Ciclo Ato Criador celebra 10 anos de atividades com série de encontros gratuitos guiados pelo tema ‘Outros possíveis’

Com direção de Ana Lúcia Pardo, evento reúne artistas e teóricos de áreas diversas, como o cientista político espanhol do Podemos, Juan Carlos Monedero, a performer boliviana María Galindo, os rappers Gog e Deize Tigrona e o poeta Nelson Maca. Com mesas-redondas, palestras, debates e oficinas, ciclo ocupa o Oi Futuro, o Centro de Artes UFF e diferentes espaços da Baixada Fluminense de setembro a dezembro

Há uma década, a atriz e produtora Ana Lúcia Pardo reúne grandes personalidades da cultura, da economia, da política, da comunicação, do meio ambiente e de outros saberes na busca por uma reflexão interdisciplinar do mundo em que vivemos. Criada em 2006 com o título de “A Teatralidade do humano”, essa série completa 10 anos com o Ciclo Ato Criador – Outros Possíveis, que tem o objetivo principal de instigar o pensamento e mostrar a capacidade humana de se reinventar. Este ano, a ideia é focar ainda mais nessa necessidade de transformação, com mesas-redondas, palestras, oficinas e debates guiados pelo tema ‘OutrosPossíveis’. O objetivo é apontara a emergência de novas ideias, concepções e alternativas que exigirá um processo de transformação do mundo.

Esta é a 6ª edição do evento, realizado desde 2006 no Oi Futuro, com patrocínio da Oi, da Petrobras, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, sob a curadoria e supervisão da atriz, jornalista e gestora cultural Ana Lúcia Pardo. Neste ano, a série também recebe o apoio do Consulado da França no Rio de Janeiro. Todas as atividades são gratuitas.

O Ciclo Ato Criador – Outros possíveis vai ocupar, de setembro a dezembro, além do Oi Futuro Flamengo e do Oi Futuro Ipanema, espaços do Centro de Artes UFF e dos municípios de Mesquita, Belford Roxo, Duque de Caxias, São João de Meriti e Japeri. Nomes como o político espanhol do Podemos, Juan Carlos Monedero, a performer boliviana María Galindo, o poeta Nelson Maca, a cantora Deize Tigrona e a religiosa Mãe beata de Yemanjá estão entre os participantes desta edição.

 “Acredito que a questão central que nos atravessa atualmente é que vivemos em um mundo em convulsão, diante do esgotamento de um modelo de desenvolvimento que está aniquilando o planeta e todos os seres vivos”, analisa Ana Lúcia Pardo. “Como se o mundo criado por nós mesmos, os humanos, se deparasse na nossa frente a nos indagar: ‘É isso mesmo que vocês queriam para vocês?’ Como se todas as estruturas criadas estivessem ruindo ao mesmo tempo, deixando à mostra todas as suas fragilidades e imperfeições, um esgotamento do possível.

Para a gestora cultural, diante desse quadro problemático, somos obrigados a rever nosso sistema de vivência no planeta, de relações interpessoais, de questões ambientais, culturais, artísticas, políticas, econômicas… “É justamente do impossível que precisamos criar os possíveis. Em minha opinião, essa revisão geral vai implicar em uma mudança radical de comportamento individual e coletivo. E quem são os atores e autores desse processo senão nós mesmos?”, questiona.

Neste mês de setembro, uma parte das atividades do Ciclo Ato Criador – Outros Possíveis é integrada à programação do Festival Nacional de Cultura Popular – Interculturalidades realizado pelo Centro de Artes da UFF e o Ministério da Cultura no âmbito do Programa Maratona Cultural UFF 2016. No dia 20 de setembro, começam as atividades no Oi Futuro Flamengo com a Mesa “Corpos Fluidos”, que vai reunir a performer boliviana María Galindo, o deputado federal Jean Wyllys e  a Tchaka Rainha das Festas, personagem drag queen do ator Valder Bastos. No mesmo espaço, dia 25 de outubro, será lançado o Catálogo Ato Criador, com textos, poema, imagens e artes referentes aos conteúdos registrados durante as atividades realizadas em 2015 no Ciclo Ato Criador.

