Cimi faz show de lançamento de seu primeiro CD “Um sim” no Solar de Botafogo

CIMI (foto: Christian Gaul)
CIMI (foto: Christian Gaul)

A capa do primeiro disco da cantora CIMI insinua certeira: é do escuro que saiu o álbum “Um sim”, que ela mostra em show de lançamento no Solar de Botafogo, no dia 27 de julho, quarta, às 21h30. 

Foi no quarto, com luz apagada, que quase todas as dez canções do disco tiveram seu ponto de partida. E era no escuro metafórico que a cantora e compositora estava quando iniciou o processo de construção do álbum – sem ter canções, sem saber mesmo se aquele caminho que ela começaria a traçar se tornaria seu disco de estreia. Antes deste seu primeiro disco, CIMI foi integrante do grupo Batacotô, trabalhou com artistas como Marcelinho da Lua, com quem gravou uma versão de “Na Orelha do Pandeiro” (Aldir Blanc/Bororó) que ganhou o mundo nas coletâneas “Copa Bossa” e “Brazilectro”, com Plinio Profeta, produtor de “Brazilian Chill Tracks”, álbum da Warner em que gravou o clássico “Dona Maria” e com o DJ Nathan G, com o qual, nos cinco anos em que morou na Austrália, compôs “Underneath The Stars”, sucesso nas pistas do país.

Era nesse lugar escuro que estava quando mostrou uma música que começara a escrever a Lucas Vasconcellos, àquela altura já chamado pra ser o produtor do álbum. Em pouco tempo, a canção, “Mil nãos, um sim”, estava terminada, e dela sairia o nome do disco.

O diálogo afinado e afiado entre a dupla resultou nas dez parcerias que aparecem no disco. Ela chegava com o início, a letra, a ideia, a melodia esboçada. Eles terminavam juntos. Lucas assumia então a construção do arranjo – minimalistas, explorando com delicadeza timbres acústicos e sintetizados, com climas que carregam o disco de uma dramaticidade sem peso. Ele mesmo tocou quase todos os instrumentos, com exceção da bateria, a cargo de Thomas Harres e, em “Mil nãos, um sim”, de Robert “Mousey” Thompson, que tocou anos com James Brown – Cimi o conhecia e, quando estava gravando o disco, decidiu convidá-lo. Ele gostou da canção, e o resultado está no álbum.

“Em busca da delicadeza perdida dos dias de hoje, Cimi nos traz, em suas composições, a crônica musical que nos invade por todos os sentidos. Muito além do que se ouve, temos cheiros, imagens, frio, calor e o tato de um lirismo amoroso que passeia entre a despedida e a vontade de ficar mais”. –  Xico Sá

O início era sempre o mesmo – o processo solitário do quarto escuro. Dali vinham as canções surgidas de um sonho, como “Bicho tenso” (“O bicho tenso/ Que quer fugir/ Não importando o terreno/ Vai voar, vai correr/ Mergulhar/ Esquecer”) e “Acordei” (“Hoje acordei de um sonho/ Um sonho em preto e branco/ Quando olhei à minha volta/ Tudo lá, menos você”). Ou do voo solto da mente, como “Vou indo” (“Uma música triste de uma pessoa feliz”, Cimi define). Ou vendo o filme de um casamento, em “Eu sou um cavalo” (“Comecei achando cafona e rindo e terminei chorando e com uma música”). 

A poética que atravessa o disco carrega esse traço de limite entre claro e escuro de seu quarto, de sua mente. Nos versos simples, diretos, sem pirotecnias, há sempre a iminência da mudança, da ruptura, do salto. “Vou indo”, diz “Vou ser feliz/ Eu sou feliz/ Você não quis/ Então vou indo”. Sobre as caixas de “Dá medo” – a percussão é uma respiração de frevo em meio ao tom Radiohead da música – ela canta: “Eu quero ver onde estou/ Onde fui, aonde vou/ Vou voar por aí/ E rir”. A elegância tanguística contemporânea de “Cala tua boca” serve de cama para versos como “Malas/ Abertas/ Vida jogada em cima da cama”. 

Divulgação
Divulgação

Cimi constrói ali, a partir do medo e do desejo, a ideia que aparece sintetizada no início da canção que serviu de estopim e de inspiração para o título do disco, “Mil nãos, um sim”: “Quero ir/ Mas eu não vou/ Posso ir/ Mas onde estou/ Estou bem”. Um lugar de conforto sem acomodação, do movimento sempre presente, ainda que como potência. Como algo que surge do escuro.

É este repertório inédito que ela mostrará em seu show, mais cover de “There’s a Light That Never Goes Out” (The Smiths) e um medley de “Pense Em Mim” (Leandro e Leonardo) e “Never Tear Us Apart” (INXS).

CIMI estará no palco com a luz assinada por Césio Lima e acompanhada pelos músicos Mauricio Chiari (bateria), Ricardo Rito (teclado), Pedro Mann (baixo), Denny Kessous (guitarra) e Lucas Vasconcelos (diretor musical).

Ver mais em
http://www.cimimusic.com/
https://www.facebook.com/music.cimi/
https://www.instagram.com/cimi.music/

Serviço

Show – Cimi em lançamento do CD “Um Sim”
Local: Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180 –Botafogo – 2543-5411)
Data: 27 de julho, quarta.
Horário: 21h30
Preço: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia)
* Lista Amiga: levando 1 kg de alimento (ONG Corrente do Bem): R$ 30,00
Classificação: 16 anos
Duração: aproximadamente 50 min.
Capacidade: 300 lugares