convidou e eu adorei a peça, achei que era tudo que eu queria fazer nesse momento, essa coisa do amor e desamor. Me encantou a possibilidade de fazer pela primeira vez um trabalho com cenas fragmentadas. Foi um presente”, declara o diretor.

“Falar de amor em suas diversas possibilidades é urgente e necessário. Através da brilhante dramaturgia de Pommerat fazemos um passeio pelas diversas formas em que o amor se manifesta”, declara a produtora Maria Siman.

A Reunificação das Duas Coreias é um marco na carreira do autor. Acostumado a escrever espetáculos mais focados em questões sócio econômicas e menos sentimentais, Pommerat se rende aos relacionamentos humanos. Como o autor de teatro diz em Galea e Pommerat, “Só temos tempo de captar um pouco do real quando o fabricamos poeticamente” (2005, p. 59). A Reunificação das Duas Coreias é uma peça fragmentada, com cenas que necessariamente não se fecham, não são continuações, mas se completam. E fala de amor falando do desamor, sempre de maneira inusitada e surpreendente. Como define João Fonseca, “todas as cenas têm nomes emblemáticos – Divórcio, Separação, Casamento – mas ele usa muito pouco o lugar comum, a forma como aparecem as discussões e a questão do amor é sempre inusitada. Não é porque está na moda, mas eu acho tão necessário e tão bacana falar desse encontro e reencontro”. 

Para o elenco, Maria Siman e João Fonseca optaram por atores mais maduros, que já tivessem trabalhado com o diretor: “Quando entrei no projeto, já havia a Bianca, com quem eu nunca tinha trabalhado e de quem sempre fui fã! Já tinha trabalhado com Solange, Louise, Marcelo, Gustavo, Reiner (que também assina a assistência de direção), e olhando o texto achei que era a cara de cada um deles. É uma peça que precisa de excelentes atores. Atores mais maduros, com a exceção da nossa caçula que é a talentosa Veronica Debom, mas que tenham espírito de cia. Porque a peça é feita para uma cia de teatro, por uma cia de teatro, em formato de cia de teatro. E esses atores que têm um histórico de teatro grande são fundamentais, nessa peça é preciso ter esse jogo, é preciso ter esse lugar “, diz João.

Tentando não descaracterizar uma das marcas de Pommerat, que é a iluminação aureolada, João Fonseca, ao lado do designer de luz, Renato Machado, vai trabalhar com um clima cinematográfico, mágico, porém possibilitando a visibilidade das feições do elenco. “Gostaria de atingir a coisa cinematográfica, mágica, que eu acho que os espetáculos do Pommerat possuem. Mas, sem utilizar um desenho de luz tão sombreado, gostaria de atingir os climas surreais que ele propõe, porém de uma forma mais solar”. E o iluminador Renato Machado complementa: “Devo trabalhar a luz com uma base que se mantém por baixo dos recortes, permitindo uma visibilidade maior da cena que somente silhuetas. Nessa base talvez faça uso de laterais forçadas para manter uma luz contrastada e não chapada, dando nuance à cena, mesmo quando não houver os recortes”.

O figurino composto por Antônio Guedes vai seguir a linha minimalista: “Não costumo ser minimalista nos meus figurinos, o que me animou por ser um desafio. São 47 personagens, divididos entre sete atores e as trocas são rápidas. Então criei um sistema de roupas base minimalistas, neutras mas também elegantes, que recebem as peças de figurino que pertencem aos personagens”.

Inédita por aqui, A Reunificação das Duas Coreias é o segundo espetáculo do autor montado por brasileiros no país.  A primeira companhia a montar uma obra de Joël foi A Cia Brasileira de Teatro, em 2012, com “Esta Criança”, que teve participação de Renata Sorrah e direção de Márcio Abreu.

Nos dias de hoje, Joël Pommerat continua sua exigente busca artística sobre as relações humanas, sobre o existencial, reinventando sem cessar. Isto proporciona uma escrita sensível, uma arte da percepção que revela a intensidade do comum. Eis um grande teatro que nos clareia sobre a dificuldade de amar e prova, mais uma vez, o talento inegável de um dos maiores autores e diretores atuais.      

