Hilda e Freud, de Antonio Quinet e direção dele e Regina Miranda, estreia dia 21 de novembro, na Cidade das Artes

O espetáculo, que já realizou duas temporadas em Londres (no Freud Museum) e uma em Buenos Aires, faz um mergulho no onírico mundo da poeta Hilda Doolittle, representada por Bel Kutner, durante sua análise com Freud na época do nazismo

Hilda e Freud44 - Antônio Quinet e Bel Kutner (foto: Flávio Colker)
Hilda e Freud44 - Antônio Quinet e Bel Kutner (foto: Flávio Colker)

A análise da poeta Hilda Doolittle com Sigmund Freud na Viena dos anos 30, compõe um dos mais importantes testemunhos sobre a prática da psicanálise efetuada por seu fundador. Durante a ascensão do nazismo, Hilda expõe com detalhes seus encontros no consultório do pai da psicanálise, onde se despe de qualquer censura para reviver seu conturbado passado que resultou em um bloqueio literário. A vida de uma mulher à frente de seu tempo, dona de um percurso marcado pelos traumas deixados durante a I Guerra Mundial, seus medos, amores, lutas, sonhos e alucinações suscitam em seu analista intervenções geniais que mudam a vida da escritora, além de fortalecer uma relação de forte amizade entre os dois.

Dia 21 de novembro de 2015, às 20h, estreia o espetáculo  Hilda e Freud, de Antonio Quinet, com direção dele e Regina Miranda, na sala Eletroacústica da Cidade das Artes. Segundo o psicanalista (autor, diretor e ator)  Antonio Quinet, “As pessoas vão ver um Freud em ação de uma forma inimaginável através da visão de uma paciente, e não de seus próprios relatos”. A convite do Freud Museum, duas temporadas do espetáculo foram apresentadas, uma em 2013 e uma em 2015, em Londres, quando do lançamento do livro da peça em inglês. Em agosto deste ano, Hilda e Freud também passou pela cidade de Buenos Aires, na Argentina. Nas apresentações internacionais, Quinet contou com atrizes convidadas. Para a estreia nacional, ele chamou a atriz Bel Kutner, que se encantou imediatamente com o projeto. “Há um ano o Antonio me procurou e surgiu uma vontade de trabalharmos juntos. Depois de outros textos de sua autoria ele me apresentou Hilda e Freud e eu fiquei alucinada. Hilda era uma mulher muito sensível, que passou por coisas tenebrosas e buscou sua salvação na arte, na poesia e na psicanálise, numa época que a psicanálise estava florescendo, enquanto o mundo se deteriorava por conta das guerras. Ela pertenceu à nata da intelectualidade inglesa, e, nos anos 70, depois de sua morte, foi transformada num ícone do universo feminista por assumir em vida sua veia artística e sua bissexualidade. Uma guerreira que sobreviveu através de sua arte e sua história”.

Baseada nos escritos e na correspondência de Hilda Doolittle (1886-1961), os espectadores assistem à trajetória e aos conflitos dessa delicada escritora e sua relação de amor em versos livres, definição de sua relação com seu psicanalista. Com uma vida afetiva libertária e tumultuada, de uma sensibilidade extrema e melancólica, H.D. fez algumas tentativas de análise até chegar ao divã de Freud. Em março de 1933, desembarcou em Viena e instalou-se num hotel para sessões diárias no divã em que fez sua “grande viagem” com o Professor, o “médico irrepreensível”.

Durante esse período escreveu o diário de sua análise, com sonhos, associações, devaneios e intervenções de Freud. O relato, chamado por ela de Advento, é intenso, emocionante e em carne viva. Ela com 47 anos e ele com 77 anos iniciaram uma relação – primeiro analítica e depois de amizade – que durou até o final da vida de Freud. Em 1944, H.D. reescreveu sua experiência analítica em forma de breves capítulos, uma prosa poética em que, mesclando sonhos, realidade e imaginação, traz a narrativa reinterpretada dessa análise como um grande tributo amoroso a Freud. Neste texto, Escrito na parede, transformou uma experiência alucinatória enigmática no eixo de sua análise, mostrando Freud como um “curador de um grande museu arqueológico”, que é ao mesmo tempo o consultório e seu inconsciente. Ambos os textos compõem o livro Tribute to Freud, constituindo um testemunho, dentre os mais importantes de seus pacientes, sobre a prática da psicanálise por seu fundador.

