Em menos de um mês, exposição de Chagall e La Fontaine chega a 15 mil visitantes nos Correios

Exposição inédita no Rio de Janeiro apresenta 100 fábulas de La Fontaine ilustradas pelo artista russo Marc Chagall. Dez delas são recriadas e musicadas pelo músico compositor Luciano Oze

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro apresenta a exposição inédita Marc Chagall, Fábulas de La Fontaine, até 20 de setembro de 2015, com curadoria de Enock Sacramento. A mostra apresenta uma série de 100 gravuras em metal realizadas pelo artista russo Marc Chagall entre 1927 e 1930, sobre a obra do fabulista francês Jean de La Fontaine, editadas por Ambroise Vollard em 1952. Além de admirar, o público poderá ouvir, ler e vivenciar as obras por meio de livros e de áudios disponíveis na exposição. Em menos de um mês, mais de 15 mil pessoas já visitaram a exposição.  A mostra é patrocinada pelos Correios e tem entrada gratuita.

Algumas  fábulas foram  reproduzidas em áudio, a fim de proporcionar a inclusão de não videntes à mostra e a interação do público em geral com as estórias. Há ainda a possibilidade de ler as fábulas por meio de livros dispostos pelo Centro Cultural dos Correios Rio de Janeiro, ação desenvolvida a fim de fomentar a leitura, principalmente do público infanto-juvenil – em um ambiente fantástico-fabuloso que estimula a curiosidade e aproxima o público às obras.

“E, se agora me perguntarem: ‘Por que Chagall?’ Respondo: ´Ora, precisamente porque sua estética me parece bem mais próxima e, em certo sentido, aparentada à de La Fontaine, ao mesmo tempo densa e sutil, realista e fantástica.” Essas palavras de Ambroise Vollard – marchand de Chagall – permitem a compreensão do sincretismo envolvido entre as obras do artista russo e as fábulas do escritor francês. Os temas de Chagall buscam explorar um universo mágico, que vai além da realidade e universalidade. Marc Chagall consegue representar em suas obras toda uma diversidade de sentimentos, enaltecendo a subjetividade e sugerindo em sua estrutura semi-simbólica a narratividade presente na fábula.

Para o curador da mostra, Enock Sacramento: “Trata-se de uma oportunidade rara de conhecer esta série em que o mais importante artista plástico judeu do século XX recria plasticamente a fina ironia dos  textos alegóricos do escritor francês”.

Sobre o artista:

Marc Chagall nasceu na aldeia de Vitebsk, na Bielorrússia, em 7 de julho de 1887. O pintor, ceramista, gravador e vitralista surrealista chamava-se, na verdade, Moishe Zakharovich Shagalov. Sua iniciação no universo das artes plásticas ocorreu no ateliê de um célebre pintor de retratos local. Em 1908, entrou na Academia de Arte de São Petersburgo, daí partindo para Paris.

No universo de fauvistas e de cubistas, em um contexto no qual imperava um sistema filosófico que valorizava apenas a forma, marcado também pela abstração, a obra de Chagall se distinguia pela presença do conteúdo temático surreal, o qual revela suas origens nas esferas emocionais e culturais do pintor.

Após o desabrochar da Revolução Socialista de 1917, o artista alcança o posto de comissário de belas-artes, no governo de Vitebsk. Ele institui, então, sua própria escola artística, livre para incluir qualquer inclinação modernista. Ao se confrontar com Kasimir Malevich, pintor soviético pertencente à vanguarda russa, ele pede demissão do seu cargo.

Uma versão das Fábulas de La Fontaine foi ilustrada por Chagall, em 1927. Sua etapa paisagística, marcada pela temática das flores, pertence a este período.

Marc Chagall morreu em Saint-Paul-de-Vence, no dia 28 de março de 1985, como um dos maiores e mais famosos pintores do século XX.

Jean de La Fontaine nasceu em 8 de julho de 1621. Era filho de um inspetor de águas e florestas, e nasceu na pequena cidade de Chateau-Thierry. Estudou teologia e direito em Paris, mas seu maior interesse sempre foi a literatura.

Prestou serviços ao ministro das finanças Nicolas Fouquet, mecenas de vários artistas, a quem dedicou uma coletânea de poemas. Escreveu o romance “Os Amores de Psique e Cupido” e tornou-se próximo dos escritores Molière e Racine.

Em 1668, foram publicadas as primeiras fábulas, num volume intitulado “Fábulas Escolhidas”. O livro era uma coletânea de 124 fábulas, dividida em seis partes. La Fontaine dedicou este livro ao filho do rei Luís 14. As fábulas continham histórias de animais, magistralmente contadas, contendo um fundo moral. Escritas em linguagem simples e atraente, as fábulas de La Fontaine conquistaram imediatamente seus leitores.

Em 1683, La Fontaine tornou-se membro da Academia Francesa. Em 1692, La Fontaine, já doente, converteu-se ao catolicismo. Morreu em 13 de abril de 1695.

Exposição “Marc Chagall, Fábulas de La Fontaine”
Abertura para convidados: 22 de julho, às 19h
Visitação para o público: 23 de julho a 20 de setembro de 2015.
Local: Centro Cultural Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro.
Horário: de terça a domingo, das 12h às 19h.
Classificação etária: Livre para todos os públicos.
Entrada Franca
Acesso para pessoas com deficiência
Classificação Livre
Realização: Arte Impressa
Patrocínio: Correios
Acesso para pessoas com necessidades especiais

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