O artista visual e fotógrafo Paulo Penna apresenta a mostra “Coemergência” no Espaço Cultural do Superior Tribunal de Justiça (STJ)  de 27 de abril a 20 de maio, com entrada franca. A curadoria é de Leliane Macedo de Souza, sua esposa. 

O público vai conferir 55 fotografias inéditas. As imagens, divididas em quatro séries, foram reunidas sob o fundamento do parâmetro fotométrico do tempo. As séries ilustram quatro técnicas e perspectivas alternativas, cuja captura da imagem no tempo ocorre através de diferentes propostas. Cada uma das séries tem sua própria identidade e proposta conceitual. Elas representam anos de estudo, pesquisa e experimentação em fotografia contemporânea, na busca pela ruptura de  paradigmas e pela busca da originalidade na forma e no conceito, ou seja, a linha de trabalho do fotógrafo Paulo Penna prima por construir as imagens na máquina fotográfica com os recursos da fotometria e pintando com a luz.     

“A experiência da Coemergência é uma prática ligada a estudos de meditação. Tive o primeiro contato com este conceito filosófico num curso com um Lama Tibetano, chamado Padma Santem, que administra muitas palestras em Brasília pelo instituto que fundou, chamado CEBB (Centro de Estudos Budistas Bodisatva). Basicamente, Coemergência é uma propriedade exercida na mente humana, onde  existe uma dimensão construtora luminosa, que vai dando significado às coisas em plena liberdade natural, habilidade de que todos nós dispomos, mas que não exercitamos. Por isto, ressaltamos a importância da arte como ferramenta para esta expansão da plasticidade mental. Portanto, exercitar esta conexão com objetos ao nosso redor, pelo significado que vamos dando (as classificações) de acordo com nossos registros internos, das experiências que vamos armazenando, é que se traduz nas nossas coemergências. Nesta exposição, proponho ao observador um confronto com imagens intrigantes e enigmáticas, convido-o a embarcar  em uma conexão emocional e transcendente com as fotografias, através de uma contemplação distante das fronteiras dos julgamentos formais”. Convida o artista Paulo Penna.

A exposição “Coemergência” está composta das séries: Enigmático Tempo, Evocando Impressões em Paisagens Refletidas, Um Olhar no Tempo e Re-Expressando as Cavalhadas.    

 “À medida que Paulo elaborava as séries, fazíamos uma triagem ao nos debruçar na motivação de cada tema, catalogávamos as imagens por determinados critérios conceituais, elas foram classificadas de acordo com alguns movimentos das escolas tradicionais de arte contemporânea, que analogamente identificamos pelas técnicas utilizadas. A proposta sempre foi eleger as obras que extrapolam o já conhecido em arte fotográfica, e buscar ressaltar o estilo pessoal de Paulo Penna, como vemos na série ‘Re-expressando as Cavalhadas’ “. Revela a curadora.  

As séries:  

Enigmático Tempo dialoga com os movimentos de uma fotografia futurista, utiliza os recursos tecnológicos da câmara para ampliar movimentos, onde se percebe a aplicação de técnicas de exposições em assimetria.     

A percepção da exposição do tempo no espaço resulta na multiplicidade de planos sobrepostos, pintados com camadas de luzes capturadas com liberdade. O observador é intencionalmente convidado a apreciar imagens coemergentes em panoramas inusitados, e investigar a transgressão de parâmetros fotométricos, trabalhados com certa plasticidade, onde se alcança um “imperfeito”, porém harmonioso “efeito” estético. Desta forma, cada imagem se apresenta com uma identidade singular e personalidade própria, e carrega consigo um tempo maior no espaço.    

Na série artística Evocando Impressões em Paisagens Refletidas, a busca é pela elaboração de composições fotográficas sem a obrigatoriedade da organização aprisionada num insípido conformismo, onde se escapa ao que é racional ou estritamente técnico e padronizado em fotografia.    

São camadas de imagens capturadas, do real em seus efêmeros reflexos harmonizados, com a finalidade de apresentar uma arte fotográfica experimental contemporânea. Um diálogo na água com os Impressionistas.    

