Diplomacia

Vinte e cinco de agosto de 1944. Os aliados entram em Paris. Antes do amanhecer, o general alemão Dietrich von Choltitz prepara-se para cumprir as ordens de Adolf Hitler e explodir a capital francesa. Pontes e monumentos estão prontos para explodir. Amanhece e Paris não é destruída. Por quais razões von Choltitz não seguiu as ordens de Hitler, apesar da sua lealdade ao Terceiro Reich? Durante a noite o General recebe o cônsul geral da Suécia. O que nessa conversa fez o General mudar de ideia?

Ficha técnica

DIPLOMACIA

Diplomatie / França – Alemanha / 2014 / Cor / 88 min. / Janela 2.35:1 / Som Dolby Digital / Classificação: 14 anos / Direção: Volker Schlöndorff / Roteiro: Cyril Gely e Volker Schlöndorff / Fotografia: Michel Amathieu  / Montagem:  Virginie Bruant / Seleção de elenco: Okinawa Valérie Guerard / Figurino:  Elise Cribier-Delande / Produção:  Marc de Bayser / Empresa produtora:  Film Oblige

Elenco: André Dussollier (Cônsul Raoul Nordling), Niels Arestrup (General Dietrich von Choltitz), Burghart Klaußner (Hauptmann Werner Ebernach) Robert Stadlober (Lieutenant Bressensdorf), Charlie Nelson, Jean-Marc Roulot, Stefan Wilkening , Thomas Arnold, Lucas Prisor, Attila Borlan e Marie Dompnier.

Festival de Berlim – Seleção Oficial

Vencedor do Prêmio César de Melhor Roteiro Adaptado

O diretor:
Volker Schlöndorff nasceu em 31 de março de 1939, em Wiesbaden , na Alemanha. Ainda jovem ele foi morar na França, onde pretendia ficar por apenas dois meses, mas acabou permanecendo por 10 anos, passando assim a maior parte de sua juventude em Paris, cidade em que completou seus estudos, com ênfase em Ciência Política. Entre as suas primeiras experiências no cinema, destacam-se trabalhos como assistente de direção de grandes diretores franceses, como Louis Malle , Alain Resnais e Jean -Pierre Melville. Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro e da Palma de Ouro em Cannes por “O Tambor” (1979), Schlöndorff é, provavelmente, um dos diretores alemães mais importantes e bem-sucedidos internacionalmente, com uma preferência acentuada para adaptações de clássicos da literatura alemã e mundial. É notável o seu talento para adaptar obras consideradas “infilmáveis”, tornando-as acessíveis e compreensíveis para o público em geral. Porém, temas relacionados à crítica social têm forte presença em seu trabalho de forma generalizada. Portanto, todos os seus filmes podem tratar de assuntos desafiadores, mas sempre com uma linguagem leve e divertida, como é o caso de “Diplomacia”.

Os protagonistas:
André Dussollier, intérprete do cônsul sueco Raoul Nordling, é um ator francês, nascido em Annecy, em 17 de janeiro de 1946. Com uma carreira que já dura mais de 40 anos, sua estréia no cinema foi uma pequena participação não creditada na comédia “Ils” (1970), de Jean-Daniel Simon. Dois anos depois ele viria a participar de “Uma Jovem Tão Bela Como Eu” (1972), de François Truffaut, mas os trabalhos para a TV ainda eram predominantes em seu currículo, sendo assim até o início da década de 80. Sua extensa filmografia é repleta de filmes icônicos, dirigidos por grandes nomes do cinema europeu, e entre eles destacam-se: “Toda Uma Vida” (1974), de Claude Lelouch, indicado ao Oscar de Roteiro Original; “Alice ou A Última Fuga” (1977), Claude Chabrol; “Um Casamento Perfeito” (1982), de Eric Rohomer; “3 Homens e um Bebê” (1985), de Coline Serreau, indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro; “Um Coração no Inverno” (1992), de Claude Sautet ; “O Olhar da Inocência” (1999), de Jean Becker; “Os Atores” (2000), Bertrand Blier; “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001), indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, “Eterno Amor” (2004), e “Micmacs – Um Plano Complicado” (2009), os três de Jean-Pierre Jeunet ; e “Não Conte à Ninguém” (2006), de Guillaume Canet. Dussolier firmou-se ainda como um dos atores prediletos do grande mestre Alain Resnais, com quem trabalhou em oito filmes: “A Vida é um Romance” (1983),”Morrer de Amor” (1984), “Melô” (1986),”Amores Parisienses” (1997), “Beijo Na Boca, Não” (2003),”Medos Privados em Lugares Públicos” (2006),”Ervas Daninhas” (2009) e “Amar, Beber e Cantar” (2014).

