Film Comissions e o futuro da produção audiovisual em debate

Numa sala improvisada de auditório no Espaço Rio, do armazém 6 do Boulevard Olímpico, estiveram reunidos na quarta-feira (17/08), autoridades, cineastas, pesquisadores e realizadores do setor do audiovisual para um bate-papo sobre o potencial das Films Comissions e da Coprodução internacional para o estado do Rio de Janeiro. Em meio ao vaivém de turistas, visitantes e simplesmente curiosos que circulavam pelo local, o  “Encontro Audiovisual e Economia Criativa: Film Commission e Coprodução internacional“, promovido pela secretária de estado de cultura, permitiu um amplo debate com diretores como Tizuka Yamasaki e Emílio Domingos com a participação da Secretária de Estado de Cultura, Eva Doris Rosental; do diretor do Rio Criativo, Marcos André Carvalho; do Secretário Municipal do Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Barra do Piraí, Roberto Monzo  e o coordenador geral do Rio de Janeiro State Film Office, Felipe Lopes, além de demais profissionais e pesquisadores da área.

Uma das principais questões levantadas pelos realizadores foi a capacidade de desenvolvimento dos municípios da Região Metropolitana e do interior do estado do Rio por meio da produção audiovisual a partir do apoio de films comissions e outras iniciativas.

Na abertura, a secretária de estado de cultura destacou que os esforços da SEC estão direcionados para a ampliação da produção audiovisual com foco na união entre a indústria cinematográfica e as novas possibilidades da economia criativa.

“A SEC de cultura faz parte desse novo jeito de pensar em como a economia criativa pode auxiliar e servir de instrumento para articular quem faz cinema no estado. O que é importante é que todos os autores desses setores percebam a cultura como alavanca da economia. Ela não é dissociável desse desenvolvimento, e o que falta é sinergia entre esses atores”, avaliou Eva, que destacou também o trabalho da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e do Rio Criativo como agentes essenciais para a criação de oportunidades e redes articuladas entre os realizadores.

No primeiro painel, uma das vias dessa articulação foi apresentada por Marcos André, gerente-geral do Rio Criativo. André afirmou que o suporte oferecido por incubadoras vai além do apoio financeiro e também gera conhecimento e facilita o networking entre empresas que enfrentam o desafio de se estabelecer no mercado.

“É necessário ajudar essas empresas na incubadora, porque  é um espaço de suporte múltiplo de suporte de conhecimento, de apoio e de ferramentas e não só de dinheiro. É estratégico”, disse Marcos André.

A estratégia faz parte da atuação da Rio de Janeiro State Film Office, setor que integra a Superintendência do Audiovisual da SEC e é coordenada por Felipe Lopes. A Film Office, explicou Lopes, é um órgão de apoio essencial e estratégico para a promoção do setor audiovisual e que a coloca em contato com setores como o de Turismo e Gastronomia, por exemplo.

“Existem pessoas que estão realizando no interior do estado e integrar esses profissionais está dentro. O que a gente precisa fazer é olhar para o estado como um todo. A missão das Films Comissions é não só promover a cidade, mas sim estabelecer um intercâmbio permanente  e de integração no setor audiovisual, articulado, e com foco no desenvolvimento”, explicou Felipe.

A burocracia, explicou Ana Júlia Cury, assessora internacional da Agência Nacional do Cinema (Ancine), ainda é um dos entraves para as ações internacionais e para a plena cooperação plena entre os países nas produções audiovisuais. 

“A gente sente que essa aproximação está crescendo e há um interesse direto de outros países no nosso cinema, mas um tratado de coprodução pressupõe um nível de aproximação diplomática e até onde conheço ainda não há uma iniciativa. A Ancine toma parte, mas é uma conversa diplomática direta com o Itamaraty, porque uma coprodução não pressupõe só aporte financeiro, mas sim uma troca de técnica, de pessoal, de cultura, de tecnologia e know how específico do setor. A Ancine está aberta e reconhece as films comissions. Acho até que deveriam deve ser mais provocada por elas”, disse Ana Júlia.

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