A peça mescla uma linguagem poética e erudita com projeções contemporâneas que ambientam o expectador na imaginação e no inconsciente dos personagens. A direção de arte e cenografia assinadas por Analu Prestes, transportam o público para o poder evocador dos versos e das imagens poéticas do universo imaginista (movimento literário inglês) do qual Hilda Doolittle foi o símbolo. A produção dá continuidade à pesquisa “Teatro e psicanálise”, desenvolvida por Antonio Quinet no âmbito do mestrado e doutorado da Universidade Veiga de Almeida, na qual pretende transmitir a psicanálise através do teatro, e assim levar ao público, artisticamente, as descobertas da do inconsciente. Aos domingos, após as apresentações, os atores farão debates com mestres da psicanálise e artistas do mundo teatral.

Hilda e Freud é também resultado de uma bem-sucedida parceria entre Quinet e Regina Miranda. Ambos uniram o pensamento coreográfico teatral com o pensamento da psicologia do teatro em movimento. “Nós temos uma longa história juntos. Em quase dez anos de parceria, descobrimos que compartilhávamos dos mesmos objetivos. Foi gerada uma confiança mútua. Um desejo de tornar público um conhecimento pela via estética”, reflete Regina. Assim como Antonio Quinet, a diretora, conhecida internacionalmente como uma das mais conceituadas coreógrafas e gestoras culturais, sempre nutriu a vontade de disseminar a psicologia através da arte. “Somos complementares. Temos visões distintas sobre a mesma coisa: a subjetividade. Por isso nosso diálogo é muito rico”, conclui. 

Hilda e Freud44 - Antônio Quinet e Bel Kutner (foto: Flávio Colker)
Hilda e Freud44 – Antônio Quinet e Bel Kutner (foto: Flávio Colker)

 

Sinopse
Análise da poeta Hilda Doolittle com Sigmund Freud na Viena dos anos 30 durante a ascensão do nazismo. O público mergulha no mundo onírico da escritora e acompanha as intervenções geniais do inventor da psicanálise. Uma “relação de amor em versos livres”. 

Cia. Inconsciente em Cena
Fundada por Antonio Quinet em 2007 a Cia. Inconsciente em Cena cria e apresenta seus espetáculos baseados em pesquisas sobre a relação do teatro com a psicanálise junto ao Mestrado de Psicanálise, Saúde e Sociedade da UVA (apoiado pela Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano), com o objetivo de trazer ao grande público numa linguagem teatral as descobertas da psicanálise. As peças da Cia. Inconsciente em Cena já foram apresentadas nas principais capitais do país e também em Roma, Paris, Londres e Buenos Aires.

Antonio Quinet
Psicanalista (Membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano) e Doutor em filosofia (Université Paris VIII – orientação de Alain Badiou). Tradutor de Lacan no Brasil e professor do mestrado e Doutorado em psicanálise, Saúde e Sociedade (UVA) onde desenvolve a pesquisa Teatro e Psicanálise. Dramaturgo e diretor da Cia. Inconsciente em Cena e autor de 8 livros de psicanálise e 6 peças de teatro. Escreveu e dirigiu as peças “X,Y e S – o teatro íntimo de Strimberg”, “Artorquato” e “Óidipous, filho de Laios”. Encenou em Roma, “O sintoma – variações freudianas 1”, em Paris “La Leçon de Charcot – théatre hystérique” e em Londres “Hilda & Freud – collected words”, que escreveu, dirigiu e atuou.  

