Cia Fragmento de Dança coloca em cena a potência sensível de “Corpos Frágeis”

Revisitado, trabalho de 2010 sintetiza questões e traz em seu bojo uma relevante discussão sobre gênero, em linha com as inquietações existenciais da sociedade atual.

Corpos Frágeis - Fragmento de Dança (foto: Léo Lin)
Corpos Frágeis - Fragmento de Dança (foto: Léo Lin)

O quanto de força tem na fragilidade, o quanto de morte tem na vida, quanto de potência tem na dor. Essas e outras questões também relacionadas ao universo feminino, às discussões de gênero e aos paradoxos que constituem a existência humana são os dispositivos que acionam o espetáculo “Corpos Frágeis”, que a Cia Fragmento de Dança apresenta, de 4 a 27 de setembro, em sessões de sexta a domingo, no Kasulo Espaço de Cultura e Arte.

Recriado, o trabalho, de 2010, teve como ponto de partida o livro “Corpos Frágeis, Mulheres Poderosas”, das autoras argentinas Maria Martoccia e Javiera Gutierrez, que retrata a vida e obra de nove talentosas mulheres – entre elas Frida Khalo, Virginia Wolf e Billie Holiday – que buscaram, da fragilidade de seus próprios corpos, uma força incomum para superarem suas existências tortuosas e deixar, cada uma a seu modo, uma obra transcendente.

Corpos Frágeis - Fragmento de Dança (foto: Léo Lin)
Corpos Frágeis – Fragmento de Dança (foto: Léo Lin)

Para além da inegável importância que a obra dessas mulheres trouxe para a humanidade, o que moveu a companhia para revisitar a peça foram as questões em comum que suscitaram de suas experiências. “O trabalho artístico não busca elevá-las, destacando uma ou outra perante o mundo, como mártires de dor. Interessa-nos a reflexão que provocam sobre as contradições em que está imersa a nossa própria existência; suas vidas e obras estão diluídas no trabalho, sem referenciá-las como personagens”, observa Vanessa Macedo, diretora da companhia paulistana fundada há 12 anos.

O elenco formado por  Chico Rosa, Daniela Moraes, Maitê Molnar, Rafael Edgar, Rafael Sertori, a própria Vanessa Macedo, além  de três novos integrantes da companhia, que se revezam durante a temporada – Diego Hazan, Flávia Tiemi e Iolanda Sinatra -, se apropria do pulsar desses corpos abstratos, que se mostraram, a um só tempo,  protagonistas e antagonistas da realidade, e colocam em cena a fragilidade do feminino enquanto potência sensível.

A ambientação sonora composta por Gustavo Domingues e os tons sépia da luz de Sandro Borelli, da cenografia de Nani Brisque e do figurino em versão atual de Daíse Neves (o original, também assinado por Nani Brisque), compõem com a atmosfera intimista e a densa e delicada dramaturgia do corpo.

Corpos Frágeis mantém-se atual e, mais do que nunca, oportuno ao motivar uma discussão de gênero, preconceito e intolerância como tabus que persistem em pleno século XXI.

A temporada no Kasulo integra projeto contemplado pela 16ª edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

Serviço: Cia Fragmento de Dança, dirigida por Vanessa Macedo, com “Corpos Frágeis”.  De 04 a 27 de setembro, sextas e sábados, 21h; domingos, 19h. Kasulo Espaço de Cultura e Arte (Rua Sousa Lima, 300 – Barra Funda – São Paulo- tel: 11 3666-7238). 50 min., 14 anos. 30 lugares. Grátis – os ingressos devem ser retirados uma hora antes do espetáculo. Também podem ser feitas reservas pelo e-mail producaociafragmento@gmail.com 

Sinopse

“Corpos Frágeis” – Cia Fragmento de Dança
“Corpos Frágeis” coloca em cena a fragilidade do feminino enquanto potência sensível. A pesquisa partiu do livro “Corpos Frágeis, Mulheres Poderosas”, de Maria Martoccia e Javiera Gutierrez, que reúne a vida e obra de nove mulheres, dentre elas Frida Kahlo, Billie Holiday e Virginia Woolf, que além do talento, tiveram em comum inimigos invencíveis como o preconceito, a ignorância, a fatalidade e, principalmente, seus próprios corpos, trazendo uma discussão que transita entre vida e morte, dor e criação, fragilidade e força como paradoxos da própria existência.

