Dança Carioca na Rede: Corpo e Memória

Projeto propõe debate sobre a produção em dança no Rio de Janeiro

Paulo Marques (foto: Mauricio Maia)
Paulo Marques (foto: Mauricio Maia)

Mais de 265 mil visitas, cerca de 5 mil inscritos na rede de contatos e mais de 200 artistas divulgados. Os números comprovam o sucesso do projeto “Dança Carioca na Rede”, que chega a sua terceira edição, intitulada “Dança Carioca na Rede: Corpo e Memória”. Idealizada pelo coreógrafo André Bern, em parceria com a Irazú Produções, a iniciativa tem a proposta de ser um canal de democratização do acesso a informações sobre Dança Contemporânea no Brasil, com ênfase na cena carioca.

Todo o conteúdo (textos, vídeos, áudios e fotos) desta nova etapa é focado em memórias e histórias de artistas, companhias, grupos e iniciativas cariocas, e estará disponível em uma aba especial do portal “ctrl+alt+dança”. O material abrange, além do compartilhamento de notícias sobre apresentações, oficinas e oportunidades de trabalho, a produção de seis áreas de conteúdo exclusivamente desenvolvido sobre a produção em Dança da cidade do Rio de Janeiro. 

“A escolha das palavras “corpo” e “memória” como norteadoras da nova edição do projeto indica um desdobramento natural do intenso trabalho de difusão da dança que realizamos ao longo de quase 4 anos. Também abrange os próprios corpos retratados – donos, intérpretes e fontes dos diversos movimentos e gestos que coabitam o ctrl+alt+dança”, conta André Bern.

Recentemente, a equipe do ctrl+alt+dança recebeu um convite para colaborar com o projeto de Mapeamento Nacional da Dança, realizado pela FUNARTE/MinC, e coordenado pela UFRJ. O portal também fechou um convênio com a o departamento de graduação em Teoria da Dança da universidade.

SAIBA MAIS SOBRE CADA UM DOS CONTEÚDOS TRABALHADOS PELA NOVA FASE DO PROJETO:

“RODA DE DANÇA”
Esta seção é composta por episódios de web-rádio, nos quais dois profissionais de Dança farão um debate, mediados por André Bern.

“EIXO DO FORA”
Assinada por Dally Schwarz, esta é uma série de postagens que aborda artistas e/ou temáticas menos frequentes em circuitos estabelecidos da dança e das artes do corpo.

“SEIS ANOS DEPOIS”
Série de conversas conduzidas por André Bern com artistas que foram entrevistados durante o ano de 2010. Cada encontro terá um teaser em vídeo, além de um fascículo em PDF, disponível gratuitamente para download, contendo a entrevista na íntegra.

“REPERTÓRIOS”
Postagens compostas de um verbete para cada letra do alfabeto, a fim de organizar um vocabulário presente nos contextos de dança que o grupo ctrl+alt+dança vem acompanhando no Rio de Janeiro.

“ DECORRER
Esta seção será composta por ensaios fotográficos, nos quais o bailarino-fotógrafo Julius Mack irá acompanhar “a dança de um artista no decorrer de um dia”, desde o momento em que ele acorda até a hora de dormir.

HISTÓRIAS DE UMA DANÇA”
Série de breves depoimentos de artistas sobre peculiaridades de processos criativos nos quais tomaram parte. Estes depoimentos irão formam micro-histórias da dança e das artes do corpo. 

SOBRE ANDRÉ BERN:
André Bern é blogueiro cultural, artista de dança e performance, com formação em Design Gráfico. Estreou profissionalmente com o Teatro de Dança do performer Rubens Barbot, em 2001, e já colaborou com vários artistas brasileiros e internacionais, como Lígia Tourinho, e Esther Weitzman, hello!earth (Dinamarca), Boyzie Cekwana (África do Sul), Anna Kuroda (Japão/Austrália), Mélanie Demers (Canadá), entre outros.

O artista possui vários prêmios no currículo: como jovem coreógrafo e pesquisador em dança (Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013/Fundação Nacional de Artes – FUNARTE), e como blogueiro cultural (Programa de Fomento à Cultura Carioca 2013 e 2014/Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro), além do Prêmio Blogueiros de Cultura 2012 (Instituto Votorantim).  Além disso, André foi responsável pela concepção e produção do I Encontro da Rede CURIÔS – Novos Coreógrafos Negros em Dança Contemporânea, no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro. Atualmente, coordena e gerencia a nova edição de Dança Carioca na Rede (intitulada Dança Carioca na Rede: Ações de Expansão) e realiza oficinas de contrapartida do projeto “Correspondanças”, através das quais compartilha experimentos desenvolvidos durante a residência artística na Austrália. 