Niels Arestrup, por sua vez, o ator que interpreta o general alemão Dietrich von Choltitz, é na realidade francês, e nasceu em oito de fevereiro de 1949, em Seine-Saint-Denis. A sua estréia no cinema aconteceu em “Je, Tu, Il, Elle” (1974), de Chantal Akerman, marcando assim o início de uma filmografia bastante versátil, com diversos filmes premiados e conhecidos internacionalmente, a exemplo de “Stavisky” (1974), de Alain Resnais; “Se Tivesse que Refazer Tudo” (1976), de Claude Lelouch; “O Futuro É Mulher” (1984), de Marco Ferreri; “Encontro com Vênus” (1991), de István Szabó; “De Tanto Bater Meu Coração Parou” (2005) e “O Profeta” (2009), ambos de Jacques Audiard; “O Escafandro e a Borboleta” (2007), de Julian Schnabel; “A Chave de Sarah” (2010), de Gilles Paquet-Brenner; “Cavalo de Guerra” (2011), de Steven Spielberg; “O Palácio Francês” (2013), de Bertrand Tavernier; e “À Beira Mar” (2015), de Angelina Jolie.

CartazO diplomata:
Raoul Nordling nasceu em 11 de novembro de 1881, em Paris, porém sua nacionalidade era sueca, pelo fato de seu pai ser cidadão sueco de nascimento, um empresário do ramo de papel, estabelecido na França. Raoul estudou e passou a maior parte de sua vida na capital francesa, mas, à época de sua transição para a idade adulta, ele esteve na Suécia por um tempo, até cumprir seus deveres junto ao serviço militar. De volta à França, ele foi nomeado vice-cônsul da Suécia, em 1905, com apenas 24 anos de idade. Mais tarde, em 1917, tornou-se cônsul e, em 1926, ano da morte de seu pai, ele, finalmente, passou a cônsul geral. Ao longo de sua vida diplomática, ele desempenhou papel importante na mediação entre a Suécia e a França. Mas, sem dúvida, o que mais marcou sua história foram os esforços pela pacificação entre as forças francesas e alemãs durante a ocupação, em favor da libertação de Paris durante a Segunda Guerra Mundial, negociando diretamente com o general alemão Dietrich von Choltitz, para impedir a destruição de Paris, até então programada para acontecer em 25 de agosto de 1944. Após a Libertação, ele foi condecorado pela França e seu nome veio a ser inscrito como placa de rua, em Neuilly, e também de uma praça, no 11º Arrondissement. Faleceu em primeiro de outubro de 1962, aos 80 anos, em Paris.

O general:
Nascido em nove de novembro de 1894, em Wiesegräflich, na Alemanha, aos 20 anos Dietrich von Choltitz já era um oficial cadete lutando na infantaria durante a Primeira Guerra Mundial. No intervalo entre as duas guerras, ele serviu na infantaria e na cavalaria, porém, com o início da Segunda Guerra, em 1939, a sua carreira militar progrediu levando-o a alcançar altas patentes num curto período. Enfim, ao ser indicado comandante oficial da Fortaleza Paris, em sete de agosto de 1944, coube a ele a terrível tarefa, ordenada por Hitler, de detonar a destruição de Paris, marcada para 25 de agosto do mesmo ano. Ao desistir do plano, em 24 de agosto, véspera do que seria o dia do atentado, ele foi preso sendo libertado em 1947, dois anos após o fim da guerra. Passou os últimos anos de sua vida em Baden-Baden, na Alemanha, até falecer, em cinco de novembro de 1966, quatro dias antes do seu aniversário de 72 anos, deixando publicado um livro de memórias intitulado “De Sebastopol a Paris”.

Palavras do diretor:

“Um duelo entre duas pessoas completamente diferentes: um blindado pela obediência incondicional aos militares, o outro armado com a palavra da razão.”

Revelações:

Em meados da década de 60, os escritores Dominique Lapierre e Larry Collins, autores de “Paris Está em Chamas?”, à época das pesquisas para o livro, estiveram frente a frente com o já aposentado ex-general Dietrich von Choltitz, em sua residência na cidade alemã de Baden-Baden. Durante a conversa, ele revelou que o comando alemão havia enviado a Paris reforços de artilharia e poderosas unidades de demolição, capazes de explodir as pontes da cidade e mais uma grande quantidade de indústrias. Além disso, ainda estava a caminho um artefato de grande poder destrutivo, que ele próprio já havia utilizado para arrasar Sebastopol, na Rússia. Por que, então, esse inferno não aconteceu em Paris? Entre tantas possíveis razões, ao analisarem minuciosamente a personalidade do ex-nazista, os escritores deram importância ao fato de que, na época, ele havia acabado de voltar da Normandia com o trauma de ter presenciado o massacre de sua tropa por um mar de fogo lançado por blindados e pelos aviões aliados. Além disso, segundo o próprio von Choltitz, no seu encontro com Hitler, em sete de agosto de 1944, quando foi nomeado comandante oficial da Fortaleza Paris, ele se viu diante de um homem doente, tomado por um surto megalomaníaco, uma imagem muito diferente do líder soberano que ele esperava ver, o que o decepcionou profundamente.