JOÃO FONSECA – diretor – Um dos diretores mais ativos do teatro brasileiro, tem entre seus principais trabalhos os musicais de grande sucesso de público e crítica: “O Grande Circo Místico”, “Tim Maia – Vale Tudo”, “Cazuza, Pro dia Nascer feliz”, “Cassia Eller”, “Gota D’Água”, de Chico Buarque, e os espetáculos “Maria do Caritó”, com a atriz Lilia Cabral e “Razões pra ser Bonita”, com Ingrid Guimarães, “Edukators”, “Pão com Mortadela”, “RJ de Shakespeare”, “Escravas do Amor”, dentre muitos outros. É vencedor do Prêmio Shell Melhor Diretor de 1997 por “O Casamento“, de Nelson Rodrigues, do Prêmio IBEU de Melhor Diretor de 1999 por “Tudo No Timing“ e do Prêmio Arte Qualidade Brasil e Prêmio Shell em 2010 por “Maria do Caritó”. Foi sete vezes indicado ao Prêmio Shell:  “Tudo no Timing”, “O Casamento do Pequeno Burguês”, “Édipo Unplugged”, “Escravas do Amor”, “Pão com Mortadela”, “A Falecida” e “Oui Oui… A França é aqui!”. Também indicado ao Prêmio Eletrobrás de Melhor Diretor por “Escravas do Amor”; ao Prêmio Contigo de Teatro e ao Prêmio APTR por “Gota d’água”; ao Prêmio Contigo de Teatro como Melhor Diretor por “Oui, Oui… A França é aqui!”; ao Prêmio Qualidade Brasil Melhor Diretor pelas peças “O Casamento do Pequeno Burguês” (2003) e “Gota d’água” (2008).

LOUISE CARDOSO é Atriz, diretora e professora de teatro, formada pelo Teatro Amador O Tablado, sob a direção de Maria Clara Machado. No teatro profissional, fez 23 peças como atriz e oito como diretora. No cinema, 28 filmes de longa-metragem e dez de curta-metragem. Na televisão, 17 novelas, 15 programas e cinco minisséries. Seu último trabalho no teatro foi “Velha é a Mãe!”, de Fábio Porchat, direção de João Fonseca, que ficou três anos em cartaz. Dentre os prêmios recebidos destacam-se: Prêmio Mambembe, Prêmio Qualidade Brasil de Teatro, Melhor atriz do Festival de Cinema de Brasília, Prêmio APCA de Cinema e de Televisão.

BIANCA BYINGTON é atriz e diretora. Entre os principais trabalhos, destacam-se os espetáculos “Cozinha e Dependências” e “Um Dia Como os Outros”, como atriz, diretora e produtora (Prêmio Qualidade Brasil), “Os Saltimbancos”  (Prêmio Cebtij melhor atriz), “Farsa da Boa Preguiça”  (indicação prêmio Shell), “Um Marido Ideal”, “A Prece da Donzela”, “Da Boca Pra fora” (indicação prêmio Shell). Dirigiu o espetáculo “Domésticas”, de Renata Mello, em 2013. No cinema participou de  “Noites de Reis”, “Viúva Rica” (Portugal), “Estorvo”, “Garota Dourada”, “Tormenta” (prêmio atriz coadjuvante Festival de cinema de Gramado)

MARCELO VALLE é ator, diretor e produtor, membro da Cia. dos Atores há 20 anos. Trabalhou com os diretores Enrique Diaz, Felipe Hirsh, Moacyr Chaves, Christiane Jatahy, Cesar Augusto, Ernesto Piccolo, João Fonseca, Inez Viana e Guilherme Piva. Com “Divã”, foi indicado para o Prêmio Shell de melhor ator – 2005 – e, com “Como é Cruel Viver Assim”, foi indicado ao Premio Cesgranrio de Melhor Ator – 2014. Em cinema, integrou o elenco de “Madame Satã”, “Sem Controle”, “Tropa de Elite”, “Meu Passado me Condena”, “Entre Abelhas” e “Meu Passado me Condena 2”. Em TV, participou das novelas “Celebridade”, “Paraíso Tropical”, “Viver a Vida”, “Insensato Coração” e do seriado “Meu Passado me condena” no Multishow.

