Foto: Janderson Pires
Foto: Janderson Pires

Alexandre Lino estreou no último dia 8 de julho o monólogo Lady Christiny, com direção de Maria Maya. A peça fica em cartaz de sexta a domingo às 19h no Sesc Tijuca (Teatro II), até o dia 31 de julho.

“Quando eu ia imaginar que eu, Celso Marques, pai de dois filhos, iria me transformar em Lady Christiny? Durante minha transformação me perguntaram que tipo de mulher eu gostaria de ser? Eu respondi. Eu sempre quis ser tipo mãe de família. Da minha família. Hoje eu entendo uma mulher mais do que qualquer pessoa. Eu sei o que ela sente quando perde o homem que ela ama, eu sei o que uma mulher sente quando é desprezada pelo homem que ela ama, eu sei o que uma mulher sente quando sente solidão. Se hoje eu de repente mudasse e voltasse a ser o Celso, a mulher que vivesse comigo seria plenamente feliz. ”

foto: Janderson Pires
foto: Janderson Pires

Interpretado por Alexandre Lino, com texto de Daniel Porto e direção de Maria Maya, o monólogo tem como base o documentário homônimo e as próprias histórias do ator em diálogo com essa personagem desde o primeiro contato.  A equipe de profissionais que compuseram a ficha técnica do bem-sucedido “O Pastor” se encontra novamente, criando um eco entre o sagrado e o profano. A Documental Cia. surge com o espetáculo Domésticas (2012) e seguiu trajetória com O Pastor (2013), Acabou o Pó (2014), Nordestinos (2015) e Volúpia da Cegueira (2016). Em Lady Christiny, assume a ampliação do pacto com o real numa criação metalinguística potencializada pelo olhar íntimo e confessional de duas realidades e uma ficção.

“Estive muito próximo a Lady Christiny em 1992 (pela TV) depois em 1995 (primeiro encontro) e em 2005 quando dirigi nosso documentário. E todos os momentos em que estivemos juntos, percebi um lugar de pertencimento naquela realidade, que não era a minha, mas me transportava para lugares muito mais profundos. Evocá-la no palco é a conclusão desse encontro infinito e que só a arte documental poderia proporcionar por seu pacto com a verdade” –  Diz Alexandre Lino.

Contar a história de Lady Christiny, num momento em que se discutem bravamente as questões de gênero e a configuração da nova família é oportuno. O acontecimento de Orlando nos EUA e as declarações homofóbicas de personalidades no Brasil, não deixam dúvidas de que precisamos falar sobre o assunto. Uma travesti que nunca se prostituiu, com uma visão conservadora da vida e que, mesmo mantendo uma conduta séria e respeitável e sendo bem-sucedida profissionalmente, não deixou de enfrentar as discriminações e as dores de uma opção de vida da qual, segundo ela, não há volta.

A peça mistura realidade, ficção e cinema. No que o autor e diretora partem do princípio do teatro do pertencimento. Local onde realidade e ficção se misturam e se confrontam em cena, rompendo a dramaturgia convencional e propondo ao espectador a provocação pelo discurso. Onde o público será convidado e estimulado a fazer perguntas ao personagem (ator). Um encontro com o Teatro do Pertencimento.

FICHA TÉCNICA

Texto: Daniel Porto
Direção: Maria Maya
Elenco: Alexandre Lino
Iluminação: Renato Machado
Direção de Arte: Tatiana Brescia
Programação Visual: Guilherme Lopes Moura
Fotografia: Janderson Pires
Webdesign: Mariana Martins
Videografismo e Assessoria geral: Renato Krueger
Produção Executiva: Equipe Cineteatro Produções
Preparação Vocal: Gina Martins
Realização: SESC
Idealização e Direção de Produção: Alexandre Lino
Um projeto da Documental Cia.

SERVIÇO

Lady Christiny

Estreia: 8 de julho de 2016
Local: Teatro Sesc  Tijuca- Teatro II
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca – Telefone: (21) 3238-2167
Capacidade: 50 Lugares
Preço: R$ 8,00 (Inteira) –R$ 4,00 (Meia) – R$ 2,00 (Associados Sesc)
Temporada: De 8 a 31 de julho
Horários: De sexta a domingo – 19h
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos

DEIXE UM COMENTÁRIO