Espetáculo para bebês “Achadouros”, de Brasília, faz 4 únicas apresentações no CCBB-Rio

Bebês de 6 meses a 3 anos vivenciam as melhores sensações da primeira infância, como a descoberta dos sons, gestos, emoções e brincadeiras

Nos dias 3 e 4 de setembro (sábado e domingo), em duas sessões diárias, o CCBB-Rio recebe o espetáculo para bebês “Achadouros”, dirigido por José Regino e concebido especialmente para bebês de 6 (seis) meses a 3 (três) anos de idade. O espetáculo, que tem entrada franca, traz para a cena as atrizes Caísa Tibúrcio e Nara Faria, que convidam o público a aventurar-se com elas em seu “quintal imaginário”.

Desde a sua estreia em Brasília, em agosto de 2015, “Achadouros” integrou a programação do II Festival Primeiro Olhar – Festival Internacional de Teatro para a Primeira Infância do DF (mostra associada ao Festival Cena Contemporânea 2015), a Primavera do Teatro – Mostra para Infância e Juventude, em Brasília (DF) e o 5º Engatinhando Londrina (PR). Em dezembro de 2015, foi contemplado com o Prêmio SESC do Teatro Candango como Melhor Espetáculo Infantil, além de ter sido encenado em teatros e creches em diversas localidades do Distrito Federal e outros estados, como São Paulo, Paraná e Goiás.

Livremente inspirado no livro “Memórias inventadas – para crianças”, do renomado poeta Manoel de Barros, “Achadouros” é resultado de um trabalho autoral desenvolvido em Brasília, em agosto de 2015, num processo de criação colaborativa entre o diretor José Regino e as atrizes Caísa Tibúrcio e Nara Faria.

Num pequeno cercado de madeira, envoltas em mais de 4 mil sacolas plásticas que compõem o cenário, as atrizes Caísa Tibúrcio e Nara Faria conduzem os espectadores, de todas as idades, a uma arqueologia das memórias da infância e apresentam a cada um a possibilidade de escrever sua própria história. Por meio de encenação poético-teatral e da exploração da linguagem não verbal, o espetáculo propõe uma reflexão poética sobre a chegada do ser humano ao mundo e sobre sua capacidade transformadora e criativa.

Em “Achadouros”, as atrizes também trabalham com o conceito de “ressignificação” dos objetos do cotidiano. Como é o caso das inúmeras sacolas de plástico na cor branca compondo o cenário, que hora se transformam em galinha, cachorro, peixe, caramujo e até borboletas que – literalmente – voam e também assumem o papel de água do mar, do rio ou do lago. “Em nosso trabalho, a ressignificação das sacolas plásticas é uma reflexão sobre a necessidade de reavaliação de uma cultura pautada no consumismo descartável. Seu uso massivo no cenário remete ao exagero e à banalização na relação com os materiais industrializados”, afirmam Caísa Tibúrcio e Nara Faria, que ainda lembram: “São consumidos cerca de 2,5 bilhões a 1 trilhão de sacolas plásticas por ano no mundo. E cada delas leva até 400 anos para se decompor”.

As atrizes, que também são palhaças, explicam que tiveram muito cuidado para fugir dos clichês relacionados ao que convencionalmente é chamado de ‘universo infantil’. “Não é preciso mil estímulos para estabelecer a comunicação com a criança e compartilhar da experiência artística”, esclarecem Caísa e Nara, que escolheram tons neutros para compor a cenografia e o figurino.

A dramaturgia do espetáculo é evocativa e provocativa. Os elementos cênicos utilizados possibilitam uma recepção aberta, em que os signos evocam a diversidade das experiências cotidianas de bebês, crianças e adultos. As personagens/figuras permitem a comunicação com o público a partir dos gestos e da música, executada à capela e originalmente criada para o espetáculo, fazendo com que os espectadores compreendam a narrativa a partir de suas próprias referências e da criatividade de cada um. Assim, o espetáculo auxilia o espectador a tornar-se um co-criador da obra, acentuando a potencialidade do ser humano em criar.

