Espetáculo “Os inadequados” estreia no Teatro Ipanema

Cia OmondÉ narra histórias de condomínios em novo espetáculo “Os inadequados” que estreia dia 4 de junho, sábado, no Teatro Ipanema
 
Viver dividindo o mesmo corredor pode ser uma tarefa reveladora. Esse tema rege a 5º peça da Cia OmondÉ, “Os inadequados”, com direção de Inez Viana, direção de produção de Claudia Marques e elenco formado por Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Juliane Bodini, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes, Marta Paret e Zé Wendell. A temporada de estreia acontece no Teatro Ipanema, Rio de Janeiro, de 4 a 27 de junho, sábados e segundas às 20:30h, e domingos às 19:30h. “Os inadequados” é uma metáfora bem humorada da sociedade contemporânea.
 
“Os inadequados” é uma peça sobre cartas de reclamação de condomínio. 8 atores narram, de maneira original, cartas reais de moradores que reclamam de barulho, sexo, animais, música, ou seja, comportamentos em geral, que apresentam características bem parecidas com as quais estamos vivendo atualmente, sobretudo, a intolerância. Uma mulher que não consegue dormir por causa do barulho do bar que fica embaixo de seu apartamento; um homem que tem seus passarinhos mortos por uma pessoa que se jogou do sétimo andar; uma mulher que exige o uso de uniforme porque confunde uma babá com a nova moradora; um porteiro que pede para ser despedido por sofrer preconceito; uma criança de 7 anos que sugere economia de água e energia, além da criação de uma horta orgânica; o síndico que pede o impedimento do seu mandato; são algumas das histórias escolhidas, entre inúmeras pérolas escritas em livros de vários condomínios. Poemas de Tiago Melo, Calderón de la Barca e Wislawa Szymborska, foram incluídos na dramatrugia da peça.
 
A Cia OmondÉ, toma como ponto de partida o discurso de um personagem, para chegar a um panorama do comportamento geral, validando o palco mais uma vez, como reflexão do ser humano.
 
– A sensação que temos é que a palavra do momento é intolerância. Talvez não seja só uma sensação… Por isso, acho que estamos precisando falar disso. E começamos por nós, pelo que está perto, pelo que conhecemos ou pensávamos conhecer, pelo que não suportamos, pelo que achamos inepto. Então, cada um de nós trouxe para a Cia o livro de cartas de reclamações do condomínio de seu prédio e foi aí que nos demos conta que temos mais vizinhos que imaginávamos. E eles têm opiniões e muitas reclamações. Às vezes iguais às nossas, pois reclamam das mesmas coisas, às vezes diferentes, bem diferentes de como pensamos. Mas todos, sem exceção, querem respeito, igualdade e atenção. E podemos notar também o quanto somos intolerantes e egoístas. Viver sob o mesmo corredor pode ser uma tarefa reveladora, e só no convívio com o outro nos percebemos, nos espelhamos e até nos escutamos –, comenta a diretora Inez Viana.
 
“O medo e a violência, principais “peças” no marketing e uma das principais razões levantadas pelos consumidores desse produto do mercado imobiliário, precisam ser demarcados em termos de seu significado social. Se, de um lado, as pessoas se sentem mais seguras ao se isolarem em seu espaço de moradia, de outro, é esse mesmo isolamento que provoca cisões no tecido social, visto que impede o reconhecimento do Outro, das diferenças, bloqueando as possibilidades de estabelecimento de relações. E essa fratura social é um dos principais fatores que contribuem para o aumento da violência urbana. É preciso uma reflexão profunda sobre os rumos que a cidade irá tomar caso a disseminação dos condomínios fechados mantenha-se no ritmo que se encontra. Todos os setores da sociedade devem ser envolvidos, não apenas políticos, gestores e urbanistas, mas, principalmente, os empreendedores e cidadãos da cidade que devem estar conscientes das consequências sociais que o isolamento e a segregação do espaço provocam no complexo sistema urbano.” – Recorte do texto de Andreia Aparecida Barbeiro, publicado em Condomínios fechados – A origem e evolução do fenômeno urbano.
 
Sobre a Cia OmondÉ
A Cia OmondÉ surgiu no final de 2009 da vontade da diretora e atriz Inez Viana em formar um grupo com atores vindo de várias partes do Brasil, para o aprofundamento de uma pesquisa cênica, onde a diversidade, a brasilidade e o diálogo com a cena mundial contemporânea fossem concomitantemente estudados. Trata-se de uma busca aos signos do teatro, infinitos se pensarmos na precisão de um gesto ou na magia do aparecimento de um objeto em cena, levando o espectador a ser cúmplice não-passivo, co-autor e não somente voyer do espetáculo. O repertório da OmondÉ é composto pelas das peças: “As conchambranças de Quaderna” (2009) de Ariano Suassuna, “Os mamutes” (2011) de Jô Bilac, “Nem mesmo todo o oceano” (2013) de Alcione Araújo e “Infância, tiros e plumas” (2015) de Jô Bilac.
 
