Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical O poeta, a canção e o tempo

Depois do grande sucesso na capital paulista, chega ao Rio de Janeiro o espetáculo em comemoração aos 50 anos de carreira de um dos maiores cantores e compositores da música popular brasileira.

Gilberto Gil - Aquele Abraço
Gilberto Gil - Aquele Abraço

A tríade “O poeta, a canção e o tempo” conduz um musical que abraça uma carreira consagrada. Depois de ter sido visto e elogiado pelo público paulista, o espetáculo chega em terras cariocas para mais uma temporada de apresentações que homenageiam os 50 anos de carreira de um dos maiores ícones da música brasileira. Através de sua própria obra, ora falada, ora cantada por oito atores músicos multi-instrumentistas, “Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical” lança um olhar contemporâneo às canções do artista, que refletem sobre seu tempo, a história da música nacional e do próprio país.

Na dramaturgia e direção geral, o premiado Gustavo Gasparani – que estudou todas as letras, ouviu todos os discos e leu todos os livros publicados sobre Gilberto Gil antes de finalmente conceber esta homenagem – cuidou de trazer para o espetáculo o lugar de risco e ousadia presente na carreira do compositor, sem deixar de lado a delicadeza que sempre o acompanhou. O resultado é uma montanha russa de emoções que podem ser sentidas pelo público durante toda a apresentação, em um musical único e imperdível.

Ao longo do espetáculo, as letras tantos anos cantadas por Gil mostram, além de poesia, seu lado teatral. São elas que dão o tom dramatúrgico de 11 blocos temáticos que passeiam pela sua origem musical, o movimento tropicalista, a negritude, amor, religiosidade, tecnologia, futurismo, entre outros assuntos que marcam as composições deste ícone da MPB. Em todos eles, “vida e morte” estão inseridas como dupla central e indispensável, tal qual Gil fez em toda sua trajetória.

“Eu soube que a música era minha linguagem, mesmo. Que a música ia me levar a conhecer o mundo, ia me levar a outras terras. Por que eu achava que tinha a música da terra e a música do céu.” (Gilberto Gil)

As canções em sua forma original, com todos os arranjos, tons e semitons, também não ficam de fora. Ao todo, 55 músicas são cantadas total ou parcialmente pelos atores/músicos, que tocam 39 diferentes tipos de instrumentos em cena. Projeções em vídeo trazem o lado multimídia para o palco, ajudando a ambientar os momentos retratados.

Para deixar o espetáculo ainda mais sensorial, os atores narram em cena depoimentos pessoais sobre a influência da obra do compositor em sua carreira e vida pessoal. Esses trechos são os únicos que não pertencem às letras de músicas de Gil e, entrelaçados ao texto do musical, misturam ficção e realidade e mostram como as produções do artista dialogam com a vida de tantas pessoas.

Um time que deu certo
O musical é estrelado por oito atores/músicos que dividem a missão de interpretar, cantar, tocar e dançar, conduzindo eles mesmos todos os movimentos de cena. Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima e Rodrigo Lima trabalharam juntos pela primeira vez no espetáculo “Samba Futebol Clube” – que estreou em 2013 também sob a direção de Gustavo Gasparani –  e foram reunidos novamente pelo diretor para esse projeto.

O entrosamento do elenco foi imediato e rendeu ao “Samba Futebol Clube” doze indicações aos prêmios Shell e Cesgranrio 2014, sete na primeira edição do Prêmio Reverência de Teatro e seis no 9º Prêmio APTR, entre outros. “São oito atores, mas sempre teve um nono elemento que é a nossa sinergia. Isso chegava às pessoas no ‘Samba Futebol Clube’ e fazia com que elas gostassem. E a gente imagina que no Gil vai ser ainda melhor, porque é uma obra muito rica”, conta o ator Alan Rocha.

Depois de três anos, a parceria entre os atores e também com a equipe criativa é a chave para o sucesso nos palcos e nos bastidores. “Nosso elenco é um grupo muito unido, com quem tenho muito prazer em trabalhar. Todos os criativos também são uma equipe de pessoas muito próximas, o que resulta num processo concentrado e respeitoso”, relata Cristiano Gualda.

O ator Luiz Nicolau acrescenta que a harmonia entre eles não se encontra em qualquer espetáculo: “Como os oito tocam, cantam, dançam e interpretam surgiu um clima de banda, que é mais do que apenas de um elenco”.

