Cidade das Artes recebe ciclo de leituras da dramaturgia de Hamilton Vaz Pereira

Foto do acervo pessoal de Hamilton Vaz Pereira
Foto do acervo pessoal de Hamilton Vaz Pereira

“O CÃO COMENDO MARIOLA – para ler e para ouvir” reúne as peças “Trate-me leão”, “Ataliba, a gata safira”, “A Leve, o próximo nome da Terra” e “Nardja Zulpério” nos quatro sábados de junho

Participações de artistas renomados incluem Francisco Cuoco, Regina Casé,
Maria Padilha, Eriberto Leão, Natália Lage, Luisa Arraes e George Sauma

Em junho, a Cidade das Artes celebra a dramaturgia de Hamilton Vaz Pereira, um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, com o ciclo de leituras “O CÃO COMENDO MARIOLA – para ler e para ouvir”. “Trate-me leão” (1977), maior clássico do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, do qual foi um dos fundadores, abre a série de apresentações no dia 4, seguido de “Ataliba, a gata safira” (1987), “A Leve – o próximo nome da Terra” (2004) e o monólogo “Nardja Zulpério” (1988), nos dias 11, 18 e 25, respectivamente.

O elenco de leitores é uma composição heterogênea de antigas e recentes parcerias de Hamilton ao longo de seus 42 anos de carreira, como Francisco Cuoco, Regina Casé, Eriberto Leão, Natália Lage, Fausto Fawcett, Simone Spoladore, Lena Brito, Luísa Arraes, George Sauma e Renato Góes, entre outros.

“Foi o Asdrúbal que segurou o teatro brasileiro nas costas, quando os criadores dos anos 60 cansaram de apanhar da polícia e voaram para o exílio ou para a televisão. Foi Hamilton Vaz Pereira quem correu pra segurar o bastão das mãos de Zé Celso. Junto com Regina e Luiz Fernando, tornou menos infeliz um tempo de tragédia”, escreveu Nelson de Sá para a Folha De S. Paulo em 1994.

A proposta de Hamilton para o “O CÃO COMENDO MARIOLA – para ler e para ouvir” é oferecer uma nova apreciação das peças, a partir de uma atmosfera cuidadosamente preparada com iluminação de Daniel Galvan e ambiente cênico de Luísa Pollo, que também responde pelos figurinos. A trilha sonora fica a cargo do grupo Exército de Bebês – do qual o filho do dramaturgo, Iuri Brito, é guitarrista –, que executará composições próprias, além das canções originais dos espetáculos. Depois de cada noite de apresentação, a banda fará um show gratuito no Café da Cidade das Artes, com a presença de leitores e equipe de produção.

“Reconheço o privilégio e agradeço a chance de apresentar tais trabalhos graças à generosidade de muitos amigos leitores e colaboradores. Poderia ser a obra de Mauro Rasi, José Vicente, Naum Alves De Souza, Fauzy Arap, entre outros que ultrapassam nossos tablados cavalgando no dorso da pantera”, afirma Hamilton.

A carreira do multifacetado dramaturgo, diretor, cantor, compositor, intérprete e produtor teatral carioca começou no mesmo ano em que ajudou a fundar o grupo teatral “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, no qual exerceu importante liderança. Além das peças que serão apresentadas na Cidade das Artes, Vaz Pereira assina a autoria e direção dos espetáculos “Vamos Ao Que Interessa”; “Mordendo Os Lábios”; “Colapso”; “5 X Comédia”; “Uiva e Vocifera”; “Desejo, Bazófias e Quedas”; “Tamanduá Sam”; “Notícias Silenciosas”; “Ela Odeia Mel”; “O Máximo”; “Estúdio Nagasaki”; “Amizade De Rua”; “Olhos Ardentes”; “Tem Pra Gente / Se Invente”; “A Farra da Terra” e “Aquela Coisa Toda”.

Sua iniciativa mais recente foi o show “Somos duros com a plateia” (2015), onde cantou músicas próprias. No mesmo ano, atuou no longa-metragem “O incrível roubo da Taça Jules Rimet”, de Caíto Ortiz, e no seriado “Magnífica 70”, de Claudio Torres. Hamilton foi ainda o mentor do tributo que marcou a reinauguração do Teatro Ipanema em 2012.

Trate-me leão (04/06)

A leitura apresentou uma nova geração de atores composta por Luisa Arraes, George Sauma, Luana Martau, Igor Angelkorte, Renato Góes, Valentina Herszage, Cesar Cardadeiro, Luiza Casé e Daniel Passi. Ao longo dos oito blocos que compõem “Trate-me leão”, os jovens viveram diferentes personagens, em cenários variados, que passam pela transição entre a infância e a vida adulta.

A crítica de Yan Michalski para o Jornal Do Brasil, em 1977, ressaltou a importância sociológica e linguística da peça.

“Pela primeira vez a chamada gíria jovem é colocada no palco não como uma paternalizada sucessão de balbucios debilóides, mas como um código de signos que traduz uma atitude diante da vida”, escreveu.

Para conceber a montagem original (o terceiro espetáculo do grupo “Asdrúbal Trouxe o Trombone”), Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Perfeito Fortuna, Patrycia Travassos, Evandro Mesquita, Nina de Pádua e Fábio Junqueira passaram nove meses desenvolvendo a peça ao lado do diretor.

Ataliba, a gata safira (11/06)

O espetáculo voltou à tona nas vozes de Francisco Cuoco, Maria Padilha, Lena Brito, Fausto Fawcett, Simone Spoladore, Marcos Breda, Karine Teles, Cris Larin, Ernesto Piccolo e Rodrigo Penna.