Até o fim do ano, já estão confirmados seis participantes internacionais, de diversos países (Japão, França, Espanha, México e Bolívia) e de diferentes áreas de pensamento e atuação (Filosofia, Ciência Política, Psicanálise, História, Corpo, Dança, Performance). Além dos convidados internacionais, mais de 50 convidados nacionais (teóricos, artistas, gestores, grupos e coletivos artísticos), de diversas localidades do país (Rio, São Paulo, Amazonas, Bahia, Porto Alegre, Belém, Pernambuco, Distrito Federal) estarão nas mesas de debates. Veja abaixo a programação de setembro.

Ciclo Ato Criador
Idealizado por Ana Lúcia Pardo, o Ciclo Ato Criador teve sua primeira edição em 2006/2007 com o painel “A Teatralidade do Humano”. A segunda edição foi realizada em 2010, com o Ciclo “A Teatralidade do Humano II – Sujetividades e Políticas da Cena e do Mundo”. A terceira edição, que ganhou o nome de“Ciclo Inter-Agir – na rua, na rede, na cena contemporânea”, foi realizada em 2012. No ano seguinte, em 2013, a quarta edição apresentou o Ciclo “Espaços de Reencantamento, Afetos e Utopias de Um Novo Mundo”. A quinta edição se desenrolou durante o ano de 2015, e recebeu o título de Ciclo “Ato Criador”, com a realização, de 21 atividades de abril a novembro, sendo 19 encontros em forma de palestras e debates além de apresentações e intervenções artísticas de coletivos e grupos. Participaram convidados nacionais e internacionais de diversos países.

Neste ano, quando celebra uma década de atividade, o Ciclo Ato Criador – Outros Possíveis busca lançar uma luz sobre a estética da existência e de novos modos de criação de mundos, criação de possíveis. A luta por uma vida diferente, como disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano. “Há outro mundo que nos espera, esse mundo está grávido de outro”.

Toda a programação é gratuita, com retirada de senhas uma hora antes do evento.

Setembro:

Dia 7/09 – quarta-feira, 15h. Teatro Centro de Artes UFF – Niterói.

Mesa: Desafios da Amazônia no século 21

Apresentar uma visão global sobre o desenvolvimento da Amazônia, e suas metamorfoses, a partir de uma perspectiva histórica e social, com foco na questão indígena e nos projetos “desenvolvimentistas” para a região.

José Ribamar Bessa Freire
Professor da Pós-Graduação em Memória Social da UniRio e da Faculdade de Educação da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas. Publicou: “Rio Babel – a história das línguas na Amazônia”, “Políticas de línguas no novo mundo”, “Línguas Gerais – Política Linguística e Catequese na América do Sul no Período Colonial”, “Os Aldeamentos indígenas do Rio de Janeiro”, “Os índios em Arquivos do Rio de Janeiro” e “A Amazônia no período colonial”.

Aldísio Filgueiras
Compositor, poeta e jornalista amazonense. Sua estreia literária aconteceu em 1968, com o livro de poemas Estado de Sítio, que teve circulação proibida pela censura.  Porto de Lenha, um dos maiores sucesso da música regional, foi composta por Aldísio em parceria com o compositor Torrinho. Membro da Academia Amazonense de Letras,

Marilene Corrêa
Professora e pesquisadora dos Programas de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia e em Sociologia da Universidade Federal do Amazonas e Agricultura no Trópico Úmido do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Formada em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas,

Mediação de Ana Lúcia Pardo, curadora do Ciclo Ato Criador – Outros Possíveis, atriz, jornalista e gestora cultural.

Dia 12/09 – segunda-feira, 16h. Teatro Centro de Artes UFF – Niterói.

Mesa: Um Deus que dança

Tomar como referência a cosmovisão de ritos e a ancestralidade das religiões de matriz indígena, africana, cigana e indiana, para aprofundar o conhecimento sobre essas culturas e as suas diferentes formas de cultuar as divindades, deuses e orixás.

Mãe Beata de Yemanjá

Nascida em 1931, em Cachoeira do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano, Beatriz Moreira Costa é a  religiosa que comanda o terreiro Ilê Omi Oju Aro, em Nova Iguaçu, RJ. Mãe Beata também é escritora.

