Estreias inéditas de montagens teatrais de todo o país agitam o Rio em setembro com a 18ª edição do Palco Giratório

Espetáculos no Sesc Ginástico e Sesc Tijuca apresentam ao público carioca variadas propostas cênicas nacionais entre 2/09 e 12/09

Olhares Guardados por Fabio Alcover

Diversas linguagens e conceitos dramatúrgicos em um projeto que apresenta a pluralidade cênica do país. Trinta e três curadores do Sesc em todo o Brasil selecionaram espetáculos e oficinas de grupos, coletivos e companhias de teatro em diversos estados para a 18ª edição do projeto Palco Giratório. Um dos maiores circuitos do teatro brasileiro estreia no Rio no próximo dia 2/09 (quarta), no Sesc Ginástico e Sesc Tijuca. Dentre os espetáculos adultos, serão 11 apresentações até o dia 12/09 (sábado) mostrando um panorama rico e surpreendente de grupos teatrais que estão percorrendo diversos estados para apresentar variados recortes do universo cênico contemporâneo. Dentre os espetáculos, concepções de companhias com deficientes físicos que abordam a acessibilidade, como “Proibido Elefantes”, do Rio Grande do Sul e “Avental todo sujo de ovo”, do Ceará. Além de montagens de formas animadas, como “Criaturas de Papel”, três de dez peças que se sobressaem no projeto que terá ingressos a preços populares, entre R$5 e R$20.

No dia 2/09 (quarta), estreia carioca deste mosaico artístico, o Teatro Sesc Ginástico apresenta “Nordeste – A dança do Brasil”, às 19h. A concepção é um retrato em movimento da riqueza cultural nordestina, que mescla danças típicas de Carnaval, maracatu, ciranda, xaxado e outros ritmos que compõem o repertório popular da região.

Ainda no dia 2/09, o Sesc Tijuca estreia o espetáculo “O silêncio e o caos”, às 20h. No tema, discussões sobre psicoses e o questionamento sobre as pessoas que evitam expor suas tragédias pessoais por medos e preconceitos. A peça fala sobre o processo de autoconhecimento e fortalecimento do indivíduo. Afinal, o tema não é mais uma questão pessoal e necessita de uma abordagem ampla e esclarecedora pela sociedade.

No dia seguinte (3/09), o Sesc Tijuca é palco de “Exu, a boca do universo”. Montagem forte, com impacto visual que abriga uma dramaturgia musical e poética. A encenação narra momentos em que Exu é retratado de forma diferente do que sempre foi apresentado na cultura ocidental. Mostra o orixá que rege a comunicação e a liberdade na religião africana do Candomblé sob outra ótica, entre o humano e o divino.

Ainda no Sesc Tijuca, o espetáculo “Antes da chuva”, da companhia Cortejo, conta a história do menino Aramís no dia 4/09, às 20h. Aos 11 anos, ele é chantageado pela moça Ana, que mora com a avó em uma casa abandonada. Ele deixa que ela o veja nu e leia histórias de espionagem em voz alta. E Ana planeja uma fuga no navio do Papa, que em breve passará pelo povoado em que moram. Rodrigo Portella assina texto, direção e iluminação.

No sábado (5/09), o palco é a rua. O espetáculo “O Lançador de Foguetes” será apresentado na Praça Xavier de Brito, na Tijuca, às 10h, com entrada franca. Em um universo repleto de elementos cênicos, malabares circenses e engenhocas astrológicas, um personagem instigante procura o local ideal para sua experiência científica e se desloca com destreza em seu triciclo. Durante a encenação, a trilha sonora curiosa e empolgante é pano de fundo quando o personagem lança foguetes e hipnotiza o público com uma apresentação lúdica e repleta de simbolismos.

No fim de semana dos dias 5/09 e 6/09, o Teatro Sesc Ginástico recebe o espetáculo “Olhares Guardados”, trabalho do projeto Expressividade Cênica para Pessoas com Deficiência Visual. Na peça, cinco atores com deficiência visual contracenam a partir de sonoridades e elementos cênicos que se tornam cúmplices do elenco. O roteiro sensível e a direção original de Paulo Braz conta a história de um fotógrafo que desembarca em uma estação de trem de uma pequena cidade. Lá ele fará registros fotográficos de cenas do cotidiano através do seu olhar. A apresentação será às 19h no sábado (5/09) e às 18h, no domingo (6/09).