Bel Kutner
A atriz já participou de mais de vinte espetáculos teatrais, como “Oportunidade Rara”, de Hamilton Vaz Pereira, “Histórias de Amor Líquido”, dirigida por Paulo José e “Tio Vânia”, de Tchecov e direção de Aderbal Freire-Filho. Na TV, trabalhou em novelas e minisséries, como “Começar de Novo”, “A Favorita”, “O Astro”, “Amor à Vida” e “Verdades Secretas”. Diretora premiada, esteve à frente da direção de “Maratona de NY” e “O Conto da Ilha Desconhecida”, de José Saramago.

Regina Miranda
Diretora-fundadora da Cia. Regina Miranda e AtoresBailarinos, Regina Miranda, é premiada coreógrafa e gestora cultural com bacharelado em teoria da dança (State University of New York), pós-graduação em Análise de Movimento (Laban/Bartenieff Institute – NY) e mestrado em Ciências, com foco em Liderança Cultural (Ken Blanchard School of Business/Grand Canyon University). A Cia. criada em 1980, insere-se na tradição estética labaniana, que confere primazia à qualidade emocional e multiplicidade de sentidos gerada pelo gesto. Regina criou e dirigiu mais de 40 espetáculos de teatro, dança e performance. Em seu trabalho cênico, busca realizar performances instigantes, apresentadas em teatros, galerias de arte e numerosos espaços não convencionais. Na direção geral e artística da Companhia, Regina conta com a colaboração do Núcleo de Criação formado por Adriana Bonfatti, Ana Bevilaqua, Marina Salomon, todas com mais de 20 anos de trabalho com a diretora/coreógrafa. Entre os muitos trabalhos criados pela coreógrafa para a companhia citamos: Heliogábalo, Encontros e partidas, Sonata nº7, Duplos Sentimentos, Salão de Danças, Paralelos Naturais, Curto Circuito, Suíte de Tangos,  A Divina Comédia – MAM, A Desordem, Moosbrugger Dances, Restos de Carnaval em Copacabana, Rua Alice 75, Vertigo, Orfeu, Geografias Pessoais, Klein e Clark: Práticas de Liberdade, Manuscritos de Leonardo e Vertigem das Listas. Desde sua criação, a Cia., que completa 35 anos, recebeu inúmeros prêmios nacionais e internacionais, sendo os mais recentes em 2013, quando recebeu o Prêmio da Prefeitura do Rio para a manutenção de suas atividades e em 2014, quando recebeu da FUNARTE o Premio de Artes na Rua.

FICHA TÉCNICA
Texto: Antonio Quinet
Elenco: Bel Kutner e Antonio Quinet
Direção: Antonio Quinet e Regina Miranda
Direção de arte e cenografia: Analu Prestes
Videocenografia: Mídias Organizadas
Iluminação: Fernanda Mantovani e Tiago Mantovani
Trilha Sonora: Regina Miranda sobre a obra de Rodolfo Caesar
Figurino: Beto de Abreu
Visagismo: Uirande Holanda
Preparação vocal: Rose Gonçalves
Fotografia: Flavio Colker
Programação visual: Mary Paz
Assessoria de imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação
Comunicação em mídias sociais: Radha Barcelos
Direção de produção: Alice Cavalcante e Conrado Lima – Sábios Projetos
Assistência de produção: Luísa Reis e Marcio Vigna
Co-produção: Sábios Projetos e Atos e Divãs  
Realização: Cia Inconsciente em Cena  

Serviço
Espetáculo: Hilda e Freud
Estreia: 21 de novembro
Temporada até 20 de dezembro
Horário: Sábados, às 20h e domingos, às 19h
Local: Cidade das Artes – Sala Eletroacústica (Av. das Américas, 5300, Barra)
Bilheteria: ter a dom de 13h às 19h. Em dias de espetáculo de 13h até 30 min antes do início do espetáculo
Ingressos: R$60,00 (inteira) / R$30,00 (meia)
Duração: 60 minutos
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Capacidade do Teatro: 80 lugares

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