Dupla jornada

O médico Marcio Carvalho Jorge concilia os plantões com os treinos do Concurso Completo de Equitação

Aos 40 anos, o anestesiologista paulista Marcio Carvalho Jorge é um dos líderes da equipe brasileira de Hipismo CCE, o Concurso Completo de Equitação. Considerado o “triatlon equestre”, a prova mais radical do Hipismo reúne competições de Adestramento, Cross Country e Salto, realizadas em dias consecutivos. No Adestramento, o conjunto precisa efetuar determinados movimentos de diferentes graus de dificuldade mostrando entrosamento e equilíbrio. No segundo dia acontece o Cross-country, um percurso com obstáculos inspirados no meio rural, sempre com alto grau de dificuldade. A última prova é o Salto, onde o conjunto precisa transpor obstáculos móveis de diferentes alturas, mostrando controle e precisão. Na reta final dos preparativos para as Olimpíadas de 2016, a equipe brasileira de Hipismo CCE está entre as oito melhores do mundo e é treinada por um bicampeão olímpico, o neozelandês Mark Todd. “Ele é o melhor de todos os tempos no CCE”, afirma o Dr. Marcio.

O médico trabalha todos os dias no Hospital São Jorge, na cidade paulista de Barretos, das 7 às 15 h. Depois do plantão, vai direto para sua fazenda, o Haras Horse Cross – onde, no ano passado, foi disputado o Sul-Americano de Hipismo CCE. Lá, ele monta os seus cavalos até as 21 h. Mario é tricampeão nacional, foi medalha de bronze por equipes nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011 e nono por equipes nas Olimpíadas de Londres, em 2012. É o brasileiro mais bem posicionado no ranking mundial do CCE – ocupa o 55º lugar. Mas o resultado de que mais se orgulha é o 23º lugar no tradicionalíssimo Badminton Horse Trials, na Inglaterra, no ano passado. Dos 83 concorrentes que largaram no Adestramento, somente 35 completaram a dura etapa do Cross-country. “O cross estava bem forte e com muita chuva, muitas quedas e refugos antes de mim. Fiz zero no cross e a Josephine, minha égua, saltou demais. Aí foi só alegria e emoção!”, vibra o médico, prestes a embarcar os Jogos Pan-Americanos de Toronto – as provas de CCE serão realizadas de 17 a 19 de julho.

Jogos Cariocas – Desde quando pratica o hipismo?
Marcio Carvalho Jorge – Aos seis anos, na fazenda com meu avô Mario Carvalho no município paulista de Colina, comecei a montar os primeiros cavalos. E iniciei o hipismo logo em seguida. Mas só comecei a levar mais a sério aos 14 anos, quando fui ao Campeonato Europeu de Juniores, na Inglaterra, competir no time brasileiro, que foi convidado especial do evento.

Jogos Cariocas – Qual a contribuição que o hipismo deu à sua vida?
Marcio Carvalho Jorge – O cavalo nos ensina muito. Principalmente disciplina, dedicação e amor no dia a dia nos treinos. Acho que as muitas horas de treino e dedicação, sempre com vontade de ganhar, são meus pontos fortes.

Jogos Cariocas – Quais são os seus cavalos em melhor estágio atualmente? E quais são as características de cada um deles?
Marcio Carvalho Jorge – A Lissy é uma égua com muita energia e personalidade forte, com bastante potência e velocidade. O Coronel é um cavalo calmo e muito constante, de extrema qualidade. O Winner JCR é muito habilidoso, muito forte e um tanto temperamental. Já o Couer D’Orame é muito potente e veloz, mas de personalidade difícil. Até as Olimpíadas de 2016, vamos ver quais deles estarão em melhores condições para a competição no Rio de Janeiro.

Jogos Cariocas – Como estão suas chances de estar nas Olimpíadas de 2016?
Marcio Carvalho Jorge – Acho que tenho boas chances. Tenho quatro cavalos muito bons, que estarão na briga para fazer parte do time. Vamos participar de algumas competições importantes em 2015. Depois do Pan de Toronto, teremos em agosto o Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro, que será a prova teste das Olimpíadas de 2016. Depois, ainda haverá o CCI 3 em Barretos, em novembro.

Jogos Cariocas – O que espera das próximas Olimpíadas? Já sonhou com os Jogos Rio 2016?
Marcio Carvalho Jorge – Sim, sonho sempre e também sonho com a medalha de ouro! Uma  competição olímpica é sempre uma emoção imensa. Adrenalina, pressão e responsabilidade são sentimentos que, juntos, são inigualáveis. Participar das Olimpíadas é uma sensação maravilhosa, que torna o esporte a melhor de todas as atividades. Acredito que as perspectivas da equipe brasileira no Concurso Completo de Equitação para as Olimpíadas do Rio de Janeiro são bastante otimistas.


por Luiz Humberto Monteiro Pereira
jogoscariocas@gmail.com

 

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