“As conchambranças de Quaderna” recebeu os prêmios: Shell de melhor direção musical (Marcelo Alonso Neves), APTR de melhor atriz coadjuvante (Dani Barros) e Contigo de Teatro para melhor espetáculo de comédia (júri popular e júri oficial), além de indicações aos prêmios: Shell de melhor direção (Inez Viana), Prêmio APTR de melhor direção (Inez Viana), APTR de melhor ator protagonista (Leonardo Bricio), APTR de melhor figurino (Flavio Souza) e Qualidade Brasil de melhor ator de comédia (Leonardo Bricio).
 
“Os mamutes” recebeu os Prêmio FITA de melhor direção (Inez Viana), melhor atriz protagonista (Debora Lamm) e melhor figurino (Flavio Souza), além de indicações aos prêmios Shell de melhor figurino (Flavio Souza), APTR de melhor atriz (Debora Lamm) e Questão de Crítica de melhor atriz (Debora Lamm) e melhor figurino (Flavio Souza).
 
“Nem mesmo todo o oceano” foi indicado aos prêmios: APTR na categoria melhor produção (Claudia Marques) e Questão de Crítica nas categorias melhor direção (Inez Viana) e melhor trilha Sonora (Marcelo Alonso Neves).
 
“Infância, tiros e plumas” recebeu indicações aos prêmios: Questão de Crítica de melhor cenário (Mina Quental) e CENYMS nas categorias melhor espetáculo, melhor texto original (Jô Bilac), melhor Cia de teatro (OmondÉ), melhor qualidade técnica, melhor cenário (Mina Quental), melhor iluminação (Renato Machado e Ana Luzia de Simoni), melhor trilha sonora original ou adaptada e melhor efeitos sonoros ou fundo musical.
 
Sobre a diretora Inez Viana
Natural do Rio de Janeiro, Inez Viana é formada pela CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, desde 1987. Atriz de sucesso no teatro, televisão e cinema, em 1999, dirigiu e roteirizou o documentário “Cavalgada à Pedra do Reino”, baseado no Romance d’A Pedra do Reino de Ariano Suassuna. Em 2008 recebeu o Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz por sua atuação na peça “A mulher que escreveu a Bíblia”, pela qual também foi indicada aos prêmios Shell e APTR. Em 2010 dirige “As conchambranças de Quaderna”, texto inédito de Ariano Suassuna, onde obteve críticas elogiosas e recebeu indicações aos prêmios Shell e APTR de melhor direção. Com essa peça Inez funda sua Cia OmondÉ.
 
Fora da Cia OmondÉ, Inez Viana dirigiu os espetáculos: “Amor Confesso” (2011) de Arthur Azevedo, “Maravilhoso” (2013) de Diogo Liberano, “Cock – Briga de Galo” (2014) de Mike Bartlett, “Meu passado me condena” (2014) de Tati Bernardi, “Não vamos pagar!” (2014) de Dario Fo, “O que você vai ver” (2014), livremente inspirado em ‘All That Fall’ de Samuel Beckett, “Memórias de Adriano” (2015) de Marguerite Yourcenar, entre outros. Também dirigiu os shows: “João do Vale, na asa do vento” (2010) com Chico César, Teresa Cristina e Flávio Bauraqui, “Breque Moderno” (2010) com Soraya Ravenle e Marcos Sacramento, e “Orlando Silva – Nada Além” (2016), com o ator-cantor Tuca Andrada.

Ficha técnica
Texto: Cia OmondÉ
Direção: Inez Viana
Direção de Produção: Claudia Marques
Elenco: Cia OmondÉ – Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Juliane Bodini, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes, Marta Paret e Zé Wendell (stand in: Helder Agostini)
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
Cenário, figurino e direção musical: Cia OmondÉ
Colaboração dramatúrgica: Helder Agostini
Programação visual: Daniel de Jesus
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotos de Divulgação: Elisa Mendes
Assistentes de direção: Helder Agostini e Lucas Lacerda
Assistente de produção: Thamires Trianon
Produção executiva: Jéssica Santiago
Realização: Fábrica de Eventos e Eu+Ela
 
Serviço
 “Os inadequados”
Local: Teatro Ipanema. Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema, Rio de Janeiro (tel. 3594-2690)
Temporada: 4 a 27 de junho, sábados e segundas às 20:30h, e domingos às 19:30h
Funcionamento da bilheteria: de quarta a domingo das 14h às 20h
Vendas pela internet: http://www.compreingressos.com
Ingresso: R$ 30,00 (inteira)
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos

DEIXE UM COMENTÁRIO