Para Jonas Hammar, a cumplicidade foi o diferencial para que eles começassem a composição de “Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical” com mais facilidade. “Começamos esse musical muito mais soltos e muito mais criativos. Ficamos tão à vontade que não paramos de criar coisas! Às vezes é preciso segurar as rédeas e o Gasparani é muito bom nisso”, se diverte.

Nesse espetáculo os atores/músicos também fizeram as vezes de autores e emprestaram ao texto relatos sobre a identificação pessoal com a obra de Gilberto Gil. Para Rodrigo Lima, esse é um dos grandes privilégios de estar no musical. “Eu falo em cena que meu pai ouvia muito o ‘Refazenda’, minha mãe me levou a muitos shows e, como violonista, sempre observei o modo como o Gil transformava o violão em um berimbau, com um swing que é só dele”, revela.

Já o ator Pedro Lima trata a participação no processo de construção do musical como uma revisita ao seu modo de ver o mundo. “Eu fui forçado a ouvir as letras do Gil despregadas da canção, da melodia. E o cara é danado! Ele encheu minha cabeça de minhoca, me fertilizou, cavucou, e agora eu estou brotando com um novo olhar para o mundo”, explica.

No período dos ensaios, o grupo precisou mergulhar profundamente nos 50 anos de trajetória musical de Gil para conceber uma peça completa, na forma de uma grande homenagem. Gabriel Manita faz um balanço dessa caminhada: “Foi um trabalho intenso. Tiveram muitas músicas para a gente aprender, tocar e reproduzir com arranjos diferentes, com a nossa pegada e na nossa identidade”.

E não faltam elogios do elenco ao mestre Gilberto Gil. “Eu acho que ele é mais do que um artista, é um guru que veio a esse mundo para trazer mensagens muito profundas, sublimes. E eu me sinto como um mensageiro nessa peça. É muito orgulho e, ao mesmo tempo, muita responsabilidade fazer parte dessa missão”, afirma Daniel Carneiro.

A equipe criativa
No comando de uma equipe em total sintonia está o premiado Gustavo Gasparani. Com mais de 30 anos de carreira como ator, diretor e autor, ele foi o primeiro a embarcar nesse projeto, em outubro de 2015, já com uma missão dada pelo próprio homenageado: preparar um musical que não fosse biográfico.

No processo de criação, uma tríade de palavras norteou o roteiro escrito pelo autor: “Ao estudar a obra do Gil, uma frase se firmou – ‘O poeta, a canção e o tempo’. Porque apesar de muitas músicas terem sido compostas nas décadas de 60 e 70, elas são completamente atuais e apontam para o futuro de forma visionária”, ressalta. E completa: “Esse musical é uma colcha de retalhos de músicas que contam a história da obra do compositor e de como ela afeta e influencia a vida de todos nós. Ficção e realidade se confundem no texto”.

Em um espetáculo com tantas canções, a direção musical tem papel de destaque na construção de uma apresentação coesa e bem estruturada. Nessa tarefa, o diretor musical Nando Duarte trabalhou em conjunto com Gasparani – e também ouvindo as sugestões do elenco – para decidir o melhor repertório. O trabalho dá continuidade a uma parceria que já existe há 20 anos entre os diretores. “Nem todos os atores são músicos profissionais, mas todos levam jeito, conseguem estudar um instrumento e aprender rápido. Foi um desafio traduzir a musicalidade do Gil para um elenco tocando, interpretando, cantando e dançando ao mesmo tempo. Precisava ser simples e funcionar no palco. O resultado final é incrível”, comemora Nando.

Permeando toda a atividade cênica, a coreografia está presente do início ao fim do musical. O diretor de movimento e coreógrafo Renato Vieira, que já trabalhou com os atores em “Samba Futebol Clube”, conta que seu trabalho nesse espetáculo honra as raízes brasileiras tão presentes na musicalidade do homenageado: “Tenho uma identificação muito forte com as músicas, sei todas de cor e vivi isso de maneira intensa durante o surgimento do tropicalismo. Gilberto Gil tem uma coisa de passado, presente e futuro em sua obra e esse futuro está na contemporaneidade do movimento”.

Da mesma maneira, a cenografia de Helio Eichbauer – também responsável pelos cenários dos shows de Gilberto Gil – remete à brasilidade e cria um ambiente adaptável a qualquer teatro, como explica a cenógrafa assistente e produtora de cenografia, Marieta Spada. “Ele trouxe várias referências para o projeto, como as do pintor Rubem Valentim e do fotógrafo Pierre Verger. É um cenário que pensa em um musical que vai viajar e se deslocar pelo país. Faz referência à natureza, com bambus e um fundo azul formando a linha do horizonte. E tem uma cruz assimétrica de led, onde cenas da vida do Gil e outras projeções são passadas durante o espetáculo”, destaca.

