Evento no centro de São Paulo tem encontros com mestres da cultura brasileira

Os Brasis em São Paulo tem programação gratuita neste sábado (18) no Red Bull Station

No próximo sábado (18), o festival Os Brasis em São Paulo leva ao centro de São Paulo uma série de encontros com a mestres da cultura brasileira residentes da capital paulista.

O público terá a oportunidade de conhecer um pouco da arte e do saber de quatro mestres e mestras, patrimônios vivos da nossa cultura: Seu Carlão do Peruche, um dos mais antigos do Samba de Pirapora; Pedro Luiz Macena, educador cultural e espiritual indígena Guarani da Aldeia do Jaraguá; Nega Duda, difusora de sua ancestralidade por meio da oralidade e do samba de roda do Recôncavo Baiano; e Graça Menezes, caixeira da Festa do Divino e cozinheira especialista em culinária maranhense.

A programação, que tem palestras e rodas de conversa, é aberta ao público. À noite, a apresentação musical fica por conta do pernambucano Zé Manoel.

Os Brasis em São Paulo
Dia 18 de junho, das 14h às 22
Red Bull Station: Pça. da Bandeira, 137, Centro, São Paulo, tel. 3107-5065.
Grátis.

Programação completa

14h30 – Os mestres e a cidade: o patrimônio vivo como protagonista urbano e a experiência no projeto Mestres Navegantes 
João Rafael Cursino – Doutor em História pela USP, músico e agente de cultura em sua cidade, São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em São Paulo. O palestrante pesquisa o impacto daatuação dos mestres de cultura para a reconstrução de São Luiz após a enchente que, no ano de 2010, destruiu boa parte da cidade.

15h – Estética do bem-querer: a fotografia como ferramenta para empatia e resistência cultural
Ratão Diniz Construindo uma relação de respeito e responsabilidade, o fotógrafo Ratão registra a resistência e a beleza brasileira emfavelas no Rio de Janeiro, interiores de casas, festas populares e grafites. Fotógrafo independente, já participou de inúmeras mostras fotográficas no Brasil e é autor do livro Em Foto (Mórula Editorial, 2014: Rio de Janeiro).

15h30 – A voz dos sujeitos: a comunidade como autora da sua história, o caso do jornal A Sirene.
Gustavo Nolasco – Roteirista, escritor e jornalista, Nolasco se especializou no “ouvir histórias” para criar e produzir conteúdo. O palestrante fala sobre a criação e funcionamento de A Sirene, um jornal feito por e para os moradores de Mariana e Bento Rodrigues após a tragédia ambiental ocorrida na região.

16h – Descender para transcender: a arte visual como linguagem para o exercício da liberdade afrobrasileira, a experiência no festival Afrotranscendence.
Diane Lima e Aline Motta – Diane Lima é baiana da Chapada Diamantina, diretora criativa do projeto NoBrasil, curadora e conectora de projetos de arte e criatividade com a proposta de exercitar diversidade e liberdade para o Brasil, além de mestranda em Semiótica pela PUC SP. Aline Motta é artista plástica carioca e atualmente desenvolve projetos a partir de sua pesquisa em ancestralidade afrobrasileira.

Diane irá compartilhar o processo de pesquisa e curadoria do festival AfroTranscendence e o projeto de audiovisual em websérie que documenta e amplifica as discussões do encontro. Aline Motta irá apresentar o seu livro/arte Escravos de Jó, projeto de arte audiovisual que reflete e problematiza o que está por trás da brincadeira. 

16h40 – Outras narrativas: a literatura como plataforma para compartilhar outros modelos de pensamento e aproximar mundos
Graça Graúna
– Mulher indígena do povo potiguara, PHD em letras pela UFPE, escritora de livros infantis e narrativas com base na cosmogonia indígena. Graúna é atualmente uma das principais referências em pensamento e criatividade indígena no Brasil e América Latina. Em sua fala, vai compartilhar o seu processo de escrita e registro, como algumas de suas recentes obras literárias.

17h30 – Aprender com um mestre: ouvir e amplificar novas vozes
Mestre Carlão do Peruche
– Sabedor da tecnologia do Jongo, fazedor de samba de Pirapora. Homem negro que canta e leva o samba pelas ruas desta sua grande cidade que é São Paulo. Foi com seu pai e seus mais velhos que ele aprendeu que o canto e a cuíca são poderosas ferramentas para amplificar a voz do seu povo: da zona rural à velha guarda do Peruche.

18h – Aprender com um mestre: a filosofia da natureza
Mestre Pedro Luiz Macena – Indígena Guarany desses que andaram pelo Sul, com histórias de antepassados por lá. Pedro Luiz Macena é mestre de sua cultura – é ele quem ensina saberes e fazeres ancestrais para as crianças na Aldeia do Jaraguá, no município de São Paulo. Educador cultural e também espiritual, seus guias são a natureza e a simplicidade.

18h30 – Aprender com uma mestra: o potencial da ancestralidade 
Mestra Nega Duda
– Mulher, negra, nascida no dia 13 de maio no Recôncavo Baiano. Foi depois – e por causa – de algumas rodas e muita labuta que ela veio para São Paulo: para contar, na voz e no corpo, a história dos seus, para difundir, no samba de roda, a cultura de seus antepassados. A música é seu fazer, a oralidade é seu saber.

19h – Aprender com uma mestra: o trânsito e a resistência
Graça Menezes
– Graça faz e toca caixa, faz Festa do Divino, ensina aos mais novos como tecer comunidade. Do Maranhão para cá, ela e sua família trouxeram fé, história e tempero. Entre vários de seus fazeres, ela fala do conhecimento do que é fazer comida maranhense.

20:30 – O som e a memória: a oralidade como plataforma para contar outras nossas histórias, apresentação musical Zé Manoel
Zé Manoel – Do São Francisco pernambucano, Zé Manoel resgata de sua infância e origem boa parte das letras que compõe. Das cantigas de lavadeiras e cantos ditos populares dos ribeirinhos, surge a inspiração para suas canções que o colocam hoje como uma das principais revelações da música brasileira.

Sobre Os Brasis em SP – Os Brasis em São Paulo é um festival para revelar mestres da
cultura brasileira que vivem em São Paulo. Na programação, oficinas de pesquisa e narrativa para selecionados e também palestras e exposições abertas para o público. Criado pela pesquisadora Mayra Fonseca e pelo fotógrafo Rafael Stédille, o festival é realizado pelo Projeto Brasis (www.brasis.vc): uma central de conteúdos e rede de projetos que existe para estimular o autoconhecimento do Brasil de forma propositiva, uma iniciativa para destacar o potencial transformador de outras nossas histórias.

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