Fernanda Young lança A mão esquerda de Vênus no Rio de Janeiro

Sessão de autógrafos acontece na próxima segunda-feira (9) no Shopping Leblon

DivulgaçãoFernanda Young não só tece palavras nos textos que escreve. Mais do que isso, a autora trava, no fluir criativo de seus poemas, um verdadeiro embate apaixonado com as palavras, que, segundo ela, a salvam de “uma agústia insustentável”. Fruto de um processo singular na obra da escritora, A Mão esquerda de Vênus, lançamento da Globo Livros, presenteia os leitores com seus versos íntimos, permeados por desenhos, anotações, fotografias e bordados além do projeto gráfico de Daniel Trench. Com 11 obras publicadas em uma trajetória literária de 20 anos, Young reúne novamente suas poesias em livro, o segundo do gênero após Dores do amor romântico.

A relação de Young com a poesia não é de hoje e tem um caráter especial em sua produção. Foi sua obsessão pela palavra, dita ou impressa no papel, que a levou a driblar sua antiga dificuldade de ler e compreender a escrita. “A língua portuguesa nunca me deixou desistir. Sou uma romancista que escreve roteiros, que atua caso precise contar uma história, mas que começou escrevendo poemas, na verdade, devido à dislexia”. Também por essa razão que o leitor encontrará, nas páginas do livro, essa devoção amorosa pela palavra e pela estrutura própria do poema.

“Poesia é mesmo uma estrutura cruel, visto que, se não conseguimos ler corretamente um poema, ele não fará sentido algum. Há versos que, sozinhos, contam páginas e páginas de uma história; outros encerram, na medida cirúrgica, exatamente o que querem dizer. É como se um romance coubesse ali”, afirma a autora, que reúne no livro poemas criados nos últimos dez anos.

Contudo, a ideia de A mão esquerda de Vênus nasce de um “encontro”. Há alguns anos, a escritora encontrou, em uma caixa cheia de livros de sua amiga Monica Figueiredo, um maço de cartas amarrado em uma fita de cetim. Em meio à biblioteca que criou para abrigar a doação de dezenas de livros da família Figueiredo, ela e sua irmã, Renata Young, descobrem cartas de amor instigantes e misteriosas de Laurinha, mãe de Monica, que as autorizou a seguir na leitura. Young acredita que a arrebatadora identificação com a autora daquelas cartas, tardiamente descobertas e escritas em lindos papéis finos, foi o elemento desencadeante do livro.

Revelada nas cartas e diários escritos por Laurinha desde a adolescência até antes de sua morte, aos 69 anos, a história de amor vivida pela amiga provocou em Young uma profusão de sentimentos e sensações que a artista eterniza em sua arte poética. “(…) Pelo que entendi, eles formaram um casal andarilho, ora proibidos, ora assumidos, apaixonados, etílicos. Ela, mais velha que ele; ele, às voltas com uma mulher cheia de manias – taurinices –, lenços, chapéus, pulseiras, músicas, poesias, batons, filhas, anéis, uísques, caixinhas, cartões postais. Acumuladora, contadora de histórias, escritora de diários”, afirma Young no prefácio do livro.

Com palavras cortantes, cruas, mas também com outras doces e românticas, Young fala, portanto, em A mão esquerda de Vênus, do sentimento de amor. O amor em sua maior potência. Seu poder de seduzir e de destruir a si e ao outro. Tão transbordante que ora se reverte também em homenagens a amigas e amigos, com poemas dedicados a Betty Lago, entre outras pessoas do círculo íntimo da escritora.  

 Sobre Fernanda Young
Roteirista e escritora, Fernanda Young lançou, em 1996, seu primeiro livro, intitulado Vergonha dos pés. Caso raro no mercado editorial, Young publicou 11 livros, dentre os quais os best-sellers Aritmética e Efeito urano, um livro de poesia,Dores do amor romântico, e novas experiências narrativas, como A louca debaixo do branco, o qual ganhou prêmio Jabuti de melhor projeto gráfico por Edu Hirama. Escreve atualmente o romance O piano está aberto, a ser lançado em outubro desse ano.

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