Coreografia e direção: Vanessa Macedo. Com Chico Rosa, Daniela Moraes, Diego Hazan, Flávia Tiemi, Iolanda Sinatra, Maitê Molnar, Rafael Edgar, Rafael Sertori e Vanessa Macedo.

Ficha técnica:

Coreografia e direção: Vanessa Macedo

Assistente de coreografia: Maitê Molnar

Elenco: Chico Rosa, Daniela Moraes, Diego Hazan, Flávia Tiemi, Iolanda Sinatra, Maitê Molnar, Rafael Edgar, Rafael Sertori e Vanessa Macedo

Criação de luz: Sandro Borelli

Trilha sonora: Gustavo Domingues

Cenário: Nani Brisque

Figurino original: Nani Brisque/ Versão Atual: Daíse Neves

Preparação corporal: José Ricardo Tomaselli, Rodrigo Vieira e Vanessa Macedo

Produção executiva: Iolanda Sinatra

Assistência de produção: Maria Basulto

Sobre a Cia.
Com direção de Vanessa Macedo, a Cia Fragmento de Dança desenvolve pesquisa e criação em dança contemporânea desde 2002. Suas criações são marcadas pela inspiração em artistas, obras e conteúdos especialmente confessionais. Discute, a partir daí, relações vividas pelo homem, enquanto ser social e ser solitário. Envolvida nessas questões, a cia. procura construir um vocabulário de movimento próprio, buscando uma estética dramatúrgica autoral.      

Em seus últimos projetos – viabilizados por meio de prêmios e editais, principalmente o de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo -, vem desenvolvendo ações que privilegiam a troca com profissionais de outros universos artísticos e áreas de atuação. “Fomos percebendo que essas ações, que vão além dos limites da nossa prática artística diária, são possibilidades concretas de compartilhamento que ultrapassam o universo da dança. Criar pontes com outros espaços e pessoas não só enriquece o nosso fazer artístico, mas nos coloca em contato com campos de conhecimento diversos, capazes de nos afetar criativa e politicamente”, pondera a diretora da Companhia.

Trajetória

2014 – “Aos vencedores, as batatas” – Contemplado pelo Proac – Programa de Ação

Cultural do Estado de São Paulo.

2013 – “Sem Título” – estreia em fevereiro de 2013. Contemplado pelo 12°

edital do Programa Municipal de Fomento à dança.

2012 – “Nuvens Insetos” – Contemplado pelo 10° edital do Programa

Municipal de Fomento à dança e pelo prêmio Klauss Vianna (2013).

2011 – “Ecos” – estreia em junho de 2011 no Semanas da Dança do CCSP.

2010 – “Anjos Negros” – Contemplado pelo Proac – Programa de Ação

Cultural do Estado de São Paulo.

2010 – “Corpos Frágeis” – Contemplado pelo 6° edital do Programa

Municipal de Fomento à Dança e pelo edital de ocupação da Caixa.

2008 – “Beije Minha Alma” – premiado pelo 12° Cultura Inglesa Festival.

2008 – “Sob a Nudez dos Olhos”– contemplado pelo 2° edital do Programa

Municipal de Fomento à Dança e pelo Circuito SESI de Dança 2008.

2007 – “Versos da Última Estação”– contemplado pelo Proac – Programa de

Ação Cultural para pesquisa e investigação em Dança.

2006 – “Sem voz, sem sono, sem vez”– Criado para a Domínio Cia de Dança

de Natal-RN em 2006 e remontado na Cia Fragmento neste mesmo ano.

2004 – “In verso” – contemplado pelo projeto “Sesi Novos talentos”.

2002 – “Reticência”– Participou do projeto “Outras Danças” (Sesc Ipiranga),

do Panorama Sesi da Dança-2003 (Sesi da Paulista) e da I Mostra Natal de

Dança (Escola de Música da UFRN).

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