Gabriel Geszti lança Coresz: uma aquarela multicultural ao piano

Reconhecido por tocar com nomes como Nana Vasconcelos, Mauro Senise e Paulinho da Viola, o pianista carioca lança seu segundo disco de inéditas

Capa - Arte: Clara Moreira
Capa - Arte: Clara Moreira

O mundo musical de Gabriel Geszti ganha ares de aquarela em seu novo álbum, Coresz! O pianista carioca – filho de mãe nordestina e pai húngaro – viaja em cenas, sensações e sentimentos que vão dos terreiros da Bahia ao Mali, com passagem pelos mercados de rua do Nepal, o universo mágico da cultura japonesa e a herança harmônica que recebeu da Europa Central.

O disco é o segundo de sua carreira autoral – após a estreia com Confluência (2010) – e inclui uma seleção de 13 composições do artista. O registro foi feito quase que integralmente ao vivo, em outubro de 2014, dando à obra um resultado bastante orgânico, com poucas intervenções de estúdio, e abrindo espaço para o improviso e a criação conjunta.

Diferente do anterior, em Coresz, Gabriel Geszti vem acompanhado por um trio base, formado por Pc Castilho (flauta e sax soprano), Antônio Neves (bateria) e Pedro Aune (bx acústico). Entre os convidados especiais, estão nomes como Gabriel Grossi (harmônica), Mauro Senise (sax), Kiko Horta (acordeon), Lui Coimbra (cello), entre outros. O registro, com algumas exceções, é assinado por Alexandre Hang, do estúdio DRUM, e tem masterização de Paulo Brandão, do BRand Estúdio. O projeto foi viabilizado por meio de financiamento coletivo, na plataforma Benfeitoria.

De família de músicos e formação clássica, Gabriel estuda piano desde os 8 anos, sendo licenciado em música pela Uni Rio. Aos 37 de idade, já soma 20 anos de carreira. Sua trajetória ao piano foi influenciada por figuras como o avô George Geszti, concertista húngaro, o tio Ian Guest, a pianista Aida Gnattali (irmã de Radamés Gnattali) e Estela Caldi, de quem foi aluno, além do pianista Rafael Vernet, que o introduziu ao piano popular.

Gabriel Geszti já dividiu palco com artistas como Naná Vasconcelos, em turnê nacional e internacional do disco Chegada (2005), Mauro Senise, Wanda Sá, tendo trabalhado também com Paulinho da Viola, Marcos Sacramento, Leila Pinheiro, Simone Guimaraes, Edu Kneip, Thiago Amud, Armando Lobo, Henrique Band, Dôdo Ferreira, Áurea Martins, Muiza Adnet, Mário Adnet, Mariana Baltar, entre outros.

Coresz

Gabriel Geszti (foto: Igor Grazzianno)
Gabriel Geszti (foto: Igor Grazzianno)

A marcante Bento Terra abre a seleção do novo álbum. Nela, Gabriel une paisagens sonoras de Benin, na África Ocidental, à tons do Nordeste brasileiro. A ponte musical entre o Brasil e sua matriz africana segue em Afoxé do José, mergulhada no balanço do ijexá e da musicalidade baiana – numa mistura pulsante embalada ao som dos metais.

A composição evidencia o caráter coletivo idealizado para o disco, com momentos de improviso e diferentes diálogos entre piano e a linha de baixo, que além de dar o ritmo, desenha a melodia acompanhados por trombone, sax barítono e o djembé.

Kahtmandu acalma o ímpeto vibrante do piano. Dá espaço a paletas harmônicas inspiradas na luminosidade do dia e da noite indiana – país onde começou a ser composta – e passagens em que o pianista visualiza os temperos e colorido do mercado da capital do Nepal.

De trem, como num expresso fantástico do oriente, desembarcamos em uma Velha Estação, diretamente no interior de Minas Gerais. A música é uma homenagem de Geszti “ao universo mágico” da música de Milton Nascimento, Toninho Horta e os demais companheiros do Clube da Esquina.

Mantra, única parceria do disco, composta com Pc Castilho, presta reverência aos pianistas africanos Ray Lema e Abdullah Ibrahim. A música se aproxima das levadas do pop africano, e conta com instrumentação do próprio Pc Castilho, no sax soprano, e com Gabriel Gabriel, sax alto, dialogando com o piano de Geszti.

O disco segue com Pantufa, um fox trot – ou “jazz vadio”, como Gabriel prefere chamar – inspirada nas traquinagens dos desenhos animados e suas bem-humoradas trilhas sonoras. Cores, música tema do novo álbum, toma como referência o cinema. Geszti a imaginou como a trilha de um filme, que abre envolta em mistérios, de tons graves, e caminha para uma bela e leve melodia.

A viagem por cenas e musicalidades que influenciaram a trajetória de Gabriel Geszti segue em Sem Você, música que remete às harmonias dos compositores russos, gravada em duo com o gaitista Gabriel Grossi; Tsuru (ave sagrada do Japão, símbolo de boa sorte), homenagem ao Japão e à cultura oriental e que é também um dos momentos ricos do improviso em estúdio, com piano baixo e bateria criando “como um só instrumento”; e Mali Mali, composta em Lisboa, inspiradas no batuque e na sonoridade marcante da música africana.

Encerrando o disco, temos ainda dois momentos inspirados de Gabriel: Segredo de Sara, música aberta por um improviso carregado de ancestralidade, desenvolvido em estúdio com piano e bateria; e Bairro de Fátima, tema em que Gabriel tocou livremente e gravou. Sem maiores pretensões, resultou em uma composição original. É o único piano solo do disco.

Fechando o álbum com leveza e brasilidade, o choro amaxixado Alegremente reverencia Chiquinha Gonzaga – pianista, também carioca, que já em fins do século XIX rompia barreiras ao se dedicar à música popular, em especial, aos ritmos de matriz africana. Os matizes sensíveis das Coresz de Geszti são resultado de afetos, geografias e tempos diversos da música global processados com personalidade, criatividade e virtuose ao piano.

Disco:

Coresz (2016)

De Gabriel Geszti

13 faixas, Independente

R$ 3

SHOW – GABRIEL GESZTI – Lançamento CD “Coresz”.  

DIA 15/09, QUINTA-FEIRA – 21 HORAS –  TEATRO SOLAR DE BOTAFOGO

RUA GENERAL POLIDORO, 180 – BOTAFOGO – RIO DE JANEIRO

TELEFONE: (21) 2543 5411

INGRESSOS: 20,00 (MEIA) E 40,00 (INTEIRA).

 

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