Ficção e realidade em “Solos de memória”

Espetáculo em parceria com a obra da artista plástica Anna Bella Geiger leva espectadores a passearem pelo Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto até dia 22 de agosto com entrada franca

foto: Vitor Jorge
foto: Vitor Jorge

Quem pensa que teatro é apenas um palco à frente do público sentado na plateia vai se surpreender com o espetáculo “Solos de memória”, até o dia 22 de agosto, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, com ingressos gratuitos. O projeto é de uma certa companhia, grupo teatral surgido em 2006, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Em parceria com a obra da consagrada artista plástica Anna Bella Geiger em exposição na galeria do próprio local, o espetáculo é itinerante, ou seja, os espectadores passeiam pelo espaço e vão encontrando os atores em suas performances. A apresentação começa no foyer com o prólogo “A grande beleza”, apresentado por Gisela de Castro. Seguem-se os solos, um de cada vez. Na galeria 1, são três cenas: “Substantivo feminino”, com Daniel Chagas; “Peixe calmo”, com Marcéli Torquato; e “A bioquímica dos desejos”, novamente com Gisela. O público é, então, conduzido para o pátio do lado de fora do teatro, onde acontece a última cena – “Rio no mapa de Alverina a Claudia”, apresentada por Natasha Corbelino – que pretende abordar temas atuais, como a relação da cidade com os Jogos Olímpicos.

Entre memórias que misturam referências autobiográficas com outras alheias, inclusive da própria Anna Bella Geiger, os monólogos falam de assuntos diversos – como beleza amor, identidade, desejos, memória e permanência – e também de tons diferentes entre o dramático e o cômico. A responsável por dar unidade a tanta diversidade é a diretora e idealizadora do projeto, Morena Cattoni, para quem “estar vivo é acumular memórias”. A estrutura foi criada a partir da ideia de que cada ator também é autor de sua própria fala, produzindo um solo a partir de um depoimento íntimo que propõe uma investigação sobre o limite entre o público e o privado.

“Queríamos tensionar a relação de memória e ficção. As memórias não são apenas de fatos vividos, mas também memórias da cidade em que vivemos. Memórias que permeiam o imaginário coletivo”, explica Morena, que pensou na galeria como um espaço de provocação, “onde o espectador quer algo mais além de contemplar: quer seguir a obra, investigar os processos criativos que levaram o artista a construí-la”.

Sobre uma certa companhia
O grupo uma certa companhia nasceu em 2006 ainda dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com “Fragmentos de uma gaivota”, baseado na obra do dramaturgo Anton Tchekhov, Morena dirigiu os atores Daniel Chagas e Marcéli Torquato, no curso de Direção Teatral.

Em 2009, Morena dirige o romance “Como me tornei estúpido”, do contemporâneo francês Martin Page. Este romance-em-cena saiu da universidade e ganhou o concurso do Centro de Estudo Artístico Experimental (C.E.A.E.), organizado por Ana Kfouri, no Sesc Tijuca, com júri formado por João Fonseca e Fatima Saad. Participa ainda de ocupações em teatros da cidade, tais como Glauce Rocha.

Em 2010, uma certa companhia (então com o nome Dez em cena) ganha uma nova atriz, Natasha Corbelino e monta “Homens gordos de saia” do americano Nicky Silver. Esse espetáculo ganha o festival de teatro de Caxias, o Circuito Estadual das Artes e realiza temporada em diversos teatros do RJ.

Em 2014, uma certa companhia se junta a Gisela de Castro, Paula Sandroni e outros atores para encenar “As três irmãs” de Anton Tchekhov, ao ar livre no jardim do Casarão Austregésilo de Athayde, no Cosme Velho. Este espetáculo reestreou em junho de 2015 e em 2016.

Trabalho mais recente em repertório, o espetáculo “Solos de memória” estreou, ano passado, no Castelinho do Flamengo, onde ficou em cartaz entre agosto e outubro;passou por Brasília, em maio de 2016; e agora está de volta no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto.

Integram uma certa companhia: Morena Cattoni (diretora), Daniel Chagas, Gisela de Castro, Marcéli Torquato, Marcio Freitas e Natasha Corbelino.

Ficha técnica
Idealização e direção: Morena Cattoni
Texto e atuação: Daniel Chagas, Gisela de Castro, Marcéli Torquato, Karla Dalvi e Natasha Corbelino.
Colaboração artística: Marcio Freitas
Figurino: Luiza Marcier
Foto: Vitor Jorge
Iluminação, ambientação cenográfica e mídias sociais: uma certa companhia
Assistente de produção: Yuka Fuchigami
Direção de produção: Julio Augusto

Serviço

Espetáculo “Solos de memória”
Dias: De quarta a segunda-feira, até  22 de agosto
Horário: 18h
Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto
Endereço: Rua Humaitá, 163 – Humaitá, Rio de Janeiro – RJ,
Telefone:(21) 2535-3846
Ingressos: ENTRADA FRANCA
Reservas pelo email: solosdememoria@gmail.com
Capacidade: 20 espectadores por sessão
Duração: 70 minutos
Classificação: 12 anos 

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