Cenário musical em busca de novas apostas

Cinco artistas concorrem ao patrocínio para gravação de primeiro ou segundo disco de carreira pelo Natura Musical, em votação online até 21 de outubro no portal do programa

Voto popularO Natura Musical apresenta os cinco nomes que passaram pelo crivo de sua comissão de especialistas e vão disputar pelo voto popular o patrocínio para a gravação de seus próximos projetos: Angela Carneosso e a Peste (SP), Jr. Black (PE), Luiza Lian (SP), Rubel (RJ) e Sofia Freire (PE). O público vai selecionar dois projetos para patrocínio do Natura Musical em 2017. A campanha de votação online ocorrerá no portal www.naturamusical.com.br até 21 de outubro.

Aproximadamente 200 artistas ou bandas se inscreveram na categoria Voto Popular dos editais Natura Musical, especialmente dedicada à gravação de primeiro ou segundo álbum de carreira pelo programa. Os editais foram criados em 2005 para fazer uso responsável e transparente de um recurso oferecido pelas leis de incentivo, e, no ano, passado foi aberta a categoria dedicada à revelação de novos talentos por meio do voto popular.

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“Hoje a carreira musical é determinada não só pelo talento e excelência, mas também pela habilidade do artista em formar e engajar público em sua agenda. Nesses 11 anos, o Natura Musical vem mantendo seu compromisso com a renovação da música brasileira e nos últimos anos percebemos a necessidade de reconhecer os artistas que se dispõem a compartilhar deste objetivo”, diz Fernanda Paiva, gerente de marketing institucional da empresa de cosméticos.

Desta forma, o programa passa a dividir com o público suas escolhas no terreno das apostas nacionais, valorizando a opinião experiente da curadoria do programa, mas também apostando no potencial de mobilização dos artistas em início de carreira. A comissão de especialistas é formada por nomes do meio musical, entre críticos, produtores, empresários, artistas e jornalistas. Os integrantes da comissão serão revelados em dezembro, quando o Natura Musical anunciará todos os projetos selecionados pelos editais nacional e regionais para 2017.

Em 2015, a campanha online teve 252 inscritos e em 26 dias de votação recebeu mais de 750 mil votos e gerou inúmeros vídeos, memes, gifs e campanhas de artistas consagrados para seus favoritos. Os vencedores foram o cantor Almério (PE) e a Coutto Orchestra (SE) que se preparam para lançar seus álbuns nos próximos meses.

Uma das principais características do “pleito” neste ano é a diversidade de personalidades artísticas e cenas representadas: vai do samba e funk a uma rica combinação de erudita com eletrônica, além de fartas doses de pós-tropicalismo, vanguardismos paulistas e folk. Conheça os artistas:

Angela Carneosso e a Peste
Angela Carneosso tem uma presença daquelas que a gente identifica logo de cara como força da natureza. Atriz forjada nos cursos da ECA e amadurecida na Universidade Antropófoga do Teat(r)o Oficina, é sob esse codinome artístico que Laura produz a festa Mamba Negra, ao lado de Carol Schutzer, em territórios inusitados do centro de São Paulo.

Estreou a carreira musical com o primeiro disco da banda “Teto Preto”, que traz composição própria e releituras da música brasileira, numa espécie de “terreiro eletrônico antropofágico”. De 2011 a 2013, Angela Carneosso apresentou-se com a banda Os Bacanais em festas, clubes e festivais da cena independente paulistana. Em 2014, conheceu Filipe Massumi, diretor musical do Teat(r)o Oficina, com quem desenvolve deste então a linguagem musical de novo ciclo do projeto: Angela Carneosso e a Peste, com referências da música experimental e popular brasileira.

A persona da atriz Laura Diaz, 27 anos, usa a atitude performática para dar voz ao posicionamento libertário. No palco, Carneosso, bacante de voz e atitude potentes, desperta fantasias dionisíacas. “Quando nasci em corpo de mulher, nesse mundo de hoje, infelizmente não tive opção de não ser colocada como objeto sexual, vejo o corpo como um campo de batalha”, resume. 

O primeiro disco de Angela Carneosso e a Peste reafirmará essa proposta em repertório autoral e inédito. “Não cantaremos o amor, o sorriso e a flor”, brincam Filipe e Laura. 

https://www.youtube.com/watch?v=HRgWBUR6mIc&feature=youtu.be

Luiza Lian

Luiza Lian é a cara da música paulistana contemporânea. Aos 27 anos, a cantora e compositora paulistana tem um background amplo: passou dos bancos da escola EMESP Tom Jobim aos espaços independentes do circuito autoral e casas de jazz da cidade.

Foi vocalista da banda “Noite Torta”, ao lado de Gabriel Basile (bateria e percussão), Jonas Garcia (violão, guitarra, voz), Gabriel Jacques (baixo, voz), Juliano Abramovay (violão, guitarra, teclado, bandolim e voz), com a qual lançou o disco Rio Adentro (2014) e se profissionalizou na música, participando também de diversos discos de bandas da cena independente como “Garotas Suecas”, “Holger” e “Mojo Workers”.