SOLANGE BADIM é atriz e cantora.  Seus principais trabalhos em teatro são “Deixa que eu Te Ame”, “As Bodas de Fígaro”, “Rádio Nacional”, “Emilinha e Marlene”, “Oui Oui A França é Aqui”, “Company”, “Suburbano Coração”, “A Noviça Rebelde”, “Cristal Bacharach”, com os diretores Aderbal Freire-Filho, Daniel Herz, André Paes Leme, Paulo Reis,  Sérgio Britto, Hamilton Vaz Pereira, Domingos de Oliveira, Bibi Ferreira,  Antonio DeBonis, João Fonseca, Gustavo Gasparani, Guilherme Piva e Charles Moeller. Foi indicada ao Prêmio APTR 2009, Prêmio Shell 2010, Prêmio Cesgranrio 2013 e recebeu os Prêmios Cesgranrio e APTR 2015.

GUSTAVO MACHADO atuou, entre muitos outros, nos espetáculos “O Avarento”, direção Felipe Hirsh, “A Cabra”, direção Jô Soares, “Razões pra ser bonita”, direção João Fonseca, e “Exilados”, direção Ruy Guerra. No cinema, destacou-se nos filmes “Eu receberia as piores noticias dos seus lindos lábios”, direção de Beto Brant, “Disparos”, de Juliana Reis, “Elis”, de Hugo Prata, e “As melhores coisas do mundo”, de Laís Bodanzky.

REINER TENENTE é ator, cantor e educador. Graduado e mestrando em teatro pela Unirio, fundou em 2013 o CEFTEM (Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical). Seus últimos trabalhos como ator foram “Tim Maia – o musical”, “O Grande Circo Místico”, “Bilac vê estrelas” e “O primeiro musical a gente nunca esquece”. 

VERONICA DEBOM  é formada pela CAL – Casa das Artes de Laranjeiras. Atuou por 3 anos no grupo “Comédia em pé”. Atualmente integra o elenco do programa “Tá no ar”, vencedor do Prêmio APCA.  Em TV, foi dirigida por Roberto Bomtempo, Rudi Lagem, Ivan Zettel,  Mauro Lima, Tomás Portella, Vicente Amorim e Johnny Araújo. No cinema, trabalhou com Tomás Portella, Flávio Tambellini, Paulo Thiago, Paula Trabulsi, Felipe Joffily, André Pellenz e Maurício Farias.

MARIA SIMAN – produtora
À frente da Primeira Página Produções Culturais há 19 anos, Maria Siman é  responsável por mais de 40 produções teatrais. Vencedora do Prêmio APTR em 2008 e 2014 na categoria Melhor Produção e do Prêmio FITA 2013 pelo conjunto das produções.  Dentre os espetáculos realizados, destacam-se os grandes sucessos de público e crítica: “Incêndios”, direção Aderbal Freire-Filho, com Marieta Severo; “Ensina-me a Viver”, direção João Falcão, com Glória Menezes; “O Grande Circo Místico”, musical de Chico Buarque e Edu Lobo;  “Doidas e Santas”, direção Ernesto Piccolo, com Cissa Guimarães; “Maria do Caritó”, Direção João Fonseca, com Lilia Cabral; “O Soldadinho e a Bailarina”, direção Gabriel Villela, com Luana Piovani; “Macbeth”, direção de Aderbal Freire-Filho, com Daniel Dantas e Renata Sorrah; “Pernas Pro Ar”, musical com Claudia Raia, direção Cacá Carvalho; “Sexo, Drogas e Rock´n´Roll”, direção Victor Garcia Peralta, com Bruno Mazzeo; “Virgolino e Maria”, direção Amir Haddad, com Marcos Palmeira e Adriana Esteves; “O Pequeno Príncipe”, direção João Falcão com Luana Piovani.

