“Caranguejo overdrive”, vencedor dos prêmios Shell e APTR chega ao Galpão Gamboa

Peça relata a história de um soldado que lutou pelo Brasil contra o Paraguai e retorna ao Rio de Janeiro, encontrando sua cidade em profunda transformação

foto: João Julio Melo
foto: João Julio Melo

No final de 2014 “Caranguejo Overdrive”, da Aquela Cia. de Teatro, surgiu como processo criativo no projeto Dulcinavista e agora volta ao Gamboavista para duas apresentações. Vencedor dos prêmios Shell e APTR nas categorias melhor autor (Pedro Kosovski), direção (Marco André Nunes) e atriz (Carolina Virgüez), o espetáculo tem duas apresentações no Galpão Gamboa nos dias 4 e 5/06, às 21h.

Ele é um homem, ou um caranguejo, ou um soldado, ou um operário. Mergulhado na guerra, sofre um colapso: de volta à cidade onde nasceu, encontra um Rio de Janeiro em convulsões urbanísticas – uma cidade, para ele, irreconhecível e com sabor de exílio. Cosme, ex-combatente da Guerra do Paraguai, dispensado por ter enlouquecido na batalha, volta nos anos 1870 ao Rio. Procura o Mangue – a parte da cidade então chamada Rocio Pequeno, hoje a Praça 11 – e se emprega na construção do canal que representou a primeira grande obra de saneamento do Rio. Mais uma vez é presa de uma crise – abandona tudo, vaga pela noite, mergulha no delírio. Apanhado por uma tempestade dessas tão conhecidas dos cariocas, torna-se enfim um caranguejo.

A montagem aborda tema emergentes na atualidade, como o ciclo das transformações urbanas e a identidade dos seus habitantes, a homoafetividade e o poliamor”. São obras que falam de exílio – o personagem não têm lugar e estão em busca de um novo pouso. O espetáculo dialoga com o movimento manguebeat de Chico Science e a música, uma fusão de música eletrônica e tambores de maracatu, está presente e cena, desempenhando uma função quase narrativa.

Outra referência para esse trabalho é a do geógrafo Josué de Castro, em sua dura poética: “A lama dos mangues de Recife, fervilhando de caranguejos e povoada de seres humanos feitos de carne de caranguejo, pensando e sentindo como caranguejo. São seres anfíbios – habitantes da terra e da água, meio homens e meio bichos. Alimentados na infância com caldo de caranguejo – este leite de lama -, se faziam irmãos de leite dos caranguejos. […] A impressão que eu tinha era a de que os habitantes dos mangues – homens e caranguejos nascidos à beira do rio – à medida que iam crescendo, iam cada vez se atolando mais na lama”.

Ficha técnica:
Direção: Marco André Nunes | Texto: Pedro Kosovski
Com Carolina Virguez, Alex Nader, Eduardo Speroni,
Fellipe Marques, Matheus Macena
Músicos em cena: Felipe Storino, Maurício Chiari , Samuel Vieira e Pedro Nêgo.
Direção Musical: Felipe Storino | Iluminação: Renato Machado
Instalação Cênica: Marco André Nunes Ideia Original: Maurício Chiari
Realização: Aquela Cia de Teatro

SERVIÇO:
Caranguejo overdrive
Data: Dias 04/06 e 05/06
Local: Galpão Gamboa – Teatro
Endereço: Rua da Gamboa, 279 – Centro – RJ
Horário: 21h (sábado) e 20h (domingo)
Ingressos: R$ 20 (inteira)/R$ 10 (meia)/R$ 5 (para moradores dos bairros da Zona Portuária, mediante apresentação do comprovante de residência)
Vendas de ingressos:
– No Galpão: terça a quinta, das 14h às 18h (nos dias de espetáculo, a bilheteria começa a funcionar 2 horas antes do início do espetáculo ou até se esgotarem os ingressos)

– Na Pequena Central: terça a quinta, das 14h às 18h (endereço: Rua Conde de Irajá, 98, Botafogo – telefone de contato: 3797-0100)

Capacidade: 80 lugares
Forma de pagamento: dinheiro
Classificação: 16 anos

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