Coutto Orchestra promove imersão cultural no baixo Rio São Francisco

foto: Melissa-Warwick
foto: Melissa-Warwick

A banda sergipana, Coutto Orchestra, se prepara para lançar, ainda no primeiro semestre, seu segundo álbum já batizado de VOGA, em um projeto multiplataforma e imersivo, com o patrocínio do selo Natural Musical.

A micro-big-band de Aracaju foi formada em 2010 e integra a nova e boa safra de músicos instrumentais do nordeste. Os quatro músicos misturam ritmos tradicionais e fortes referências sertanistas como o maracatu de brejão, a taieira e o forró com os gêneros musicais do mundo e seus elementos eletrônicos, formando um verdadeiro caldeirão sonoro. Seus integrantes estão acostumados a associarem aparatos tecnológicos à sanfona, percussões, sopros além das vozes que entoam canções sem palavras envoltas por projeções e luzes provocando experiências sensoriais.

Alisson Coutto (trombone, controladoras e vocais), Vinícius Bigjohn (sanfona e percussão), Rafael Ramos (baixo e piano), Fabinho Espinhaço (bateria) e a tripulação do barco composta por cinegrafistas, fotógrafos, figurinistas e produção embarcam numa viagem de 20 dias percorrendo povoados ribeirinhos do São Francisco para captar sons, imagens e histórias que farão parte do processo de criação deste segundo trabalho. Badalos de bode. Canto de lavadeiras. Rezadeiras. Aboios de vaqueiro. Bordados. Tudo será matéria-prima para as composições do disco, concepção dos figurinos, criação gráfica e fotos de divulgação. 

Durante a primeira fase de pesquisa e construção, a Coutto vai construir um trabalho de documentação da cultura destas comunidades  com a intenção é absorver referências imagéticas e sonoras de modo a integrá-las na produção das músicas deste novo álbum. A VOGA poderá ser acompanhada online através de um “Diário de Bordo” com relatos da experiência dos encontros com estas comunidades tradicionais, os sentimentos provocados e todos os bastidores desta expedição que produzirá um disco, um videodocumentário, uma exposição fotográfica e ainda uma pesquisa detalhada para o figurino e a cenografia dos espetáculos que rodarão o país a partir de julho.

OGA é o movimento ritmado das remadas das embarcações, mas também, “moda nova” ou “aquilo que está em evidência” e isto dialoga diretamente com a proposta deste novo disco: apresentar por meio de suas canções um nordeste contemporâneo, que se aproxima do mundo marcando presença nesta aldeia global através da música.

A expedição vai reunir elementos da cultura popular sergipana com diversas sonoridades mundo afora. Uma provocação estética mas também um convite para estreitar a relação da música com mundos, aparentemente, díspares. Em VOGA, a altura da sanfona sob efeitos; os repentes entoados em português alto e claro; o aço da viola; o theremim e diversos aparatos eletrônicos sugerem uma (re)invenção do nordeste, essencialmente estranho à própria imagem e semelhança.

SOBRE A ROTA DA VIAGEM – VOGA

Rota do Cangaço
Essa é a rota do sertão mais genuíno, por onde há muitos registros de passagem de Lampião. Passarão pelo Museu do Sertão, Museu das Embarcações, grota do Angico que foi o local onde Lampião e Maria Bonita foram capturados; também visitaremos a escadaria onde a cabeça de Lampião foi exposta e muito bordado. As pesquisas sobre as bordadeiras (que servirão de base pro figurino e cenografia do espetáculo de lançamento) estão bem concentrados nesta etapa.

Rota Étnica
Nesta etapa da viagem a pesquisa estará nas referências culturais indígenas (tem uma tribo que faz ritual xamânico com canto gregoriano cujos integrantes têm pouquíssimo contato com o ‘homem branco’); ciganos, comunidades quilombolas, lavadeiras, aboiadores (quem toca o gado para beber água), os galícios (povos remanescentes da colonização). Nesta etapa, o forte é GENTE. 

Rota do mar
É o trecho mais próximo do litoral, por tanto entram as referências dos pescadores, com uma explícita mudança de perfil das referências do Rio para o Mar. Região do Delta do São Francisco, momento muito simbólico para o projeto e para o disco. O ponto alto é a cidade deserta do Cabeço, a última cidade do Velho Chico, que o mar foi engolindo ao longo dos anos, onde os moradores abandonaram suas casas (elas ainda estão lá vazias na areia) e uma senhora, única casa habitada, insiste dizendo que não arredará o pé de lá.

 

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