Crave de Sarah Kane no Espaço Sergio Britto na Glória

CRAVE ( foto: Alvaro Victor)
CRAVE ( foto: Alvaro Victor)

Quarta peça escrita pela dramaturga inglesa Sarah Kane, Crave (Ânsia) é conhecida pela grande liberdade concedida aos intérpretes, no que diz respeito à forma de interpretar. Na peça, a relação entre as personagens desdobra-se a partir de combinações frenéticas de frases desconexas, criando novos padrões de relações – as personagens são múltiplas, mas são únicas e, no fim, formam uma só. Por isso, nesta montagem que faz apenas três apresentações dias 7, 8 e 13 de novembro no Espaço Sergio Britto (Instituto CAL de Arte e Cultura), o diretor Antônio Gilberto utiliza 21 atores para compor os quatro personagens criados pela autora. Com este texto, Sarah Kane apresenta o seu universo marcado pela paixão, solidão, dor, desejo e morte.

Crave, texto escrito em 1998, um ano antes do suicídio da autora, Sarah Kane, aborda o universo das relações amorosas com seus mecanismos e dificuldades. Um texto permeado por diálogos fragmentados, monólogos e reflexões que não necessariamente possuem relação entre si. Sem indicações de tempo, espaço e de narrativa cronológica, esta postura da autora pode ser interpretada como um espelhamento das desconexões da vida contemporânea. Sarah rompe com o teatro dramático ao criar personagens que se resumem a vozes que dialogam com interlocutores mais ou menos prováveis entre si. As falas se conectam por temas afins, por ritmos, por correspondência em breves diálogos, analogia, espelhamentos e outros jogos característicos das relações atuais. A autora usa estes recursos com o objetivo de desafiar o público, para retirá-lo da apatia e promover uma luta contra as atrocidades da vida moderna. “Foi nosso desafio mergulhar nesse universo e levá-lo para a cena com o objetivo de dialogar com o público e provocar a reflexão sobre as várias questões levantadas pelo texto de Sarah Kane”, afirma o diretor.

CRAVE ( foto: Alvaro Victor)
CRAVE ( foto: Alvaro Victor)

A peça encantou Antônio Gilberto pela proposta cênica, desvinculada do teatro dramático e apoiada na força da palavra. Os 4 personagens” do texto original não possuem nomes, nem características que os definam como geralmente são os personagens de um texto teatral. “Aqui os 4 atores são porta-vozes de fragmentos, reflexões, propostas pela autora. A partir desta realidade realizei trabalhei a dramaturgia do espetáculo transformando 4 vozes (2 masculinas e 2 femininas) em 11 vozes femininas e 12 vozes masculinas. Todos conectados e fazendo parte de uma mesma reflexão que é compartilhada com o público, com quem os 21 atores contracenam durante todo o espetáculo”, revela Gilberto.

FICHA TÉCNICA:

Direção e Cenário – Antônio Gilberto

Iluminação – Wilson Reiz

Figurinos – Maria Duarte

Elenco – Alexandre Galindo, Alexandre Menezes, Ana Queiroz, André Cursino, Daniel Marano, Desirée França, Elisa Barbato, Hayla Barcellos, Luisa Alves, Luís Fernando Medeiros. Malu Gonçalves, Rafael Morpanini, Barvara Birchal, Bel Machado, Camila Linhares, Isabella Moss, José Vilaça, Lucas Asseituno, Stefano Maximino, Thuany Andrade, Ton Carvalho

SERVIÇO:
Local: Espaço Sergio Britto (Instituto CAL) – Rua Santo Amaro 44 – Glória
Telefone: 3916-7500
Horário: sábado e domingo às 20 h
Preço: 30 reais
Classificação etária: 14 anos
Duração: 60 minutos
Lotação do teatro: 70 lugares

ÚNICAS APRESENTAÇÕES DIAS 7, 8 e 13 de novembro

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