Holandesa radicada no Rio, Thera Regouin faz sua primeira individual na cidade, na Galeria CorMovimento, com a nova série “Escapando do Caos”

Abertura será no dia 20 de setembro, terça-feira, com 9 pinturas inéditas, em azul, e 21 obras de outros períodos

Foto: Mabel Arthou
Foto: Mabel Arthou

Após inúmeras exposições individuais em diferentes galerias e museus de cidades do mundo, a holandesa radicada no Rio Thera Regouin faz a sua primeira individual no Rio de Janeiro, com abertura no dia 20 de setembro, terça-feira, na Galeria CorMovimento,  apresentando nove pinturas inéditas, em azul, com grandes superfícies brancas em seu interior, da nova série “Escapando do caos”, e outras com 21 obras de diversos períodos, todos óleos sobre tela. A curadoria é da respeitada escritora, crítica e historiadora de arte Gloria Ferreira, que também escreveu o texto do novo catálogo de Thera Regouin. A mostra fica em cartaz até o dia 12 de novembro, sábado.

“As transparências desses brancos deixam aparecer camadas carregadas de tintas azuis ou de outras cores como vermelho e amarelo, frutos do processo de preparação da tela e de uma pintura, características da artista. Em toda sua pintura estão presentes linhas, qual sulcos, contornando ou criando espaços.”, explica a curadora Glória Ferreira.

Thera Regouin deixou a pintura figurativa no curso de seus estudos para abraçar o universo do abstrato. Nestas composições abstratas, às vezes, planos urbanos ou paisagens parecem esconder-se. “Meu desejo é expor, através da expressão abstrata, uma realidade que é para mim mais pura e mais real do que qualquer resultado ao qual eu possa chegar através da representação figurativa”, analisa.

Nessas pinturas azuis, as linhas contornam quase por inteiro essas superfícies interiores, deixando, no entanto, espaços para a respiração; delimitam espaços e se misturam com o próprio campo pictórico como matéria.”Tal como a crosta da terra a explodir, a tinta cobre a tela e não raro o espectador tem a impressão que a história geológica das pinturas seria guardada num registro momentâneo que está longe de  acabar”, analisa Moritz Wullen, historiador de arte e diretor da Biblioteca de Arte dos museus de Berlim.

Segundo Gloria Ferreira, no trabalho de Thera Regouin, as bordas parecem tentativas de incorporar a moldura à própria pintura, em diálogo com a longa tradição de ruptura que podemos remontar aos impressionistas; ou a Seurat, com suas molduras pintadas de acordo com a luz desejada. Ou ainda ao início do século XX, em especial em Mondrian, mas também em Lygia Clark e outros.  Nas telas de Thera, as ‘molduras’ são igualmente constituídas pelas finas camadas de tinta colocadas sobre outras finas camadas, com as pinceladas visíveis em suas pinturas azuis. Molduras que, ao mesmo tempo, expandem a pintura para o espaço, sem deixar, contudo, de servir de proteção para as grandes áreas brancas do seu interior.

“Já nas pinturas quase monocromáticas, as texturas fazem as composições em cores telúricas emitirem energias luminosas”, analisa Gloria Ferreira.

O Dr. Axel Rüger, diretor do Museu Van Gogh de Amsterdam, no seu discurso de abertura da exposição de Thera Regouin na galeria da Sotheby’s de Amsterdam, em 2010, analisou:  “E por fim, algo que me toca – sendo o diretor do Museu Van Gogh e lembrando que Vincent van Gogh foi um dos artistas que também lidou com a textura da tinta – eu acho que nas pinturas de Thera, possivelmente, de uma maneira mais tímida, nós podemos também ver – este é uma palavra grandiosa – aquela qualidade táctil, aquela linda estrutura de superficie que é tão instigante e que acrescenta uma dimensão adicional à experiência  (…de mergulhar nestas obras)”.

Foto: Mabel Arthou
Foto: Mabel Arthou

A artista

Thera Regouin nasceu  em Cuyk aan den Maas, nos Países Baixos, e tem vivido meio nômade, por circunstâncias de vida (marido diplomata), em diversas cidades do mundo, como Paris, Bucareste, Nova York, Genebra, Brasília, Washington, Paramaribo, Montevidéu, Berlim e Haia. Desde 2013, estabeleceu-se no Rio, aonde mora e mantém ateliê em Copacabana, a poucos metros da praia.

Sua pintura reverbera todos esses lugares pelos quais passou.  “A interpretação do meu sentimento sobre certo lugar, como início de uma pintura, pode evocar associações com espaços particulares. Ou com o passado. Alguma coisa, uma linha, um espaço observado pode funcionar como um gatilho de reconhecimento e de reminiscência. Procuro traduzir emoção e raciocínio por meio do poder da cor e da forma em uma linguagem visual, como se eu tivesse que criar uma ordem dentro do caos, não como uma fuga da realidade, mas como um reflexo do mundo ao redor mais despojado e profundo”, explica Thera.

A artista estudou na Corcoran School of Art, em Washington,  e na Art Students League, em Nova York, entre 1988 e 1992. e teve aulas em ateliês nas várias cidades aonde morou. Em Montevidéu, estudou, intensivamente, por quatro anos, nas master classes de Guillermo Fernández (1928-2007), o importante artista uruguaio e  representante influente da Escuela del Sur do grande artista Joaquim Torres Garcia.

Os quadros de Thera fazem parte de diversos acervos importantes, pelo mundo, como os de Erich Marx e Egídio Marzona, dois dos maiores colecionadores europeus, cujas coleções se encontram, entre outros lugares, no Museu Hamburger Bahnhof de Arte Contemporânea, em Berlim.

Exposições individuais

2016  Galeria CorMovimento Rio de Janeiro
2013  Museum Jan van der Togt, Amstelveen
2010  Galerie Serieuze Zaken Studioos, Amsterdam
2010  Sotheby’s, Amsterdam
2009  Galerie Artana, Haia
2008  Instituto Cervantes, São Paulo
2007  Casa Thomas Jefferson, Brasilia
2005  Haus am Lützowplatz, Berlim
2005  Galerie François Mansart, Paris
2004  Gutshaus Steglitz, Berlim
2001  Palacio Santos, Montevidéu

Galeria CorMovimento
http://www.galeriacormovimento.com.br/
Rua General Urquiza 67 loja 7 – Leblon   
Tel: 21 2239 5693
Visitação: de segunda-feira a sábado, das 13h às 18h
De 20 de setembro, terça-feira, a 12 de novembro, sábado

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