Exposição “Como Habitar Abismos” tem encerramento com mesas de debates no Castelinho do Flamengo

Atrações de encerramento da exposição Como Habitar Abismos, de Mariana Guimarães, as mesas de discussão Casa, Espaço de Resistência (27/ 08) e Como Habitar a Linguagem (03/09) reunirão os artistas Nina Veiga, Juliana Borzino, João Modé e Cristina Salgado, com mediação de Beatriz Lemos, no Castelinho do Flamengo

Exposição Como Habitar Abismos Mariana Guimarães bordado sobre foto da tela A Maja Nude (foto: Pedro Vitor Brandão)
Exposição Como Habitar Abismos Mariana Guimarães bordado sobre foto da tela A Maja Nude (foto: Pedro Vitor Brandão)

Até de 04 de setembro Castelinho do Flamengo recebe a primeira exposição individual da artista, pesquisadora e educadora Mariana Guimarães, entitulada Como Habitar Abismos.  Com curadoria deBeatriz Lemos e produção de arte de Arthur Moura, a pesquisa que Mariana desenvolve há alguns anos sobre erotismo, vida cotidiana e história do feminino a partir da linguagem do bordado pode ser vista em diferentes suportes, como instalações e fotografias, em obras que se espalham por oito cômodos.

Nos dias 27 de agosto e 03 de setembro, sábados, às 16h, a exposição tem como atração especial duas mesas de discussão, ambas com medição da curadora, tendo como foco os sentidos do “habitar” que permeiam às obras, em diferentes óticas:

*No dia 27, Casa, Espaço de Resistência reunirá Nina Veiga, Mariana Guimarães e Juliana Borzino, com mediação de Beatriz Lemos

As artistas e pesquisadoras Nina Veiga, doutora em educação e um dos grandes nomes brasileiros no que diz respeito ao bordado e artes manuais contemporâneos, Juliana Borzino, que tem entre seus trabalhos uma pesquisa sobre o Castelinho do Flamengo, e Mariana Guimarães farão uma reflexão sobre os sentidos amplos da morada: dos modos de se habitar a casa e o corpo e a relação da história do feminino com o espaço doméstico, assim como o novo boomdas artes manuais como espaço possível de languidez e introspecção resistente ao ritmo frenético da pós-modernidade.

*No dia 03, Como Habitar a Linguagem reunirá os artistas João Modé e Cristina Salgado, com mediação de Beatriz Lemos.

Na ocasião será lançado o catálogo da exposição
Levando a discussão sobre o “habitar” para o âmbito da linguagem, a mesa contará com dois conceituados artistas cariocas: João Modé, cujo trabalho articula-se por uma noção plural de linguagem e espaços de atuação, em projetos como REDE – desenvolvido em diversas cidades como São Paulo, Berlim, Stuttgart, Rennes – e Cristina Salgado, que além do trabalho autoral é professora do curso pós graduação em artes visuais da UERJ.  

Mais sobre a exposição
Inspirada pelo filósofo e poeta francês Gaston Bachelard, cuja obra reflete sobre as possibilidades e os modos de se chegar à “primitividade da casa”, MarianaGuimarães criou obras  como a instalação Mesa Posta (foto), em que o espectador é convidado a entrar em uma sala onde, em uma mesa posta para o jantar, delicados forrinhos bordados servem de suporte a vulvas e pênis em moldes de silicone; ou ainda Slides, em que grandes obras da representação feminina na história da arte, como A Maja Nue, de Francisco Goya, e La Primavera, de Botticelli, ganham cicatrizes bordadas nos corpos idealizados. 

“A casa é o santuário da nossa intimidade, da nossa nudez, mas também o local das ambiguidades. Lugar de acolhimento, mas também onde ficam escondidos interditos”. Um local sagrado, mas tratado como uma entidade menor”, diz ela. E completa: “São as ambiguidades que me interessam, os lados distintos que integram a existência, assim como o bordado tem seus dois lados”.

“O fato de Mariana ser também educadora e pesquisadora, com um grande interesse pela história da mulher, é muito importante para o seu trabalho como artista.O trabalho dela se faz urgente em tempos obscuros de retrocesso da linguagem libertária relacionada à sexualidade dos corpos”, diz Beatriz Lemos.

Mais sobre Mariana Guimarães
Além de sua produção artística autoral, Mariana, que  acaba de participar como convidada da Bienal de Arte Têxtil Contemporânea (Contextile), em Portugal, onde fez uma das falas de abertura da edição 2016, é criadora do projeto “Retalhos de Memória”, premiado em 2007 pelo Ministério da Cultura do Brasil, em que desenvolveu experiências  em  bordado  e seus desdobramentos estéticos, artísticos, sociais e políticos com idosos, bordadeiras  e catadores de lixo. É mestre em artes e design pela PUC – Rio e atualmente docente de artes visuais no Colégio de Aplicação (UFRJ), onde atua também na formação de professores de artes visuais e coordena os grupos de pesquisa de ensino e extensão “Arte do Fio”, “Objetos de Afeto  e Tramas da Escola”, “Tecendo Redes” e “Projeto Tecer: Produção Textual e Têxtil”.

Serviço:

Exposição Como Habitar Abismos, de Mariana Guimarães
Curadoria: Beatriz Lemos 
Produção de arte: Arthur Moura
Local: Castelinho do Flamengo – Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho
Endereço: Praia do Flamengo, 158
Data: De 02 de julho a 04 de setembro
Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 18h.

Gratuito

Debates: (também gratuitos):  

27 de agosto, sábado, 16h: Casa, Espaço de Resistência
Com Nina Veiga, Mariana Guimarães e Juliana Borzinomediação de Beatriz Lemos

03 de setembro, sábado, 16h: Como Habitar a Linguagem
Com João Modé e Cristina Salgado, mediação de Beatriz Lemos

Na ocasião será lançado o catálogo da exposição

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