SOBRE OS ARTISTAS CONVIDADOS DA SÉRIE “SEIS ANOS DEPOIS”:

ESTHER WEITZMAN
Especialista em Arte e Filosofia (PUC-RJ) e diretora do Studio Casa de Pedra (localizado no bairro da Gávea), a coreógrafa dirige sua própria companhia, a Esther Weitzman Companhia de Dança. Seu último destaque é a criação de Jogo de Damas – celebrado como um dos melhores espetáculos de 2013 pelo jornal O Globo, e que, desde então, tem desenvolvido uma longeva sequência de apresentações em todo o Brasil (coisa rara na dança!). Em entrevista em 2010, Esther me disse: “A individualidade do bailarino, do ser que está em cena, tem que ser respeitada (…) O que me interessa é a ‘pessoa’, mais do que o ‘bailarino'”.

PAULO MARQUES
Mestre de balé, ensaiador e diretor de movimento com trabalhos desenvolvidos junto a importantes companhias cariocas – tais como Teatro Xirê, Os Dois Companhia de Dança e Lia Rodrigues Companhia de Danças, entre outras – Paulo é um dos nomes mais mencionados quando se trata de uma aproximação “generosa” entre balé e dança contemporânea. Suas aulas no Gisele Alvim Espaço de Dança (Botafogo) são sempre concorridas e frequentadas por diversos artistas e criadores contemporâneos. Paulo desenvolve uma série de flyers eletrônicos, intitulados Pensando a Dança, através dos quais compartilha nas redes sociais trechos de leituras (selecionadas em parceria com a bailarina Gisele Alvim) que considera importantes para a construção de um pensamento em dança. Em entrevista em 2010, Paulo me disse: “(…) Acho que existe uma precipitação. As pessoas são coisas rapidamente. Como numa época, há uns anos atrás, em que todo mundo se dizia ator. Acho que se perdeu uma noção de ofício. Sinto que as pessoas têm várias coisas, mas não têm um ofício. Posso realmente estar enganado, talvez seja uma coisa da geração”.

MORENA PAIVA
Licenciada em Dança (UniverCidade) e docente da Escola de Teatro Martins Pena (Centro), Morena pertence a uma geração mais recente de artistas criadores da cidade. Foi co-fundadora do grupo Pague Leve Artistas Associados, cujo interesse em questionar o caráter rígido e excludente dos espaços destinados a apresentações de dança os levou a desenvolver performances e intervenções para ambientes alternativos, tais como ruas, praias e praças. Nos últimos anos, Morena tem investido intensamente na divulgação do Axis Syllabus®, colaborando internacionalmente para que o sistema de ensino e movimento finque um ponto de apoio no Brasil, integrando o país como rota obrigatória de artistas interessados e envolvidos. Além disso, a artista ministra aulas de Dança Contemporânea Popular, nas quais estabelece diálogos entre técnicas de dança contemporânea e práticas de diversas danças tradicionais brasileiras. Em entrevista em 2013, Morena me disse: “Acho que está todo mundo cansado. Existem formas de produção, pensamento e relação na arte que precisam urgentemente de atualização, sabe. Por exemplo, meu coração hoje não permite mais deixar a minha dança ser na frente do computador, escrevendo cinco editais”.

GISELDA FERNANDES
Bailarina, coreógrafa, fundadora de Os Dois Companhia de Dança, Giselda é propositora da noção de “objeto-partner”, a partir da qual entende que seus processos criativos em dança se dão em colaboração/parceria com objetos – na maioria das vezes, cotidianos e banais, tais como vassouras, garrafas e sacolas plásticas, copos. Desenvolve parceria de longa data com o artista visual Hilton Berredo, com quem é casada. Além disso, ministra aulas de Dinâmica Muscular, método de condicionamento físico desenvolvido pelo professor Ceme Jambay, de quem é aluna desde 1986. Atualmente, a artista se prepara para a estreia de seu novo solo, intitulado Sobre Cisnes (a partir de 16/fev, no Espaço SESC), que estabelece pontes com o balé “A Morte do Cisne” (e no qual ela utilizará 500 sacolas plásticas). Em 2010, Giselda me disse: “Eu tenho essa necessidade de dançar não é para me apresentar. É porque quando eu vou dançar, tenho que experimentar. É só por isso. Preciso me propor uma data qualquer, uma situação”.

LÍGIA TOURINHO
Doutora em Artes (UNICAMP) e docente do Departamento de Arte Corporal da UFRJ, Lígia é atriz e coreógrafa. Idealizadora do projeto Jogo Coreográfico, que reúne num espetáculo de caráter interativo dois aspectos de grande interesse em sua trajetória artística em dança: improvisação e co-autoria. Contemplado através de diversos editais públicos, o projeto já ganhou algumas edições, em cidades brasileiras e estrangeiras, com a participação de artistas e alunos dos cursos de Dança da UFRJ. Em 2010 – logo após a passagem do projeto pela Bienal SESC de Dança 2009 (Santos (SP)) – Lígia me disse: “Por muito tempo foi conflituoso o lugar da atriz e esse lugar múltiplo da dança. Acho que hoje estou bem confortável, porque me sinto com uma formação bem completa nos dois. Não me sinto no meio do caminho, intercalando um e outro”.

“DANÇA CARIOCA NA REDE: CORPO E MEMÓRIA”
Idealização: André Bern e Irazú Produções
Site: http://ctrlaltdanca.com/

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