Márcia Yaskara Guelpa

Nascida em Amritsar (Índia) e naturalizada brasileira, Márcia Yáskara Guelpa é jornalista, publicitária e cigana.

Cacique Agostinho e dona Marciana – Aldeia Araponga

Líder espiritual da aldeia guarani Araponga, localizada em Paraty (RJ). Cacique Agostinho e sua esposa, Dona Marciana, são os responsáveis pela vida e conhecimentos ancestrais da Aldeia.

Mediação de Athamis Bárbara

Líder de cerimônia e rituais de passagem, iniciada na Tradição Ojibway, com mestres de tradições amazônica e canadense. Trabalha com técnicas ancestrais de cura, oficinas de tambores tradicionais, jornadas xamânicas e workshops de danças sagradas.

Dia 14/09 – quarta-feira, 19hs. Teatro Centro de Artes UFF – Niterói.

Mesa: O Corpo da rua

Colocar na centralidade do debate expressões culturais, como o funk e o hip hop, que são manifestações culturais populares que assumem uma forma artística híbrida, contemporânea, reveladoras de sentidos.

MV Hemp

Rapper carioca do Coletivo Comando Selva

G0G (Genival Oliveira Gonçalves)

Rapper, cantor e escritor, nascido em Sobradinho, DF. Gravou com o cantor Lenine a música “A Ponte”, cuja letra expõe os problemas das periferias das grandes cidades. É autor das músicas “Amor venceu a guerra”, “Brasil com P”, “Quando o pai se vai”, “Carta à mãe África”, “É o terror”, entre outros.

Deize Tigrona

Cantora de música funk carioca. Ela é autora da música “Injeção”, que além de agitar pessoas em Paris, também encantou a inglesa M.I.A.

Mediação Hélia Borges

Psicanalista, Doutora IMS/Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Professora da Graduação e da Pós-graduação da Faculdade Angel Vianna. Pesquisadora de temas ligados à corporeidade.

Dia 15/09 – quinta-feira, 16h. Teatro Centro de Artes UFF – Niterói

Mesa: A escola é o mundo

Discutir como vêm sendo construídos os processos e políticas públicas estabelecidas para a inclusão dos saberes das comunidades tradicionais e dos mestres populares nas universidades brasileiras.

Leonardo Guelman

Idealizador e coordenador do Projeto Rio com Gentileza, que promoveu duas ações de restauração (em 2000 e em 2010) da obra mural do Profeta Gentileza no Rio de Janeiro. Foi coordenador do curso de graduação em Produção Cultural da UFF (1997-2000). Atualmente, é Diretor do Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF e Superintendente de Artes da UFF.

Naomar Almeida Filho

Reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba). Médico e professor de epidemiologia no Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.

Apresentação Pan, o Circo da Terra do Nunca – Os malabaristas do sinal vermelho

Mostra a trajetória de um grupo de meninos de rua que atravessaram os sinais vermelhos para chegar há uma terra encantada, onde descobrem que são mais do que pensam e que podem mais do que imaginam. O espetáculo passeia por diversas técnicas circenses como acrobacias, equilibrismo, trampolins acrobáticos, danças aéreas, maculelê e muito mais. A trupe Malungos de Circo-Teatro, com 15 jovens formados no Circo Escola Benjamim de Oliveira, são os responsáveis por esta “contação” de história circense. Espetáculo teatral da Associação Se Essa Rua Fosse Minha e Malungos Circo Teatro.

Dia 16/09 – sexta-feira, 16h. Teatro Centro de Artes UFF – Niterói

Mesa: Outros possíveis na Democracia

Discutir outros possíveis na democracia a partir do contexto político atual. Sobre as novas formas de ativismo, lutas, resistências e vozes que ganharam as ruas, as redes e o parlamento no mundo. Uma análise com base no surgimento do Podemos, o fenômeno político que está revolucionando o mapa político espanhol, que deixou em apenas 11 meses de ser uma ideia de um grupo de cientistas políticos, ligados à esquerda tradicional, para se tornar um partido organizado.

Juan Carlos Monedero (Espanha)

Politólogo, escritor e cientista político espanhol, professor de Ciência Política na Universidade Complutense de Madrid e fundador do partido Podemos, na Espanha, que atualmente integra a gestão de governo em Madri.

