‘D’Ela e das mortes’ discute a opressão entre classes e gêneros nos palcos

Foto: Felipe Barros

Estreia hoje a peça “D’Ela e das mortes”, no Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande. O trabalho é a primeira realização em conjunto do Serragem – Núcleo de Investigação Cênica e do Coletivo Bichos de Teatro, que, juntos, compõem uma sociedade artística formada por atores, produtores e pesquisadores. Com o objetivo de  fomentar a cultura e desenvolver ações sustentáveis em arte, este projeto trata das mortes conceituais realizadas pela sociedade – da mulher selvagem, da igualdade, da liberdade, e a morte do comunal. “D’Ela e das mortes tem direção e dramaturgia da autora Andréa Terra e classificação indicativa de 16 anos.

A peça conta o mito da primeira companheira de Adão trazendo o resgate da figura da Lilith, a mulher anterior a Eva, que teria sido proscrita das escrituras. Em uma sociedade distópica, situada em um ambiente que tanto pode ser primitivo como catastrófico, mulheres e homens trazem para a cena temas como a profanação do feminino e as marcas da desigualdade estabelecidas pelo modelo de sociedade patriarcal.

“A gente fala da nossa sociedade, do machismo e do patriarcado como construção histórica. Falamos sobre opressão entre classes. Nos estruturamos no tempo atual para falar dessa opressão, seja de uma classe pela outra, ou do homem pela mulher”, conta a atriz Amanda Calábria, que faz cerca de sete personagens.

E não é só ela. Todos os atores interpretam mais de um papel, o que demonstra o processo intenso de pesquisa realizado pela equipe. “O procedimento da Andrea é muito bonito porque é coletivo. Tem muito lugar de escuta, todo mundo participa, pesquisa e cria”, diz Amanda. Para a atriz, isso foi essencial para o processo de criação da peça, que, ao longo de um ano, contou com muita pesquisa corporal, cênica e física. “É um teatro político e a gente intervém, como pesquisadores. No fim, trazemos uma desconstrução como artistas”.

É justamente essa a ideia do Coletivo Bicho de Teatro e do Núcleo Serragem, levar um ator completo no palco. “A ideia dos dois coletivos é criar um espaço de investigação cênica em que cada um desempenhe ações múltiplas. Você não pode ser só ator. Hoje em dia, é difícil achar um ator que só atue. Você está atuando, pesquisando, discutindo cenário, intervindo e discutindo no texto”, aponta Amanda.

Para Camila Zarite, também integrante do elenco de “D’Ela e das mortes”, o processo de criação da peça foi muito importante. “É uma evolução artística muito relevante, tendo em vista o cenário político nacional. A arte é marginal, assim como o que é do feminino. Sinto que interpretar mulheres no palco é encharcar-se do ser que se é, ou não”, explica.

A peça tem ainda a direção musical de Thi Cardoso, conta com a direção de arte de Vanessa Meyer e traz dez atores no palco.

 

SERVIÇO

Espetáculo: D’Ela e das mortes
Gênero: Drama adulto
Temporada: sextas e sábados às 21h, domingos às 20h. Dias 30/09, 01, 02, 07, 08 e 09/10.
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Ingresso: R$ 30,00 (inteira
Local: Teatro Arthur Azevedo, Rua Vítor Alves, 454 – Campo Grande, Rio de Janeiro.

FICHA TÉCNICA

Direção & dramaturgia

Andréa Terra

Direção musical

Thi Cardoso

Direção de arte

Vanessa Meyer

Figurinos

Vanessa Meyer e Vinicius Andrade

Design gráfico

Felipe Barros

Iluminação

Gabriel Barros e Renan Albuquerque

Maquiagem

Raíssa Tavares

Artistas

Amanda Calabria

Andréa Terra

Camila Zarite

Felipe Barros

Gabriel Barros

Renan Albuquerque

Renata Lages

Thi Cardoso

Vanessa Meyer

Vinicius Andrade

 

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