Evento reúne 35 rodas de samba na Praça Tiradentes

Roda de Samba PedeTeresa na Praça Tiradentes / Foto Ierê Ferreira

A Roda das Rodas‘ acontece em parceria com o Instituto Eixo Rio e é promovido pela Rede Carioca de Rodas de Samba. 

Não, ninguém faz samba só porque prefere. Força nenhuma no mundo interfere sobre o poder dos 35 grupos de samba que se reúnem amanhã (7) para fazer ‘a Roda das Rodas’. O evento, promovido pela Rede Carioca de Rodas de Samba (RS) e em parceria com o Instituto Eixo Rio, acontece a partir das 18h, na Praça Tiradentes, bem no coração do Centro do Rio. O objetivo é apresentar o coletivo para as pessoas e mostrar, com a união dos sambistas, a força que a cultura popular tem. 

Pode avisar a Rosalina, Irene, Maria Rita e para todo mundo que gosta de um sereno. São 35 rodas de samba tocando em um mesmo lugar. Mas fique tranquila, Cecília! Eles tocam separados, revezando numa grande mesa. Segundo Julio Morais, articulador cultural do Eixo Rio e do grupo de samba Arrasta Povo, a noite vai ser de alegria. “Estamos muito felizes, a ideia é só fraternizar”, diz. O evento também marca a apresentação do site da RS. O portal, feito em parceria com o Instituto Pereira Passos, oferece um mapa com as 35 rodas de samba, integrantes do coletivo, oferecendo o lugar, horário, fotos, vídeos e outras informações. As rodas acontecem em toda a cidade. Ou seja, tem samba para todo mundo. Na Zona Sul, no Centro, na Baixada e, claro, na Zona Norte. Está todo mundo junto por um canto maior.

Para a sambista Ana Priscila, a noite também promete ser de resistência. “Ao longo do tempo, as rodas vêm se mantendo sozinhas. Sempre sem nenhum patrocínio público cultural, sempre sem financiamento, sempre enfrentando os ambulantes e os guardas que querem “o cafezinho”. Sempre resistindo”, observa ela, que pertence ao grupo de samba feminino Moça Prosa.

Além da música, a Roda das Rodas promove uma feira com gastronomia, artesanato e cultura afro, bem do jeito que o rei mandou. “Queremos conversar com toda a economia criativa e negra da cidade. A ideia é gerar lucro para esses empreendedores”, conta Julio, que também é integrante da bateria do Império Serrano.

O coletivo

A Rede Carioca de Rodas de Samba foi criada por meio de um decreto feito no dia 02 de dezembro de 2015, data em que é comemorado o dia do samba, com o objetivo de fomentar e oferecer estrutura para as rodas acontecerem. Inicialmente articulado por uma frente de sambistas independentes, o coletivo, hoje, tem 35 grupos integrados. “A RS foi criada para reivindicar a notoriedade que o gênero precisa”, explica Julio.  Segundo o sambista, a ideia é provocar uma política cultural na cidade. “Queremos construir um privilégio cultural para o povo”, afirma. 

Se o carnaval promove samba uma vez por ano, as rodas de samba geram cultura popular o ano todo. É  nessa percepção que o coletivo trabalha. “O samba não acontece só no carnaval, mas no ano todo. Por que ele não tem apoio que precisa? Por que o dinheiro não está sendo distribuído para a cultura como deve ser?”, questiona Felipe Pereira, integrante do coletivo e dos grupos Samba d’Irajá e Jacutá do Samba. Ainda de forma embrionária, a RS está trabalhando para promover a cultura popular gratuitamente. “A Rede articula e abre caminhos, fazendo tudo para promover sambas de graça para o povo”, diz Chris Mendonça, do grupo Samba de Benfica.

Além do Arrasta Povo, Moça Prosa, Jacutá do Samba, Samba d’Irajá e Samba de Benfica, participam também da Rede Carioca de Rodas de Samba os seguintes grupos: Aldeia do SambaAos Novos CompositoresAutonomiaBuraco do GaloGloriosaMafuá no QuintalPagode do BaldePagode do BiroPagode do Time de Crioulo; PedeTeresaPedra do SalPôr do SantaSamba com Sardinha; Samba d’AuroraSamba da Cabeça BrancaSamba da GameleiraSamba de ButecoSamba do BarãoSamba do XoxóSamba na FonteSamba na Minha CasaSamba na SerrinhaSamba no Calça LargaSamba Zona OesteSambastião; e Terreiro de Crioulo.

Serviço

O que? Roda de Samba ‘A Roda das Rodas’;
Quando? quinta-feira, dia 7, às 18h;
Onde? Praça Tiradentes, Centro do Rio de Janeiro;
Quanto? Gratuito;
Quem pode ir? Livre.

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