Em 2015, a cantora seguiu carreira solo e preparou seu disco de estreia, homônimo, lançado pelo selo “Risco” com referências que vão do blues ao jazz, passando pela psicodelia sonora e flertando com ritmos de terreiro. Sua banda é formada pelos músicos Tim Bernardes na guitarra (O Terno), Guilherme D’Almeida no baixo (O Terno), Juliano Abramovay no violão e guitarra (Grand Bazaar), Tomás de Souza nos teclados (Charlie e Os Marretas) e Charles Tixier na bateria (Charlie e Os Marretas).

O projeto do segundo disco aponta na direção de um álbum autoral com a inclusão de sopros e toques eletrônicos, com produção de Tim Bernardes, Charles Tixier e sua banda atual.

Luiza Lian (2015) https://www.youtube.com/watch?v=q4y8H3csM8&list=PLm8ISRwZVCAMnap3nYpph26-_xuH7fgPE

Jr. Black

Jr. Black tem uma forte e bem-humorada veia de cronista urbano. Cantor de versos afiados e voz potente, com timbre inconfundível, imprime seu estilo em qualquer música que interprete, seja samba, soul, funk ou trip hop. Fã da música negra americana e do samba, o cantor e compositor Jr. Black, 40 anos, é de Garanhuns, no agreste pernambucano.

Começou a carreira, em 2001, como vocalista da banda recifense Negroove, onde permaneceu até 2007. Possui parcerias artísticas com China, Mombojó, DJ Dolores, Bande Dessinée, entre outros.

Enquanto seu primeiro álbum solo, “RGB” (Joinha Records, 2011) revelou uma paquera com o Miami Bass, mais cerebral, Jr. vive um momento de reconciliação com suas origens musicais. Atualmente, está à frente da banda Purassal, que interpreta músicas de Stevie Wonder.

O projeto de segundo disco solo, “Vende-se”, conta com a produção de Juliano Holanda e Yuri Queiroga, e será um álbum confessional, feito de narrativas urbanas, com letras calcadas em paisagens quase cinematográficas que falam “das glórias, epifanias e tragédias de um artista em uma cidade num eterno processo de destruição e reconstrução, guiado por ideais ultrapassados de “progresso” e por relações promíscuas entre o público e o privado – onde tudo parece estar à venda”.

RGB (2011) http://sonsdepernambuco.com.br/artistas/jr-black/

Rubel

A mistura equilibrada entre MPB e folk rock e o poder da internet colocaram o jovem cantor e compositor carioca Rubel no posto de uma das mais promissoras apostas da cena independente, mesmo sem herdar público por ter pertencido a alguma banda renomada ou investimento de gravadora.

Em 2013, o músico lançou Pearl, seu primeiro disco, gravado em um estúdio caseiro durante um intercâmbio em Austin, nos Estados Unidos. O álbum caiu no gosto do público dois anos depois e ganhou mais força com o clipe de “Quando Bate Aquela Saudade”, dirigido por Rubel, que já superou a marca de 4 milhões de views.

De volta ao Brasil depois do intercâmbio em Austin, seguido por uma temporada em LA, o músico formou uma banda para trabalhar o disco ao vivo, com Pablo Arruda (baixo), Gus Levy (guitarra), Pedro Fonte (bateria), Valtecir Freitas “Bubu” (trompete), Antonio Guerra (piano e teclado). No show, que já passou pelas principais capitais brasileiras, estão as sete faixas de Pearl, “Partilhar” e “Quando Bate Aquela Saudade”, além de versões de “Esotérico”, de Gilberto Gil, e “Tocando em Frente”, de Renato Teixeira.

Rubel já trabalha na concepção de seu novo disco, que deve acrescentar à sua lista de influências musicais o hip hop que ele conheceu em LA.

Pearl (2013) https://www.youtube.com/watch?v=3lC56yWsU0Q

Sofia Freire

Concepção de música erudita misturada à eletrônica, beats marcantes, um passeio pela psicodelia e camadas de voz. Assim é a música de Sofia Freire, 19 anos, cantora, pianista e compositora do Recife. Desde os 15 ela compõe suas músicas, que emergem do universo erudito para o ambiente eletrônico.

Se Bjork é sua maior inspiração, Debussy é o compositor favorito. Sua ciranda com loops eletrônicos repousa em confortáveis temas ao piano e seu timbre vocal, bastante jovem, cresce com a espontaneidade do sotaque regional. A música de Sofia, arquitetada em camadas, tem lirismo, sofisticação e o sentimento primordial da herança moura que é um dos alicerces da música do Nordeste.

Sofia lançou seu primeiro disco ano passado, “Garimpo”, após ter passado na seletiva para o elenco da Joinha Records, do Mombojó, China e Tibério Azul. “Garimpo” é baseado em poesias do pai, Wilson Freire, e da irmã, Clarice Freire, que são escritores, e outros nomes da cena pernambucana, como Micheliny Verunschk.

Agora, a garota que chegou tímida ao seu primeiro show, passou pela preparação vocal de Linda Wise e foi vencedora do 7o Prêmio da Música e Pernambuco na categoria melhor cantora feminina, e já encarou a plateia dos festivais Coquetel Molotov e Rec­Beat. Seu segundo disco virá como um mergulho ainda mais profundo no rico universo melódico e poético que a envolve.

Garimpo (2015)

https://www.youtube.com/watch?v=LXoZK7T5MX0&list=PLA5kbK30NV2kXAn3Nanzeb0xJ6XrFm3PD

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