O trabalho de iluminação é feito em união à movimentação do elenco, direcionando a atenção da plateia às múltiplas ações que acontecem ao mesmo tempo no palco. “A luz tem uma variedade e possibilidades de movimento e utilização do espaço muito grandes, porque as coisas acontecem simultaneamente no palco. A iluminação acaba misturando a luz de musical com a luz de show, a luz de cena teatral, as luzes dramáticas… Isso é muito rico”, detalha o iluminador Paulo Cesar Medeiros.

Do que depender do intenso e cuidadoso trabalho de toda a equipe, o público pode esperar nada menos do que um musical apaixonante: “Quis fazer um trabalho que fosse totalmente sensorial. É um espetáculo mais poético, diferente de tudo que já fiz. Espero que o público tenha a mesma experiência que a gente teve ao mergulhar no universo de Gilberto Gil”, vibra Gustavo Gasparani.

Números e Curiosidades

– 536 horas de ensaio durante os 3 meses de preparação

– 55 música cantadas e tocadas total ou parcialmente

– 39 músicas faladas em forma de texto

– 60 instrumentos, sendo 39 tipos diferentes

– 48 microfones

– Tudo é tocado unicamente pelos atores em cena

– Cada ator tem um único figurino composto por peças trabalhadas com tingimento e bordado

– O espetáculo é multimídia, com projeções em vídeo em elementos do cenário

– O autor e diretor Gustavo Gasparani estudou as letras, ouviu todas músicas e leu todos os 20 livros publicados sobre Gilberto Gil antes de escrever o musical

– Os únicos textos que não são letras de músicas do Gil são depoimentos pessoais dos atores

Blocos temáticos

  1. Abertura – O compositor me disse
  2. Impressões à beira do cais
  3. E o mar virou sertão
  4. Os anos de chumbo e a Tropicália
  5. A paz invadiu o meu coração
  6. Negritude e fé – a Refavela
  7. Negritude e fé – o canto dos orixás
  8. A raça humana – dois mil e Gil: uma odisseia no espaço
  9. O poeta, a canção e o tempo
  10. Refestança – Gil de todos os ritmos
  11. A lata do poeta – metáfora

Serviço:

Período: De 9 de junho a 14 de agosto de 2016

Horários: Quinta, 21h; Sexta, 21h; Sábado, 21h; Domingo, 20h

Local: Teatro Clara Nunes – Rua Marquês de São Vicente – Gávea  

Vendas:  Vendas na bilheteria do Teatro Clara Nunes, sem taxa de conveniência. Pela internet, no site www.ingresso.com, com taxa. Mais informações pelo telefone (21) 2511-0800.

Preços dos ingressos: de R$ 50,00 a R$ 120,00

Classificação: 12 anos

Ficha Técnica:
Autoria e Direção Geral: Gustavo Gasparani
Produção Geral: Sandro Chaim
Direção Musical e Arranjos: Nando Duarte
Direção de Movimento e Coreografia: Renato Vieira
Cenografia: Helio Eichbauer
Figurino: Marcelo Olinto
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Designer de Luz: Branco Ferreira
Videografismo: Thiago Stauffer / Studio Prime
Preparação e Arranjos Vocais: Maurício Detoni
Assistente de Direção: Pedro Rothe
Cenógrafa Assistente e Produtora de Cenografia: Marieta Spada
Assistente de Coreografia: Marluce Medeiros
Figurinista assistente e Produtor de Figurino: Almir França
Visagismo: Marcio Mello
Assistente de Iluminação: Darihel de Souza
Diretor Residente: Cristiano Gualda
Preparador Vocal: Pedro Lima
Diretor de Produção: Giba Ka
Gerente de Produção: Paula Rollo
Produção Executiva: Felipe Argollo
Assistente de Produção: Débora Rocha

Elenco: Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima, Rodrigo Lima

Produtores Associados: Sandro Chaim e Rose Dalney
Apresentado por: Ministério da Cultura
Patrocínio: Sulamérica, Sem Parar, Atlas Schindler e Movida
Apoio: Tozzini
Transportadora Oficial: Avianca Brasil
Realização: RGA Produções Culturais, Miniatura 9, Chaim Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal Pátria Educadora

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