Graffiteira Panmela Castro abre em julho exposição inédita sobre o mito “Eva”

Evento acontece de 7 de julho a 19 de agosto, na Galeria Scenarium, na Lapa, com dezenas de obras multimídias

Depois de expor sua trajetória através de uma série fotográfica no Espaço Furnas Cultural, a artista Panmela Castro abre um julho uma exposição inédita, na Galeria Scenarium, na Lapa. Baseada em uma pesquisa realizada desde 2010 a respeito da mulher e a transgressão, “Eva” apresenta 14 obras em spray e óleo sobre tela, que retratam a figura deste mito feminino sob diversas perspectivas. A exposição conta ainda com desenhos, aquarelas, fotos, vídeo e uma instalação que seguem a temática central do trabalho de Panmela, focado no gênero e no corpo feminino. O evento acontece de 7 de julho a 19 de agosto, com entrada franca. No dia da abertura, a artista fará um happening onde convidará o público a interagir com sua obra.

Panmela Castro descobriu seu ofício nas ruas. Foi desafiando os espaços e tabus do universo da pichação que ela se enveredou no mundo das artes e hoje, dez anos depois, tem trabalhos espalhados por diversos países do mundo. Durante esse tempo, o corpo e o gênero feminino foram seus objetos de estudo e também de autoconhecimento. Pintar nas ruas não era algo fácil e comum para uma mulher e nesse processo de criação e autoafirmação foram surgindo diversos personagens femininos, que até hoje permeiam sua obra como um todo. Eva é uma delas.

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O ponto de partida da série “Eva” é a visão do pecado como uma transgressão necessária e um caminho para a libertação. Ao morder a maçã, o fruto proibido, Eva estava dando início ao seu processo de afirmação, mas não como a mulher santa e submissa e sim como a que deseja mudar as regras do jogo. Até hoje, as mulheres ainda precisam quebrar tabus e o ato transgressor de Eva foi apenas o pontapé inicial desta história. “No mito, Eva foi quem mordeu a maçã e desvirtuou os seres dando espaço à construção da sociedade contemporânea . O meu caminhar na cidade como pichadora se assemelha à esta transgressão de Eva: a mulher que não obedece. Mas  o prazer de transgredir aqui é sinônimo de liberdade”, explica Panmela.

Traduzindo de forma direta, a ideia da série é mostrar que a mulher por ora subjugada ou vitima de violência (seja moral ou física) é aquela que desobedece para tornar-se livre e não pelo simples ato de transgredir. “A mordida de Eva é a representação simbólica desse impulso transgressor da mulher. No entanto, metáforas aqui não são bem-vindas, pois a arte é subjetiva e o objetivo é fazer sentir e não passar uma mensagem única e direta”, completa a artista.

Para a exposição, foram selecionadas 14 pinturas de spray e óleo sobre tela em tamanhos variados. Para que o público entenda um pouco mais sobre o processo de criação e de pesquisa, além das peças principais, também estarão expostos 10 pequenas aquarelas e 10 pequenos desenhos de grafite (que foram usados como croquis das obras principais em telas e murais), além de fotos de alguns painéis criados pela artista mundo afora. O evento conta ainda com cinco obras fotográficas da série “Eat Art”, em que Panmela se apropria de corpos masculinos através de pintura, uma instalação criada em analogia a maçã e o pecado, além de um videoarte, que mostra este processo da mulher ir para o espaço publico e interagir com a cidade: a alteridade. 

SERVIÇO

Exposição “EVA” – Panmela Castro
Data: 7 de julho a 19 de agosto
Galeria Scenarium (Rua do Lavradio, nº 15, Centro Antigo, Rio de Janeiro).
Funcionamento – terça à sábado, 13h às 19h.
Contato |Tel 21 2252-9138
Entrada Franca
Livre

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