Encontro das Tribos celebra o rap e o reggae na Lapa

Rael no Encontro das Tribos / Foto: Sopa Cultural

Rolou nesta sexta (22), na Fundição Progresso, o Encontro das Tribos de Férias. O Festival reuniu grandes nomes do hip-hop e do reggae, como Costa Gold, Black Alien, Chimarruts e Rael, além de Modestiaparte e Raízes que Tocam.

Reconhecidamente gêneros consagrados no underground, o ritmo e poesia e o reggae foram muito bem representados essa noite na Lapa. Seja nas letras fortes e cheias de protesto do rap, ou nos embalos do som dançante do dub, quem esteve presente na Fundição certamente não deixou de ser contagiado pelo som.

A celebração teve a vibração positiva da banda Raízes que Tocam, que não decepcionou quem chegou cedo, e elevou o nível do espetáculo com um reggae raiz de altíssima qualidade. A banda tocou seus principais sucessos, com um instrumental bem afinado.

A noite seguiu com o público agitado com o sistema de som pesado do Dub Ataque, tocando suas parcerias que foram cantadas em coro pelos fãs, como a música Fé, feita junto de Hélio Bentes, do Ponto de Equilíbrio e do grupo Oriente.

Já depois de meia noite, subiu ao palco Black Alien, ou, para os íntimos e fãs, Gustavo de Nikit. Mostrando letras cada vez mais maduras e que colocam o dedo na ferida, do seu último álbum “No princípio era o Verbo”, Black Alien seguiu a levada com a mesma disposição de quando era integrante do Planet Hemp. Parecia que o tempo não havia passado, e assim, o público presente levantou quando o cantor puxou a música “Contexto”, sucesso do grupo. O show terminou com músicas do seu primeiro cd solo, o Babylon By Gus, um dos discos mais celebrados na cena do rap.

O reggae voltou a dar as caras no Festival quando a banda Chimarruts subiu ao palco. E o clima de engajamento também. Além de cantar os sucessos da banda, muito deles românticos, como “Versos Simples”, a vocalista Tati Portella mostrou um discurso afiado. “Estamos todos vivendo uma situação horrível, uma crise, e eu acho que só o amor pode resolver isso”, falou em meio ao show, arrancando aplausos do público. O setlist ainda passeou por sucessos nacionais do reggae, como “Sorri, Sou Rei”, da banda Natiruts, e teve a participação de Edu Ribeiro, cantor da música de sucesso “Me namora”.

O público não dava sinais de cansaço quando o rapper Rael começou seu show, um dos mais esperados da noite. Com suas músicas que transitam desde o romance até as mazelas sociais, o cantor brindou os presentes com seus maiores sucessos, como “Envolvidão”, “Ela me Faz” e “Ser Feliz”. Além disso, resgatou músicas do seu antigo grupo, Pentágono e até cantou Racionais. O show manteve um nível alto do começo ao fim, e teve um dos grandes momentos quando, ao comentar sobre problemas sociais, Rael parafraseou Black Alien e com o dedo em histe, convocou a plateia a exorcizar todo tipo de preconceito.

A noite longa contou também com o rap dos grupos Modestiaparte e Costa Gold. Mostrando que, no que depender de qualidade, o hip-hop, o dub e o reggae vão continuar levantando públicos por onde passarem.

A Chimarruts

O show de ontem também foi marcante para a banda Chimarruts, pois puderam mostrar ao público, em primeira mão, uma música do seu novo disco, que está em fase de produção.

Voltando à Fundição Progresso 4 meses depois de ter se apresentado no mesmo local com o cantor Armandinho, a banda, que completa 16 anos de estrada, está produzindo seu quinto disco, que será nomeado “A Diferença”.

O disco está sendo produzido com a ajuda do financiamento coletivo dos fãs, e, como o próprio nome sugere, tem como tema principal a diferença. “O tema vai abranger todas as músicas, eu acho que ficou um trabalho mais maduro da Chima”, conta a vocalista Tati Portella.

O lançamento do disco está previsto para setembro, e tem um toque especial de cada um dos 8 integrantes da banda, trazendo para o trabalho nuances diferentes que encorpam o som da Chimarruts.

Banda Chimarruts no Encontro das Tribos / Foto: Sopa Cultural
Banda Chimarruts no Encontro das Tribos / Foto: Sopa Cultural

Sobre o show dessa sexta, e o encontro de ritmos, Tati diz que, independente do público, a mística de subir ao palco e cantar é a mesma. “Eu acho muito místico mesmo, quando subo no palco eu sou um canal e a música acontece”, conclui.

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