Curiosidades:

-O encontro entre o general e o diplomata reproduzido no filme não aconteceu na realidade. No entanto, eles se reuniram diversas vezes alguns dias antes de 24 de agosto para negociar uma troca de prisioneiros e uma trégua.

-À época do fato retratado no filme, os personagens reais, o cônsul Raoul Nordling e o general Dietrich von Choltitz, tinham 62 e 49 anos de idade, respectivamente.

-O roteiro foi escrito por Volker Schlöndorff em parceria com o francês Cyril Gely, autor da peça teatral homônima que inspirou o filme.

-A peça estreou em 2011, no Théâtre de la Madeleine, em Paris, com os atores André Dussollier e Niels Arestrup desempenhando no palco os mesmos personagens que representam no filme.

-A história é baseada em uma notícia publicada pelo jornal francês Le Figaro, de acordo com arquivos militares alemães, que citavam o plano de destruição de Paris em agosto de 1942.

– O fato inspirou o best-seller “Paris Está em Chamas?”, escrito pelo americano Larry Collins em parceria com o francês Dominique Lapierre, lançado em 1965.

-O livro, por sua vez, deu origem a um filme homônimo, dirigido por René Clément , com roteiro de Gore Vidal e Francis Ford Coppola, lançado em 1966. O elenco estelar contava com Orson Welles, Alain Delon, Jean-Paul Belmondo, Leslie Caron, Anthony Perkins, Kirk Douglas, Simone Signoret, Glenn Ford, Yves Montand, Michel Piccoli e Jean-Louis Trintignant.

-No clássico filme de René Clément, o diplomata sueco Raoul Nordling foi interpretado por Orson Welles, enquanto o alemão Gert Fröbe ficou com o papel do general nazista Dietrich von Choltitz.

-O histórico hotel Le Meurice, que ambienta as cenas do encontro entre o diplomata sueco e o general nazista, foi fundado em 1835 e serviu de QG para as tropas nazistas durante a ocupação alemã na Segunda Guerra, além de ter sido, praticamente, residência de Salvador Dali por quase três décadas. O local já serviu de cenário para diversos outros filmes, entre eles “Paris Está em Chamas?” (1966), de René Clément; “Julia” (1977), de Fred Zinnemann; “Comédia do Poder” (2006), de Claude Chabrol; “Meia-Noite em Paris” (2011), de Woody Allen; e “W.E.” (2010), de Madonna.

Notas:
-A direção de arte de “Diplomacia” foi confiada ao experiente Philippe Turlure, que já havia trabalhado com o diretor Volker Schlöndorff, em “Um Amor de Swann” (1984), e cujo ofício já recebeu uma indicação ao Oscar, em 1997, por “Evita”, de Alan Parker. A sua notável lista de trabalhos inclui, além de clássicos modernos, diversos filmes bastante populares: “O Último Tango em Paris” (1972), de Bernardo Bertolucci; “Trio Infernal” (1974), de Francis Girod;”Alice ou A Última Fuga” (1977), Claude Chabrol; “O Profissional” (1981), de Georges Lautner; “A Lenda do Santo Beberrão” (1988), de Ermanno Olmi; “Perdas e Danos” (1992), de Louis Malle; “O Homem da Máscara de Ferro” (1998), de Randall Wallace; “O Último Portal” (1999), de Roman Polanski; “O Enigma do Colar” (2001), de Charles Shyer; “Perfume: A História de um Assassino” (2006), de Tom Tykwer; “Enfim, Juntos” (2007), de Claude Berri; “Os Três Mosqueteiros” (2011) e “Pompeia” (2014), ambos de Paul W.S. Anderson; e “Meu Tio da América” (1980),”A Vida é um Romance” (1983); “Quero Ir para Casa” (1989),”Amores Parisienses” (1997), esses quatro dirigidos por Alain Resnais. 

-A fotografia de “Diplomacia” é assinada por Michel Amathieu, responsável pelas imagens de filmes como “Dobermann” (1997), Jan Kounen; “Absolutamente Los Angeles” (1998), de Mika Kaurismäki; “Jogos de Espiões” (1999), de Ilkka Järvi-Laturi; “Fuga Desenfreada” (2002), de James Cox; e do episódio “Place des Fêtes”, de “Paris, Te Amo”, dirigido por Oliver Schmitz; “Penelope” (2006), de Mark Palansky;e “Minha Querida Dama” (2014), de Israel Horovitz.

-Virginie Bruant, que realizou a montagem de “Diplomacia”, tem em seu currículo alguns filmes de sucesso, entre eles “Há Tanto Tempo Que Te Amo” (2008), de Philippe Claudel; “A Delicadeza do Amor” (2011), de David Foenkinos e Stéphane Foenkinos; “Grandes Garotos” (2013), de Anthony Marciano; e “Lolo” (2015), de Julie Delpy.

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