O que é capaz de transformar um blog de jazz sem pretensões em uma plataforma querida por casas de shows, compartilhada por artistas do gênero e seguida por mais de 6.000 pessoas em menos de 10 meses? Pesquisa, carinho, dedicação e amizade se juntaram para formar o #umjazzpordia, projeto cuja proposta é divulgar diariamente um jazz nacional de qualidade. Mostrar que a música instrumental brasileira vai além da bossa nova é um dos motes do grupo, atualmente formado por mais de 20 colaboradores.
 
“Ouvindo web rádios sobre jazz, reparei que praticamente todas elas só tocavam bossa nova”, conta a bióloga Sarah Teodoro, 28, idealizadora do projeto. Sarah explica que os membros do projeto – ou coletivo, como também costuma ser chamado – não têm nada contra bossa nova e, pelo contrário, gostam do gênero. Ainda assim, sentiram a importância de que mostrar que o jazz nacional “é muito mais que Garota de Ipanema”. Assim surgiu um blog que apresentava, todo dia, um jazz brasileiro que não fosse bossa nova. Alguns meses depois, mais de 90 nomes diferentes de jazz brasileiro já haviam sido postados e a página de Facebook contava com alguns milhares de likes. 

 Quem esperava uma diversidade tupiniquim tão grande? “Nem eu imaginava. E olha que tem muito nome de fora, tem muita gente boa e som bom pra postar ainda”, comenta Sarah. Inicialmente sozinha na empreitada, a bióloga rapidamente começou a ter incentivos diversos para levar a proposta à diante. Amigos, músicos, gente do ramo. E o #umjazzpordia cresce cada vez mais. Atualmente, o projeto conta com um “corpo” de membros fixos – aqueles que se engajam diariamente – e um leque de colaboradores em diversas cidades do país. “Pra nós, uma das coisas mais interessantes foi constatar que quem mais opina, pesquisa, prospecta e produz material são as mulheres do coletivo. Hoje, somos cinco mulheres de áreas diversas, cada uma com uma especialidade”, explica a relações públicas Tamires Low.
 
Além delas e dos colaboradores, cerca de 90% dos artistas que são citados no portal dão algum tipo de retorno, seja compartilhando textos ou mesmo agradecendo. Notando a proporção que o negócio tomou, casas de shows especializadas em jazz – como as paulistanas Jazz nos Fundos e Jazz B – selaram parcerias com o coletivo, que também promove coberturas de eventos produzindo material fotográfico, audiovisual e entrevistas. Tudo de uma maneira muito jovem e natural: linguagem informal, informação fluida e constante, diversidade de conteúdo. “Não precisa entender de teoria musical pra curtir jazz. Não precisa ser very cool e saber a discografia do Coltrane. Basta ouvir!”, completa Sarah. Para o #umjazzpordia, o importante é sentir que a vida é mais feliz com jazz. 

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