Pode-se dizer que “Capitão América: Guerra Civil” (Captain America: Civil War, 2016) foi um dos filmes mais aguardados do ano. Baseado na icônica saga dos quadrinhos que mostrou o conflito entre os principais heróis da Marvel, o longa veio com a premissa de garantir a mesma seriedade e carga emocional da obra original, especialmente pelo teor apresentado nos trailers. Infelizmente não conseguiu.

Definir o longa é uma tarefa complicada. Embora seja dirigido por Anthony e Joe Russo, (responsáveis pelo excelente “Capitão América: o Soldado Invernal”) e tente passar o mesmo clima do filme anterior , “Guerra Civil” falha em vários aspectos. Começando pelo título, que possivelmente foi criado para competir com o marketing do filme “Batman v Superman”, da DC Comics.

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A história segue a mesma base temática dos quadrinhos, onde é criado um Ato de registro de pessoas com super poderes, gerando um conflito ideológico entre o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Capitão América (Chris Evans). Seria interessante, caso houvessem motivos reais para o confronto, como na obra original. Simplesmente a trama busca criar a tensão de seres poderosos existindo entre humanos e também insere o personagem do Soldado invernal, um dos elementos chave da batalha. Em nenhum momento a ideologia de cada personagem é explorada, ou até mesmo o questionamento de heróis importantes, como o Homem-Aranha. São criados times apenas para uma batalha, sem nenhum motivo a não ser apoiar aos protagonistas.

Parece que os diretores quiseram dar um motivo qualquer para se criar uma batalha grandiosa entre dois times de heróis. É totalmente justo, já que as cenas de ação são realmente empolgantes e conseguem tirar a respiração e arrancar risadas do telespectador. Porém escolheram o motivo errado, que remete a uma das sagas que mais dividiu opiniões do universo Marvel por um período de tempo. Além disso, a obra original contava com uma crítica  a política dos Estados Unidos e a questão da segurança exacerbada; já nesta produção, há a intervenção do conselho da ONU para decidir como os heróis serão registrados, obviamente dando um tom mais leve à obra.

Em alguns momentos parece ser um filme incompleto. É o primeiro da nova fase do universo cinematográfico da Marvel, que vai culminar em “Guerra Infinita”, protagonizado pelo vilão Thanos. A partir desse ponto, há um certo receio de como os diretores conseguirão lidar com mais de 30 personagens ao mesmo tempo, pois em “Guerra Civil” participam doze e alguns ficam apagados. O longa começa e termina sem muitas definições, deixando pontas para o próximo filme da franquia, ao invés de possuir um roteiro amarrado e bem desenvolvido, como “Guardiões da Galaxia” e o já citado “Soldado Invernal”. É uma jogada arriscada do estúdio.

Guerra Civil

Homem-Aranha (Tom Holland) e Homem Formiga (Paul Rudd) são com certeza os melhores personagens do filme; embora tenham uma participação limitada, de aproximadamente 30 minutos. A cena da batalha que participam mostra como alguns personagens podem ser bem explorados. As lutas, os diálogos, os movimentos: tudo muito fiel aos quadrinhos e em um tom cômico. Tom realmente conseguiu entrar no papel de Peter Parker e seu alter ego. É realmente empolgante ver um dos heróis mais queridos pelo público representado de forma tão convincente. Temos finalmente o melhor Homem Aranha dos cinemas.

Outro destaque fica com Pantera Negra (Chadwick Boseman), que é também um dos personagens com maior carga dramática e empatia com o público, além de protagonizar ótimas cenas de ação. Já o restante do elenco possui participações pequenas e ficam em segundo plano, mesmo com algumas partes interessantes e divertidas.

Porém os principais personagens, Capitão América e Homem de Ferro interpretam papéis tímidos e não despertam a empatia do público. Há uma tentativa de humanizar e dar razão para Tony Stark, que é mal desenvolvida. As ideologias e motivações fogem do contexto político para sentimentalismo e irracionalidade. Tony é um dos personagens mais racionais do universo Marvel, porém em algumas cenas parece um adolescente mimado querendo se impor. Realmente ficou aquém do esperado.

“Capitão América: Guerra Civil” não é um filme ruim, pelo contrário; possui ótimas cenas de ação e comédia, embora seja um filme mais sombrio que a franquia “Os Vingadores’, personagens icônicos e uma história até convincente para aqueles que não leram a saga nas revistas em quadrinhos. Para os fãs da obra original, porém, ficará um gostinho amargo, pois o filme passa longe de ter toda a carga emocional e política da verdadeira Guerra Civil. Talvez devesse utilizar outro nome e também tomar cuidado na fórmula que já está começando a se tornar repetitiva.

Ficha Técnica:
Ano: 2016
Título: Capitão América: Guerra Civil
Título original: Captain America: Civil War
Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Elenco (principais):  Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan.

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Patrick “Rick” Ribeiro – Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.