Achadouros” tem ainda uma maneira especialmente poética de discutir a relação do ser humano com a natureza. As imagens de animais, rios e plantas, evocadas na obra de Manoel de Barros, compõem o mosaico natural e o ambiente lírico desse espetáculo, que fala do ser humano como ser integrante, dependente e transformador da natureza. A encenação em várias camadas, incita o espectador a criar sua própria fábula, afastando-o da condição de um mero receptor de informações.

O espetáculo está diretamente ligado à fase da descoberta das crianças, um importante pilar na ampliação da consciência do indivíduo e nos processos de inserção social.  Em cena, as descobertas acontecem dentro de um universo criativo e poético que é a própria metáfora da vida, com o nascimento, encontros e frustrações. O espetáculo traz à tona o mundo invisível e revela um universo mágico, que extrapola a consciência cotidiana e ingressa no campo das sensações e emoções comuns à humanidade.

“Achadouros” é uma poesia de esperança na capacidade criativa do ser humano e no poder regenerativo da natureza.

O Teatro para a Primeira Infância
O teatro para a primeira infância é um campo contemporâneo, de inovações cênicas e enormemente estudado e difundido por artistas, psicólogos, e educadores. Portanto esse projeto tem um caráter inovador de compromisso direto com uma linguagem cênica nova onde se fazem necessários uma interpretação teatral e um plano de execução específicos, que atendam um público tão especial. O espetáculo também se dirige aos educadores e aos adultos que podem, através da arte, redimensionar a sua própria relação com bebês quando muitas vezes, equivocadamente, subestimam a infinita capacidade de percepção e recriação destes. 

Durante um mês, as atrizes Caísa Tibúrcio e Nara Faria estudaram e mergulharam no universo infantil em visitas a uma creche, na companhia do diretor teatral José Regino. O resultado desse aprendizado foi essencial para a montagem. “A primeira infância é um lugar onde o jogo poético surge de brincadeira. Nela, encontramos fecundo material para o ‘fazer artístico’, pois nessa fase o espanto com as coisas ‘óbvias’ da vida é evidente. As crianças estão em ‘estado de poesia’, a linguagem e o corpo estão ainda brincando na sua formação”, afirma José Regino, que já participou de outros projetos teatrais com crianças da primeira infância e para bebês, como “Panapanã” e “Alma de Peixe”.

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade.
A gente só descobre isso depois de grande.” (Manoel de Barros)

SUGESTÃO DE SINOPSE PARA ROTEIRO:
Duas personagens convidam o público a aventurar-se com elas em seu quintal imaginário, através de encenação poético-teatral.

SERVIÇO – “ACHADOUROS”:

Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro

Data: Dias 3 e 4 de setembro de 2016 (sábado e domingo)
Horários: Sábado às 11 e 16h; Domingo às 11h e 16h (4 sessões)
Duração: 30 minutos
Local: Teatro III do CCBB-Rio
Endereço: Rua Primeiro de Março, nº 66 – Centro – Rio de Janeiro
Ingressos: Entrada Franca
*Retirada de senhas na Bilheteria do CCBB 30 minutos antes de cada apresentação. *
Funcionamento da Bilheteria: De quarta a segunda, das 9h às 21h
Capacidade da Sala: 86 lugares
Tel. para informações: (21) 3808-2052
Acesso para pessoas portadoras de necessidades especiais e cadeirantes.
Fraldário e Estacionamento para carrinhos de bebê.
Apresentação: FAC – Fundo de Apoio à Cultura
Apoio: Centro Cultural Banco do Brasil

FICHA TÉCNICA:

Elenco: Caísa Tibúrcio e Nara Faria
Direção: José Regino
Dramaturgia: Criação coletiva
Figurino: José Regino
Criação musical: Caísa Tibúrcio e Nara Faria
Cenografia: Chico Sassi
Iluminação: Marcelo Augusto
Produção geral: V4 Cultural
Produção executiva: Pedro Caroca
Designer gráfico: Jana Ferreira
Fotografia: Diego Bresani e Débora Amorim
Registro Videográfico e Edição: Fabiano Morari – Cachecol Filmes

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