Elaine Dias: a protagonista do espetáculo Morro da Trincheira

Elaine Dias
Elaine Dias

A protagonista do espetáculo Morro da Trincheira, Elaine Dias, sabe que histórias de sucesso são construídas e legitimadas com o tempo e que, na maioria das vezes, não acontecem da noite para o dia. Dirigida por Jonas França e Alex Borges, com supervisão artística de Rogério Blat, a atriz tem em sua trajetória momentos importantes que marcaram a formação de sua carreira. A seguir, a atriz capixaba conta um pouco sobre o início nas artes, as repentinas mudanças – tão importantes no processo de formação da profissão -, bem como desafios,  características e planos para o futuro. Em um papo descontraído, Elaine revelou como se tornou a protagonista de uma peça de sucesso na capital carioca.

Como aconteceu a sua entrada na Cia Abraço da Paz?
Eu me formei na escola profissionalizante do Sated RJ e lá conheci um amigo que me levou para fazer parte da cia Tumulto, na Cidade de Deus, dirigida pelo Anderson Quack. Lá conheci o Alex e alguns anos após termos saído da Cia nos reencontramos na estreia de um amigo e ele me fez o convite. A única garantia era que teríamos duas apresentações no Theatro Net Rio. Porém, a peça estreou em 2014 e está viva até hoje! Nos apresentamos em vários teatros, sempre com um público muito bom, e provavelmente em breve a peça estará em cartaz novamente.

Tem alguma característica da sua personagem na qual você se identifica?
No começo eu achava que não tinha nada. São realidades bem distintas. Mas acho que temos uma característica em comum: o lado sonhadora. Sandra acredita que a vida sempre pode ser melhor, e eu também, independente da dificuldade momentânea e dos desafios que enfrentamos no dia a dia.

Elaine Dias
Elaine Dias

Na peça, sua personagem saiu de casa para viver um grande amor. Você teria a mesma atitude? Ou acredita que é uma história que funciona bem apenas nos romances?
Eu acredito que muitas pessoas apostam nos seus sonhos. Independente de quais sejam. Mas eu confesso que não sou muito romântica (risos). Acho que mudanças que são tomadas em prol do outro devem ser muito bem pensadas e planejadas. Sou muito cautelosa nesse aspecto. As escolhas são minhas, e costumo assumir as responsabilidades de erros e acertos. Deixei meus pais que são meus maiores amores em outra cidade. Sou filha única. Paguei e pago até hoje um preço alto por isso.

 Vc é graduada em jornalismo e pedagogia. Em que momento você visualizou que seria no teatro a sua grande realização profissional?
O teatro veio antes de tudo. Fazia aquelas encenações no ensino fundamental, que geralmente todo mundo faz, mas comecei a estudar com uma professora de teatro com apenas 12 anos. Aos 14 já estava fazendo parte de uma Cia capixaba e depois comecei a trabalhar com teatro corporativo também. Parei um tempo com o teatro no Espírito Santo na época da graduação. Fazia pedagogia de manhã, estagiava à tarde, e de noite Jornalismo. Não tinha tempo mesmo. Precisava fazer uma graduação para ter o aval da minha família e me mudar. Na época não tinha graduação em Artes Cênicas no Espírito Santo. Se não, teria feito com total apoio da família, que sempre foi minha maior incentivadora.

Quais foram seus principais desafios quando chegou ao Rio para viver o seu grande sonho?
Eu era de uma ingenuidade que chega a ser engraçado. Como eu trabalhava com teatro em Vitória, eu achava que aqui seria mais fácil por ser uma cidade grande, com mais oportunidades. Mas a concorrência é maior. Existem pessoas equivocadas, que não levam a sério, mas tem muita gente séria que estuda e se recicla o tempo todo. A carreira é uma construção, com o tempo o mercado vai te legitimando. É um processo lento. Lembro no começo que eu não era chamada para teste nenhum. Era desesperador! Já faz alguns anos que tenho bastante acesso aos testes, e em alguns casos, a aprovação já acontece direto por foto e vídeo, já que o produtor confia no meu trabalho e envia o material. Mas ainda tenho muito chão pela frente.

Você também foi coordenadora e professora de teatro na Central Única das Favelas (CUFA). Como foi a experiência de aliar o teatro e a educação?
Sem dúvida foi uma das experiências mais bonitas. O convite do Quack apostando na minha competência foi muito importante para o meu amadurecimento enquanto profissional. Comecei a ter um senso de direção e produção que me auxiliam até hoje, também enquanto atriz. Aprendi e me diverti muito com a criatividade dos meus alunos. Depois pude explorar ainda mais isso ministrando oficinas de teatro para empresas em todo o Brasil. Ampliei o leque. Com certeza foi um divisor de águas na minha carreira.

Quais são os projetos para o futuro?
Atualmente estou investindo no canto e pretendo voltar para as aulas de dança. Acho importante o artista fazer outras coisas além de atuar. Além dos musicais brasileiros que tenho grande identificação, tenho vontade de fazer um espetáculo com canto e dança. Quem não aprecia um grupo como o Galpão, onde os artistas atuam, cantam, dançam e tocam instrumentos, não é mesmo?

DEIXE UM COMENTÁRIO