Pablo Gentili

Secretário Executivo da Clacso – Conselho Latino Americano de Ciências Sociais. Professor Doutor do curso de Pós Graduação em políticas Públicas e Formação Humana na UERJ.

Dia 17/09 – sábado, a partir das 15h. Centro Cultural Donana – Belford Roxo.

Mesa: Outras Narrativas

Discutir que novas narrativas surgem no território nos campos audiovisual, na literatura, na poesia, na música? Se, na condição de inventores, temos condição de produzir o inesperado, as mutações, o novo, criar saídas, caminhos; abrir atalhos; encontrar soluções e novos arranjos de ideias e conceitos, o que verdadeiramente estamos fazendo com toda essa potência criadora?

Dida Nascimento

Músico e compositor de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ícone do movimento reggae carioca. Fundou, junto com Marrone e Lauro Garcia, o grupo KMD-5, uma das bandas precursoras do reggae no Rio de Janeiro. Dida fundou em Belford Roxo o Centro Cultural Donana, que desenvolve atividades culturais na região, oferecendo cursos e eventos, na área das artes, música, esporte e educação.

Edson Cruz

Poeta baiano, autor do livro de poemas Ilhéu, editor e coordenador de Oficinas Literárias. Graduado em Letras pela USP, estudou Música e Psicologia. Fundador e editor do site de literatura Cronópios (até 2009) e da revista literária Mnemozine.

Sheyla Smanioto

Escritora baiana, formada em Estudos Literários, mestre em Teoria Literária na Unicamp. Autora do romanceDesesterro (Record), vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2015, do livro de poemas Dentro e folha (Dulcineia Catadora, 2012). Seu livro de contos, Selfie service, foi selecionado pelo ProAc Criação Literária 2014 e a peça No ponto cego foi editada na Coleção Incubadora Cultural e venceu do IV Concurso Jovens Dramaturgos do Sesc em 2014.

Luis Serguilha

Poeta e crítico português. Autor de várias obras de poesia e ensaio, como: Embarcações (2004), A singradura do capinador (2005), Hangares do vendaval (2007), As processionárias (2008), Korso (2010), Koa`e (2011),Kalahari (2013), entre outros.

Nelson Maca

Poeta e professor de literatura da UCSal, nasceu no Paraná, mas mora em Salvador desde 1989. É fundador do Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, que realiza o Sarau Bem Black e ações artísticas e de formação sócio-racial através das linguagens da cultura hip hop e afins há 15 anos.]

Intervenção literária musical com Tamborismo (Nelson Maca e Jorjão Bafafé) e Sarau Donana.

Dia 20/09 – terça-feira, a partir das 19h. Teatro Oi Futuro Flamengo

Mesa: Corpos Fluidos

María Galindo

Uma das fundadoras do coletivo boliviano Mujeres Creando. Fundado em 1992 por um grupo de ativistas que questionavam a postura clássica da esquerda. No Brasil, o Mujeres Creando viveu uma polêmica na 31° Bienal de Arte de São Paulo, em 2014.

Rainha das Festas TchaKa

Personagem do ator Valder Bastos, que estudou artes dramáticas na Escola Teatro Macunaíma (SP), é advogada defensora dos direitos LGBTT e uma das apresentadoras da Parada Gay em São Paulo.

Jean Wyllys

O deputado federal tem uma história de envolvimento com trabalhos em favor da justiça social, de uma educação para a cidadania e para a valorização da vida, e em favor das liberdades civis, que remonta à sua adolescência, quando pertencia às pastorais da Juventude Estudantil e da Juventude do Meio Popular, e atuava nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica. Parceiro dos movimentos LGBT, negro e de mulheres, participa de ações que combatem a homofobia, a intolerância religiosa, a discriminação contra o povo de santo, o trabalho escravo, a exploração sexual de crianças e adolescentes, e as violências contra a mulher.

Endereços:

Teatro Centro de Artes UFF – Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí, Niterói. Telefone: (21) 3674-7515.

Centro Cultural Donana – Rua Aguapeí, 197, Belford Roxo. Telefone: (21) 2662-2373.

Oi Futuro Flamengo – Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo. Telefone: (21) 3131-3060.

DEIXE UM COMENTÁRIO