O olhar também é tema de “Proibido elefantes”, da Companhia Gira Dança, de Natal. O espetáculo de dança contemporânea, apresentado no Teatro Sesc Ginástico no dia 9/09 (quarta), às 19h, explora a forma como percebemos o mundo ao redor e interagimos com ele. Proibir elefantes é restringir o acesso e impedir o livre trânsito do animal que serve como transporte na Índia, mas que causaria enormes transtornos em outras regiões. Como proposta, a reflexão sobre proibir o olhar que duvida da capacidade das pessoas diante da adversidade.

A multiplicidade de linguagens não para por aí. No dia 11/09 (sexta), às 19h, o Teatro Sesc Ginástico realiza o espetáculo “Criaturas de papel”, do grupo Bricoleiros, que explora o universo do boneco comediante e inventivo com a manipulação de marionetes de alto padrão de qualidade. Nesta peça, papéis brancos ganham formas geométricas, se transformam em personagens e ganham vida para mostrar que o cotidiano é feito de construções e desconstruções de realidades e momentos.    

Em formato de arena, o espetáculo “Avental todo sujo de ovo”, do Grupo Ninho de Teatro, do Ceará, cria uma grande intimidade com o público. Encenado no Teatro Sesc Ginástico no dia 12/09 (sábado), às 19h, a montagem convida o público a visitar a casa de Alzira e Antero, casal que há 19 anos vive a angustiante espera do filho Moacir, que sumiu de casa aos nove anos de idade. Na montagem, linguagens dramatúrgicas originais e completamente livres propõem um olhar reflexivo com o público sobre as relações familiares.

Para encerrar a estreia do Palco Giratório no Rio, um espetáculo ao ar livre na escadaria do Sesc Tijuca, que é contornada por jardins esculturais projetados por Burle Marx. No dia 12/09 (sábado), às 19h, o grupo maranhense Núcleo Atmosfera, através da peça “Divino”, mistura diversas linguagens artísticas contemporâneas, motivadas pelo discurso que um corpo propõe sobre a preservação de uma história. Toda a encenação é apresentada sobre uma grande tela onde são projetadas imagens embaladas pela trilha sonora cantada e tocada ao vivo pelo elenco. Essa importante amostragem de diversos trabalhos inéditos no Rio, concebidos em variadas regiões do país, apresenta e oferece ao público o acesso à vasta pluralidade dramatúrgica produzida no Brasil.

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Grupos e companhias:

Balé Popular do Recife (“Nordeste, a dança do Brasil”)
Fundado em 1977, o Balé Popular do Recife surge com a proposta de criar uma dança baseada nos folguedos, manifestações e saberes tradicionais da cultura popular nordestina. A partir daí, o diretor André Madureira desenvolveu um método original, batizado de Brasílica. A trajetória de quase 40 anos reúne cinco espetáculos completos, dezenas de coreografias, centenas de apresentações e muitas turnês nacionais e internacionais – com destaque para uma residência de três meses na França, em 1988. Em 2009, o Balé Popular do Recife recebeu a Ordem do Mérito Cultural, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido em prol da dança.

Companhia Dielson Pessoa Melo (“O silêncio e o caos”)
Dielson Pessoa Melo, bailarino recifense que dá nome à companhia, foi convidado a participar da renomada Companhia de Dança Deborah Colker aos 18 anos de idade e participou de diversos espetáculos premiados da coreógrafa. Apresentou-se no Brasil, Uruguai, Chile, Argentina, Estados Unidos, Itália, Áustria, França, Inglaterra, Alemanha e Singapura. Foi integrante do Balé da Cidade de São Paulo entre 2006 e 2008, primeira companhia oficial a introduzir a dança contemporânea como principal meio de expressão no país. Aos 22 anos, Dielson já havia se apresentado para alguns dos maiores coreógrafos do mundo, como Had Naharin (Israel), Mauro Bigonzzett (Itália), Itzik Galil (Holanda), Luiz Arrieta (Argentina), Cayetano Soto (Espanha) e Jorge Garcia (Brasil). Em 2007, foi premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Considerado o principal prêmio das artes cênicas do Brasil, Dielson foi escolhido como melhor bailarino.

Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas – NATA – (“Exu, a boca do universo”)
O NATA foi fundado em 1998, em Alagoinhas, Bahia. Surgiu em um festival estudantil de Teatro. Em 16 anos de trabalho, o grupo realizou montagens teatrais, oficinas, leituras dramáticas e movimentou o universo cênico com projetos que discutem, divulgam e valorizam a cultura Afro-Brasileira em Alagoinhas e em grande parte do interior da Bahia. Os espetáculos possuem como eixo a história, cultura e a religiosidade Afro-Brasileira, a fim de combater preconceitos.