SOBRE JOËL POMMERAT – autor
Joël Pommerat nasceu em 1963. Autor e diretor, fundou a Companhia Louis Brouillard em 1990. Joël Pommerat tem a particularidade de encenar somente seus próprios textos. Segundo ele, não existe hierarquia: a encenação e o texto são elaborados conjuntamente durante os ensaios. É por isso que ele se denomina como “escritor de espetáculos”. Em 1995, criou “Pôles”, a seu ver, primeiro texto artisticamente concluído. Foi também o primeiro a ser publicado em 2002. Em 2004, o Théâtre National de Strasbourg acolheu a criação da sua peça “Au monde. Com a trilogia Au monde (2004), “D’une seule main” (2005), “Les Marchands” (2006), Joël Pommerat enraíza diretamente suas peças, em nossas representações, na realidade contemporânea e no questionamento. Ele aborda o real em seus diversos aspectos, materiais, concretos e imaginários. Em 2006, “Au monde”, “Les Marchands” e “Le Petit Chaperon rouge” foram retomadas no Festival d’Avignon, onde Joël Pommerat também criou “Je tremble (1 e 2)” em 2008. Ele continuou a reescrever contos com “Pinocchio” em 2008 e “Cendrillon” em 2011. Em 2010, ele apresentou “Cercles/Fictions” em um dispositivo circular, que explorou de novo em “Ma chambre froide” no ano seguinte. Em 2013, ele criou “La Réunification des deux Corées” (A Reunificação das duas Coréias) com um palco que dividia a plateia em duas, colocando-as frente a frente. Seu último espetáculo, “Ça ira (1) Fin de Louis”, foi criado em setembro de 2015 em Manège de Mons, fazendo parte do Mons 2015 – Capital europeia da cultura. Na ópera, Joël Pommerat colaborou com Oscar Bianchi adaptando sua peça “Grâce à mes yeux” (Thanks to my eyes, Festival d’Aix en Provence, 2011). Em 2014, ele encenou “Au monde”, ópera de Philippe Boesmans, inspirado na sua peça, no Théâtre de la Monnaie em Bruxelas. Desde o início, ele foi apoiado, com longas parcerias, pelo Théâtre de Brétigny-sur-Orge e pelo Théâtre Paris-Villette. A convite de Peter Brook, foi também artista residente no Théâtre des Bouffes du Nord entre 2007 e 2010. Ele é atualmente artista associado do Théatre National de Bruxelles, assim como do Odéon-Théâtre de l’Europe. Desde 2014, ele faz parte da associação dos artistas de Nanterre-Amandiers. Joël Pommerat procura criar um teatro visual, ao mesmo tempo íntimo e espetacular, trabalhando sempre com a intenção de ressaltar a presença cênica dos atores. Ele retomou sua abordagem artística em duas obras: “Théâtres en présence” (2007) e, com Joëlle Gayot, Joël Pommerat, “Troubles” (2010). Todos os seus textos são publicados pela Editora Actes Sud.

Ficha Técnica:
Texto: Joël Pommerat
Tradução: Bia Ittah
Direção: João Fonseca
Direção de produção: Maria Siman e Ana Lelis
Elenco:  Louise Cardoso
Bianca Byington
Solange Badim
Marcelo Valle
Gustavo Machado
Veronica Debom
Reiner Tenente
Luz: Renato Machado
Figurinos: Antonio Guedes
Cenários: Nello Marrese
Direção Musical: Leandro Castilho
Assistente de Direção: Reiner Tenente e Pedro Pedruzzi
Produção executiva e administração: Ana Lelis
Designer gráfico e fotos: Victor Hugo Ceccato
Realização: Primeira Página Produções

Serviço:
Estreia para o público: 24 de junho
Temporada: 24 de junho a 28 de agosto
Local: Oi Futuro Flamengo – Rua Dois de dezembro, 63 – Flamengo
Horário: De quinta a domingo, às 20h
Ingressos: R$ 30,00
Tel bilheteria: 3131-3070
Gênero: Comédia dramática
Classificação: 12 anos
Duração: 100 minutos
Vendas Online: ingresso.com

O projeto A Reunificação das duas Coreias é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura e Lei  Estadual de Incentivo à Cultura – RJ – Secretaria Estadual de Cultura do RJ.

Conta com o Patrocínio Porto Seguro e Oi.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO