Exposição inédita mostra a ação do tempo sobre obras de retratos sobre aço oxidado na mostra “Lembranças Perdidas”

Inauguração da galeria a céu aberto do Sesc Tijuca. O artista plástico Sérgio Marimba estreia novo espaço expositivo da cidade com obras que se deterioram ao longo da exposição que vai de 19/09 a 8/11

O tempo como ferramenta interativa no processo artístico. Esta é a proposta da exposição “Lembranças Perdidas”, de Sérgio Marimba, que abre ao público no próximo dia 19/09 (sábado) com a inauguração da galeria a céu aberto do Sesc Tijuca. Concebidas para espaços internos, as 11 esculturas do artista plástico e cenógrafo serão expostas à ação do tempo. A intenção é que as belas fotos antigas de pessoas desconhecidas impressas em grandes chapas de aço oxidadas sofram um rápido desgaste natural para mostrar o efeito do tempo. Antes protegidas das variações climáticas, como sol, chuva e vento, elas enferrujavam lentamente. Na exposição, elas sofrem um acelerado processo erosivo, o que as tornam ainda mais impactantes. O tempo age duplamente na obra. Com as intempéries e com as imagens naturalmente envelhecidas, que há 15 anos o artista garimpa em brechós, feiras de antiguidade e no lixo. São fotos “órfãs” de pessoas desconhecidas, já abandonadas, desgastadas e desbotadas.

Dentre as obras, que revelam costumes e intimidades de personagens de diversas épocas esquecidos pelo tempo, um misto de poesia e melancolia diante da dureza das chapas esculpidas pela corrosão. Como as obras “Menina I” e “Menina 2”, imagens impressas no tamanho real de duas crianças na lateral de dezenas de placas de aço empilhadas, que juntas pesam 2,5 toneladas. Delicadeza e robustez em um trabalho distribuído em diversos pátios do Sesc Tijuca, rodeados de jardins projetados por Burle Marx.

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Segundo o artista plástico, a intenção da aceleração do desgaste das obras e o próprio término delas faz parte do processo artístico que destaca a efemeridade. Essas rápidas etapas de oxidação serão registradas quase que diariamente. As fotos dessa deterioração até a completa corrosão das esculturas serão documentos de em uma segunda exposição, criada a partir do registro do processo destrutivo de “Lembranças Perdidas”.

Nas chapas de aço, as fotos ganham força pelas mãos do artista e nos fazem refletir sobre a transitoriedade da vida e sobre a ação do tempo na memória. Sob a curadoria de Marimba, a exposição leva o público a experimentar uma nova relação com o tempo, nascida das memórias perdidas de pessoas de diferentes. O aspecto envelhecido oculta partes do registro e ajuda a construir o imaginário.

– Minha intenção é que seja bem minimalista, meio apagada, para ser vista como se fosse uma janela através do tempo – explica Marimba.

O Artista
Sérgio Marimba é artista plástico e cenógrafo. Autodidata, iniciou sua carreira desenvolvendo estruturas e esculturas em metal para alegorias e fantasias de escolas de samba. Trabalha como cenógrafo em teatro, televisão, cinema, shows, tendo sempre como desenvolvimento principal as estruturas em ferro, movimentos e materiais alternativos.

Nas artes plásticas, a matéria prima é o ferro oxidado, materiais e objetos usados, que tenham como característica marcas cravadas pelo tempo. Marimba cursou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e participou de mostras individuais e coletivas.

Serviço

“Lembranças Perdidas” – Sérgio Marimba

Galeria a Céu Aberto do Sesc Tijuca
19/09 a 8/11
Sesc Tijuca
Terça a domingo, das 9h às 18h.
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539. Tijuca.
Tel.: (21) 3238-2139 e 32382076.
Classificação: Livre.
Preço: Gratuito.

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