Escrita por Vaz Pereira e Fawcett, “Ataliba, a gata safira” leva os espectadores a uma viagem pelo mundo em três enredos: “Os olhos ardentes”, “O ímã do Grande Norte” e “As asas filosofais”. A plateia assiste à determinação dos personagens em seguir seus destinos através das lentes de uma máquina desenvolvida pelos antigos vikings que ficou escondida por séculos nas bibliotecas do Vaticano.

O espetáculo original, que contou com Deborah Bloch, Pedro Cardoso, Lena Brito e Miguel Magno, foi aclamado pela imprensa especializada.

“Ataliba trata com inteligência a realidade e é irresistivelmente divertido”, analisou Aimar Labaki, em crítica para o jornal Folha de S. Paulo.

A plateia também recebeu bem a peça.

“O público aceitou a esquisitice, relacionou-a aos novos tempos que celebravam a globalização, a ecologia e a abertura política”, lembra Hamilton.

 “A Leve, o próximo nome da Terra” (18/06)

Os atores Eriberto Leão, Lena Brito, Armando Babaiof, Karine Teles, Natália Lage e Álamo Facó fizeram a leitura do texto do espetáculo, que se passa em seis locais diferentes, retratando os eventos que fortalecem membros de uma família moderna a .

“A peça traz a marca inconfundível de Hamilton Vaz Pereira. Ou seja: uma mescla de humor, fantasia e reflexão, explicitada sem qualquer preocupação de seguir os cânones tradicionais da construção dramatúrgica”, afirmou Lionel Fischer numa crítica publicada pela Tribuna da Imprensa na época do lançamento original – que trazia Letícia Spiller, Floriano Peixoto, Moska, Virginia Cavendish, Ernesto Piccolo, Caio Blat, Pedro Vasconcelos e Lena Brito, que também participou da leitura.

Nardja Zulpério (25/06)

Na última leitura do ciclo, Regina Casé resgatará a personagem-título Nardja Zulpério no monólogo criado em parceria com Hamilton, a convite da atriz, em 1988. O espetáculo, primeira produção da dupla depois do fim do grupo teatral “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, gira em torno de um conjunto de reflexões da protagonista sobre a vida, enquanto realiza vários trabalhos ao longo uma noite – do roteiro de um comercial a uma adaptação de Nietzsche.

No último ano da montagem em cartaz, 1994, Nelson de Sá descreveu “Nardja Zulpério” como “uma obra maior de dois autores”, em crítica para a Folha de S. Paulo, enquanto Caetano Veloso o classificou como “um teatro impecável”.

Serviço:

Trate-me leão – ciclo de leituras de Hamilton Vaz Pereira “O cão comendo mariola”

Dia: 4 de junho, sábado

Horário: às 20h

Leitores: Luisa Arraes, George Sauma, Luana Martau, Igor Angelkorte, Renato Góes, Valentina Herszage, Cesar Cardadeiro, Luiza Casé e Daniel Passi

 

Ataliba, a gata safira – ciclo de leituras de Hamilton Vaz Pereira “O cão comendo mariola”

Dia: 11 de junho, sábado

Horário: às 20h

Leitores: Francisco Cuoco, Maria Padilha, Lena Brito, Fausto Fawcett, Simone Spoladore, Marcos Breda, Cris Larin, Karine Teles, Ernesto Piccolo e Rodrigo Penna

 

A Leve, o próximo nome da Terra – ciclo de leituras de Hamilton Vaz Pereira “O cão comendo mariola”

Dia: 18 de junho, sábado

Horário: às 20h

Leitores: Eriberto Leão, Lena Brito, Armando Babaiof, Karine Teles, Natália Lage e Álamo Facó

 

Nardja Zulpério – ciclo de leituras de Hamilton Vaz Pereira “O cão comendo mariola”

Dia: 25 de junho, sábado

Leitora: Regina Casé

 

Local: Cidade das Artes – Sala Eletroacústica

Av. das Américas, 5300 – Barra da Tijuca – RJ

 

Capacidade: 100 lugares

 

Ingresso: R$ 20,00 (inteira – meia entrada disponível)

Informações e venda de ingressos: (21) 4003-1212

www.ingressorapido.com.br

 

Bilheteria: de terça a sexta, das 13h às 21h. Sábado e domingo, das 12h às 20h (em dias de espetáculo, a bilheteria ficará aberta até meia hora após o início do show)

Dinheiro ou cartões de crédito e débito Visa, Credicard, Mastercard e Diners

Não aceita cheques

 

Como chegar de ônibus

Desembarque no Terminal Alvorada e passe pela passagem subterrânea que sairá dentro da Cidade das Artes.

 

Estacionamento

 

Veículos de Passeio:

Primeiros 20min ———————– Tolerância

Permanência de até 1h ————— R$ 5,00 

Permanência de até 6h ————— R$ 10,00

Permanência de até 17h ————— R$ 15,00

Após permanência de até 17h, a cada hora ou fração —– R$ 2,00.

 

Motos:

Primeiros 20min ———————— Tolerância

Permanência de até 1h —————- R$ 3,00

Permanência de até 6h —————- R$ 5,00

Permanência de até 17h —————- R$ 8,00

Após permanência de até 17h, a cada hora ou fração —– R$ 1,00.

 

Ônibus e Caminhões:              

Valor Único ————————————- R$ 30,00

Obs: A tabela de preços poderá sofrer alterações sem aviso prévio.

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OBS: Foto do acervo pessoal de Hamilton Vaz Pereira

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