Companhia Cortejo (“Antes da Chuva”)
A Cia Cortejo foi fundada em 2009 por profissionais de teatro interessados em desenvolver suas atividades e pesquisas fora do eixo das grandes capitais. Grande parte de seus integrantes são de Três Rios, no interior do Rio, onde a companhia mantém sua sede administrativa e criativa. Seu primeiro trabalho, “Uma História Oficial”, estreou em 2010, fez curta temporada em Curitiba, Recife e Rio de Janeiro, sendo a última no Teatro Laura Alvim em Ipanema, rendendo ao grupo uma indicação ao prêmio Shell de Melhor Direção. “Antes da Chuva” é o segundo e mais recente espetáculo da Cia Cortejo. A peça estreou no Festival de Curitiba em 2013 com grande sucesso de público e crítica e concorreu, em 2014, ao Prêmio Shell de melhor autor. Do ponto de vista estético, o foco da companhia é a investigação dos limites entre o épico e drama na criação dramatúrgica colaborativa. Na maioria das vezes, partindo do princípio de que todos os elementos, inclusive a dramaturgia, devem estar a serviço do diálogo entre o ator e o público.

Grupo De Pernas Para o Ar (“O lançador de foguetes”)
Um dos grupos de referência no Rio Grande do Sul e requisitado em vários festivais no país, o De Pernas Para o Ar possui mais de 26 anos de trabalho continuado. Construiu uma linguagem própria, que faz uma compilação entre o teatro de animação, circo, música e artes visuais. O processo se caracterizou pela forma simples, simbólica e poética de se comunicar. Além de construir cenografias funcionais e maquinarias de cena, que são engenhosas engenharias de engenhocas, figurinos excêntricos e bonecos com mecanismos de manipulação únicos, desenvolve uma dramaturgia peculiar com seus experimentos em favor de novas propostas de linguagens para o teatro de rua.  O grupo foi fundado em 1988 em Canoas, Rio Grande do Sul, por Luciano Wieser e Raquel Durigon. É uma estrutura familiar muito comum nas famílias circenses e bonequeiras, onde os pais passam para os filhos o amor à arte. Possui um acervo de cenários móveis e mais 50 bonecos únicos, que são referência e memória de sua cidade.

Grupo Pá! Artística (“Olhares guardados”)
O Projeto Expressividade Cênica para Pessoas com Deficiência Visual começou a ser desenvolvido em 2001, a partir da iniciativa do Festival Internacional de Londrina (FILO), no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos. O primeiro trabalho foi uma oficina sobre a arte de contar histórias. Em 2002, os participantes aprenderam técnicas de expressão corporal determinantes para a segurança do grupo de se locomover em um espaço cênico invisível para eles. Aos poucos, o cenário foi se transformando em cúmplice. Não apenas para contar histórias alheias, mas a própria história. Suas expressões foram dando sentido às cenas através da ativação de receptores inexplorados que orientam os demais sentidos, pois a visão não existe.

Companhia Gira Dança (“Proibido elefantes”)
Gira Dança é uma companhia de dança que tem a proposta de ampliar o universo da dança através de uma linguagem própria, voltada para o conceito do corpo como ferramenta de experiências. A companhia de Natal, no Rio Grande do Norte, foi fundada em 2005 pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais. Teve sua estreia nacional na Mostra Arte, Diversidade e Inclusão Sócio Cultural. Desde então, apresenta um trabalho que rompe preconceitos, limites pré-estabelecidos e cria novas possibilidades na dança contemporânea. A cia também desenvolve ações sociais, como realização de palestras e oficinas em instituições de ensino e organizações corporativas. Em quase dez anos, recebeu mais de 15 prêmios de destaque para a dança no país.

Grupo Bricoleiros (“Criaturas de papel”)
Fundado em 2004 por Cristiano Castro e Eliana Damasceno, o premiado grupo é formado por artistas com larga experiência em teatro e artes plásticas. Desde seu surgimento, desenvolve um trabalho de pesquisa que explora rigorosamente o universo do boneco comediante, inventivo e de grande expressividade cênica, promovendo espetáculos que utilizam técnicas refinadas de confecção e manipulação de marionetes com um impressionante padrão artístico. A excelência de seu trabalho vem conquistando um espaço significativo no cenário dos principais eventos do Ceará e de outros estados.