Na edição das imagens, o objeto prima em destaque num conjunto espontâneo, onde se pode observar a experimentação e a influência dos movimentos impressionista, pontilhista e fauvista. Do somatório destes movimentos artísticos e da busca incessante por imagens conceituais, resultaram agradáveis e intrigantes pinturas de momentos contrapostos com seus reflexos, que descortinam o cotidiano cosmopolita de diversas cidades da Europa e do Brasil.     

A série Um olhar no tempo pretende ilustrar cenários urbanos de Pirenópolis (antiga a vila de Nossa Senhora do Rosário da Meia-Ponte), entre o passado e o presente. A proposta de trabalho tem como objetivo conduzir o observador a uma viagem histórica e sociocultural por uma vila que, no passado, vinculava-se a outras cidades que formavam os caminhos coloniais de extração de ouro do Brasil, no sopé da Serra dos Pireneus.   

As minas de ouro de Meia-Ponte eram celebradas pela quantidade exuberante de ouro. Fora a conquista do Sol da Terra, o Mito indígena dos índios Goyazes: o “Sabarabuçu”, a Montanha de Ouro. O tempo passou e hoje, um novo cenário descortina-se, o Sabarabuçu dos antepassados transmutou-se em outra fonte de vida: o Berço das Águas do Brasil, com Pirenópolis no eixo central.    

A série pretende conduzir o observador a percorrer um “túnel histórico” cujas técnicas fotográficas remetem aos antigos cenários da cidade colonial de Nossa Senhora do Rosário de Meia-Ponte, ao sobrepor imagens de Pirenópolis, representadas sugestivamente com silhuetas e elementos da vida cotidiana. O conjunto da obra reúne o passado com o presente pelo olhar do fotógrafo. 

A série Re-Expressando as Cavalhadas realiza uma proposta de fotografia genuinamente contemporânea, inspirada nas distorções dos cenários e das imagens dos personagens, podendo ser caracterizada como fotografia com influência do surrealismo, futurismo e da técnica simultânea do cubismo, onde o corpo e o rosto das figuras exibe ao mesmo tempo o perfil e a frente, em vários ângulos de visão que dão uma impressão de múltiplas dimensões.   

São pinturas dramáticas, porém alegres e vibrantes, subjetivas, que “expressam” sentimentos humanos. A proposta fotográfica utiliza cores e formas irreais, que dão forma plástica ao elenco da festa folclórica típica da cidade: as Cavalhadas representadas pelos figurantes da premiada Festa do Divino e das Cavalhadas de Pirenópolis – GO.    

Através dos recursos da sobreposição de diferentes momentos no tempo, a série buscou expressar a maneira com que os personagens se exibem: seus adornos de cabeça e fantasias exuberantes.   

Expografia educativa:   
Na adequação do projeto ao espaço físico procurou-se harmonizar o  tamanho do Espaço Cultural do STJ com o número e dimensão das obras.  A montagem da exposição acontece forma conceitual, executada pela empresa C2, formada por Chico Sassi e equipe.  

As séries serão divididas e instaladas em nichos distintos, sob um propósito didático, para contemplação. Durante o caminho demarcado e no início de cada série há um banner com a descrição conceitual correspondente. Cada uma das obras está identificada individualmente e traz todas as descrições fotométricas com fins educativos. Há uma descrição completa de cada uma das imagens, que relata o histórico e as circunstâncias de produção das imagens.  

A exposição está montada de modo a propiciar uma pequena aula de fotografia, de olho nas visitas ao STJ dos alunos de Ensino Médio de Brasília e do Entorno.    

Serviço: Mostra fotográfica “Coemergência” de Paulo Penna  

Local: Espaço Cultural do Superior Tribunal de Justiça – STJ (SAFS – Quadra 6 – Lote 1 – Trecho III – Edifício dos Plenários – 2o andar/Mezanino)  

Abertura: 27 de abril (quarta) de 17:30 às 20:00  

Visitação: De 28 de abril a 20 de maio de 2016  

De segunda a sexta, de 9 às 19 horas  

Informações: (61) 3319-8460 e 3319-8373  

Entrada franca  

Classificação indicativa: Livre.  

 

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