Cineasta Cristiano Burlan estreia longa “Em Busca de Borges”

O longa “Em Busca de Borges”, dirigido pelo cineasta Cristiano Burlan, será exibido nesta sexta (17), às 21h, no CineSesc, em São Paulo, no 6° Panorama Suíço Contemporâneo. O filme foi produzido pela Bela Filmes e tem o apoio do Consulado Suíço na capital paulista.

Além de São Paulo, o filme também será exibido no Rio de Janeiro, ainda no 6° Panorama Suíço Contemporâneo, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), nos dias 18 e 25 desse mês, às 15h e 19h, respectivamente.

O longa parte dos escritos do autor argentino Jorge Luis Borges, falecido há 30 anos, para conduzir o protagonista Henrique em uma viagem entre as cidades de São Paulo, Buenos Aires e Genebra.

O diretor Cristiano Burlan, que já ganhou importantes prêmios como o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade 2013, e o de melhor filme do Prêmio do Governador do Estado de São Paulo, por seu documentário “Mataram meu irmão”, concedeu entrevista ao Sopa Cultural para contar um pouco sobre a produção de “Em Busca de Borges” e sobre outros projetos.

Confira o papo:

SOPA CULTURAL: Todos reconhecemos a importância de Jorge Luis Borges como um escritor que contribuiu com diversas obras, como Ficções e O Aleph. Mas como veio a ideia de produzir um longa ficção tendo como plano de fundo os escritos de Borges?

CRISTIANO BURLAN: Um filme pode vir de um sonho, de um momento de nostalgia, de um olhar de soslaio na rua, no caso do filme “Em busca de Borges” veio da minha paixão pela literatura de Jorge Luis Borges e das consequências que essa leitura gerou em mim desde a adolescência. É uma busca por resgatar um tempo que já passou. Algo que já não está mais aqui. Essa tênue tessitura que permeia a nossa memória.

A estreia se encontra com uma série de homenagens que lembram os 30 anos de falecimento do escritor, que ocorrem em diversas partes do mundo. De qual forma a estreia de “Em Busca de Borges” entra em consonância com essas outras homenagens? 

Isso foi por acaso. Não tinha previsto que a estreia do filme aconteceria nessa data. O que parece muito apropriado e me fez lembrar um poema do Mallarmé “Um lance de dados jamais abolirá o acaso”.

O filme usa os escritos de Borges para mergulhar Henrique em um périplo entre cidades que foram importantes na vida do escritor. Qual é a relação do personagem com os escritos, e de que forma ele conduz essa “busca” fazendo a passagem entre as três cidades (São Paulo, Buenos Aires e Genebra)?

Os escritos de Borges são apenas disparadores. Não são a matéria principal do filme. São Paulo é a cidade de origem de Henrique. Ele parte para Buenos Aires e Genebra porque são essas as cidades que Borges nasceu e morreu, respectivamente. Essas três cidades, de alguma forma, se relacionam pela atmosfera de solidão e exílio que exalam.

O longa busca de alguma forma explicar as obras de Borges ou parte mais para um aprofundamento sobre as mesmas?

Seria impossível explicar as obras de Borges. No filme, a literatura de Borges não é o plot principal. O filme é um lugar onde o personagem deambula em busca de algo que ele nunca vai encontrar. 

Borges tem uma relação estreita com a Suíça, e escolheu Genebra para passar a parte final de sua vida. A cidade é uma das visitadas por Henrique, e o filme é uma coprodução entre o Brasil e Suíça e o filme será exibido no 6° Panorama Suíço Contemporâneo. A relação entre os dois países parece ter sido forte na produção do longa. Como foi essa produção conjunta e como foi usar a Suíça como uma das locações de gravação do filme?

O filme foi realizado durante a minha estada na Suíça no Festival FILMAR em Genebra, em que fui apresentar o filme FOME. Assim que soube que iria a Genebra novamente me assaltou a possibilidade de realizar um filme sobre Borges. A coprodução surge apenas na pós-produção do filme. O filme também tem o apoio do Consulado Suíço em São Paulo.

Quanto tempo levou a produção do longa, desde a produção do roteiro até a finalização da edição?

CRISTIANO: Levei aproximadamente um ano desde a produção até a finalização.

Sua filmografia conta com mais de 15 filmes, entre ficções e documentários, além de suas obras já terem recebido diversos prêmios. O que você pode citar como um diferencial na roteirização e direção desse filme em especial?

Nesse filme, a fronteira entre documentário e ficção foi extinguida completamente. Além disso, é um filme de estrada, foi sendo construído no seu próprio movimento interno, não costumo trabalhar com o roteiro de forma mais convencional. Busco escrever com a própria câmera. E muito mais do que os trabalhos anteriores, esse filme foi para mim um desafio em que o percurso foi muito mais significativo do que a chegada.

SOPA: Você, junto com o Henrique Zanoni tocam o Bela Filmes. Quais são os projetos que atualmente o Bela Filmes produz? Há algum outro projeto em mente que você possa adiantar?

Eu e Henrique somos parceiros e sócios também da Cia dos Infames, uma companhia de teatro, e estamos em cartaz com a peça “Música perfeita para o suicídio”, que foi construída a partir dos escritos do filósofo romeno Emil Cioran. Além disso, estamos finalizando o filme “No vazio da noite”, em fase de pré-produção do documentário “Elegia de um crime”, sobre o assassinato de minha mãe, que encerrará a “Trilogia do Luto”. Em julho, rodaremos uma nova ficção que terá Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet como protagonistas.

Serviço:

6ª Edição Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo
Onde: CineSesc – Rua Augusta, 2075, Cerqueira César, São Paulo.
Data: 15 a 26 de junho
Ingressos: R$ 12,00 e R$ 6,00
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil RJ (CCBB) – Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro.
Data: 16 a 27 de junho
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00
Classificação indicativa: verifique a classificação indicativa.

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