Grupo Ninho de Teatro (“Avental todo sujo de ovo”)
O grupo é composto por artistas residentes no Cariri cearense. A reunião deles se deve à opção por estéticas teatrais convergentes. Sempre ansiosos por novas experiências no fazer teatral, os integrantes investigam e vivenciam diversas linguagens cênicas, experimentando a total liberdade de dar vazão ao intercâmbio com as opiniões e experiências dos espectadores. Constituído como grupo de teatro em 2007, e como associação e produtora artística em 2009, desenvolveu seis espetáculos. A atitude de reforçar cada vez mais os laços com a região onde surgiu e mostrando ao país a potência artística da cultura carirense, faz do Ninho uma espécie de embaixador do Cariri.

Grupo Núcleo Atmosfera (“Divino”)
O Núcleo Atmosfera (NUA), de São Luiz do Maranhão, iniciou sua trajetória em 2005 e estendeu-se para a comunidade, onde atualmente desenvolve seus projetos de forma independente. Fundou o “Grupo Cara de Arte – Formação de Jovens Artistas”, produziu eventos como “MIDANÇA – Mostra de Investigações em Dança”, “Ocupação” e concebeu um repertório variado de obras artísticas híbridas.

Serviços:

“Nordeste – A dança do Brasil” – Teatro Sesc Ginástico
Data: 2/09 (quarta)
Teatro Sesc Ginástico: Avenida Graça Aranha, 187, Centro.
Tel.: (21) 2279-4027.
Horário: 19h.
Valor: R$ 5 (comerciário), R$ 10 (estudantes e maiores de 60 anos) e R$ 20 (inteira).
Classificação: Livre.

“O silêncio e o caos” – Sesc Tijuca
Data: 2/09 (quarta)
Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca
Tel.: (21) 3238-2167
Horário: 20h
Classificação: 14 anos
R$5 (associados Sesc),R$10 (estudantes e idosos), R$20.

“Exu, a boca do universo” – Sesc Tijuca
Data: 3/09 (quinta)
Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca
Tel.: (21) 3238-2167
Horário: 20h
Classificação: 18 anos
R$5 (associados Sesc),R$10 (estudantes e idosos), R$20.

“Antes da chuva” – Sesc Tijuca
Data: 4/09 (sexta)
Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca
Tel.: (21) 3238-2167
Horário: 20h
Classificação: 14 anos
R$5 (associados Sesc),R$10 (estudantes e idosos), R$20.

“O lançador de foguetes”
Data: 5/09 (sábado)
Praça Xavier de Brito – Tijuca
Horário: 10h
Classificação: livre.
Preço: gratuito.

“Olhares guardados” – Teatro Sesc Ginástico
Datas: 5/09 (sábado), às 19h, e 6/09 (domingo), às 18h.
Teatro Sesc Ginástico: Avenida Graça Aranha, 187, Centro.
Tel.: (21) 2279-4027.
Valor: R$ 5 (comerciário), R$ 10 (estudantes e maiores de 60 anos) e R$ 20 (inteira).
Classificação: 10 anos. 

“Proibido elefantes” – Teatro Sesc Ginástico
Data: 9/09 (quarta)
Teatro Sesc Ginástico: Avenida Graça Aranha, 187, Centro.
Tel.: (21) 2279-4027.
Horário: 19h.
Valor: R$ 5 (comerciário), R$ 10 (estudantes e maiores de 60 anos) e R$ 20 (inteira).
Classificação: 14 anos.

“Criaturas de papel” – Teatro Sesc Ginástico
Data: 11/09 (sexta)
Teatro Sesc Ginástico: Avenida Graça Aranha, 187, Centro.
Tel.: (21) 2279-4027.
Horário: 19h.
Valor: R$ 5 (comerciário), R$ 10 (estudantes e maiores de 60 anos) e R$ 20 (inteira).
Classificação: livre. 

“Avental todo sujo de ovo” – Teatro Sesc Ginástico
Data: 12/09 (sábado)
Teatro Sesc Ginástico: Avenida Graça Aranha, 187, Centro.
Tel.: (21) 2279-4027.
Horário: 19h.
Valor: R$ 5 (comerciário), R$ 10 (estudantes e maiores de 60 anos) e R$ 20 (inteira).
Classificação: 12 anos.

“Divino” – Sesc Tijuca
Data: 12/09 (sábado)
Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca
Tel.: (21) 3238-2167
Horário: 19h
Classificação: livre.
R$5 (associados Sesc),R$10 (estudantes e idosos), R$20.

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