Caio Reisewitz e Tobias Putrih apresentam individuais na Luciana Brito Galeria em setembro

Obra "Corypha Umbracolíphera Floris", de Caio Reisewitz
Obra “Corypha Umbracolíphera Floris”, de Caio Reisewitz

No dia 3 de setembro, sábado, às 12h, a Luciana Brito galeria inaugura duas exposições simultâneas em seu novo espaço expositivo. O artista Caio Reisewitz abre a exposição “Aterro”, com obras inéditas realizadas no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, com curadoria de Guilherme Wisnik. Também no dia 3 de setembro, o artista esloveno Tobias Putrih apresenta a exposição “Compreensões”, compostas por duas instalações inéditas inspiradas pela arquitetura da casa onde está instalada a Galeria Luciana Brito, um projeto modernista de Rino Levi.

Caio Reisewitz (São Paulo, 1967) apresenta sua primeira individual no novo espaço da Luciana Brito Galeria, “Aterro” será composta por oito fotografias inéditas realizadas no Aterro do Flamengo, um dos mais famosos projetos paisagísticos de Burle Marx localizado no Rio de Janeiro.

O Aterro de Caio Reisewitz é uma paisagem onírica, vista como que em estado de sono ou vigília, em que a noite e dia se confundem. As imagens, todas noturnas, ganham tons fantasiosos devido à iluminação artificial do Aterro, estabelecendo um diálogo com as primeiras fotografias a cor produzidas por Marc Ferrez, em 1914, que também são referencias neste projeto. O artista paulistano lida com patrimônios arquitetônicos e paisagísticos da modernidade brasileira criando cruzamentos discretamente delirantes entre a exuberância da natureza tropical e as linhas sóbrias da construção moderna e

agora em “Aterro” desloca o diálogo com a arquitetura para uma escala urbana. Não vemos pessoas nem edifícios nessas fotos, apenas a natureza projetada e construída sobre uma particular luz noturna.

Este jardim gigante que virou floresta, onde até mesmo a lua cheia é mimetizada por postes de luz gigantescos, escondidos pelas copas das árvores, aparece como epítome da construção do real, da natureza como simulacro.

Caio Reisewitz apresentou recentemente individuais em instituições internacionais de renome como o ICP – Internacional Center for Photography (Nova York, 2014), o Huis Marseille Museum voor Fotografie (Amsterdam, 2015) e a Maison Européenne de la Photographie (Paris, 2015). Ano passado, também em Paris, apresentou a individual “Plantes, Pavillions et Pétrole” [Plantas, Pavilhões e Petróleo]. Em 2007, foi selecionado para representar o Brasil na 51a Bienal de Veneza (2007).

Obra “Corypha Umbracolíphera Floris”, de Caio Reisewitz

Tobias Putrih (Eslovênia, 1972), Representado pela galeria há três anos, apresenta sua primeira individual na Luciana Brito Galeria, “Compressões”. A partir da ideia de Rino Levi de uma sala de estar comprimida entre duas camadas de jardim tropical – também projetados por Burle Marx –, telas de papelão corrugado extensível formam barreiras semitransparentes no espaço expositivo. O material, bastante flexível, será manipulado pelo artista com prensas plásticas que criam distorções em sua estrutura original, dando origem a padrões visuais diversos. Uma das instalações é formada com 15 telas de 150 x 106 x 3 cm sustentadas por molduras de alumínio semelhantes às encontradas na Luciana Brito Galeria.

Parte da instalação poderá ser manipulada pelos visitantes, que, através do reposicionamento das prensas, criam novas composições e padrões para as telas de papelão. A exposição apresentara uma segunda instalação criada a partir de pedras que o artista recuperou em cavernas ao redor do mundo, mostradas juntamente com variações da escala de cinza da Pantone que traduzem a quantidade de luz que esses minerais receberam ao longo de sua existência.

Com uma produção artística que inclui instalação, escultura, desenho e intervenção, entre outras técnicas e linguagens, Tobias Putrih tem um interesse especial por objetos funcionais, lidando com sua natureza um tanto corriqueira, mas reinventando seu estatuto de modo radical. Um de seus procedimentos comuns para fazê-lo é criar, em suas instalações, intervenções e objetos, “situações de fluxo” e pontos de encontro, redefinindo a própria ideia de mobília, recriando seu significado e, assim, ampliando o alcance da coexistência humana e da percepção individual.

Art Weekend
A abertura das exposições integra a programação do Art Weekend, que acontece no final de semana prévio à abertura da 32a Bienal de São Paulo. A ação é coordenada pelo Projeto Latitude, da Abact (Associação Brasileira de ArteContemporânea) – atualmente sob presidência de Luciana Brito – e tem por objetivo criar um circuito de arte contemporânea através da cidade, com diversas aberturas acontecendo simultaneamente. Durante o Art Weekend a galeria estará aberta na sexta-feira das 17 às 22h e no sábado e domingo das 12 às 20h.

Sobre Caio Reisewitz (São Paulo, 1967) Formado em artes plásticas pela Universidade de Mainz (Alemanha), Reisewitz tem especialização em poéticas visuais e mestrado pela Universidade de São Paulo. Entre as bienais de que participou estão a 26ª Bienal de São Paulo, 51ª Biennale di Venezia e Nanjin Biennale (2010, China). MUSAC – Museo de Arte Contemporáneo de Castilla e León, Instituto Moreira Salles Rio de Janeiro, Martin-Gropius-Bau Berlin, Ella Fontanals-Cisneros Collection Miami estão entre as instituições em que já expôs. Sua obra pode ser encontra em acervos como Cisneros Fontanals Art Foundation, Fundación ARCO Madrid, Collezione Fondazione Guastalla (Milão, Itália), Centre National des Arts Plastiques – CNAP (Paris, França), MUSAC, Museu de Arte Moderna (de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador), Fundación Helga de Avear (Cáceres, Espanha), Musée Malraux (Le Havre, França), entre outros. Em 2014 realizou exposição individual no ICP – International Center of Photography, em Nova York, um dos mais importantes espaços da fotografia mundial. Em 2015 Caio Reisewitz realizou quatro exposições individuais pela Europa, entre elas Caio Reisewitz no Maison Europeénne de la Photographie em Paris e Florestas, favelas e falcatruas no Huis Marseille Museum voor Fotografie em Amsterdam.

Sobre Tobias Putrih (Eslovênia, 1972) Tobias Putrih é natural de Kranj, Eslovênia, e mora e trabalha em Nova York. Seu trabalho foi apresentado em instituições importantes no mundo todo, como o MUSAC (León, Espanha), Fondazione Sandretto Rebaudengo (Turim, Itália), Centre Pompidou (Paris, França), Ludlow38 (Nova York, EUA), Wexner Center (Columbus, Ohio, EUA), Bienal de Veneza (Veneza, Itália), MoMA (Nova York, EUA), Musée d’art Contemporain de Montréal (Canada), Bienal de São Paulo (Brasil) e Musée d’art Moderne Grand-Duc Jean (Luxemburgo). A obra de Putrih está representada nas seguintes coleções públicas: MoMA (Nova York, EUA), Centre Georges Pompidou (Paris, França), Musée d’ Art Moderne Grand-Duc Jean (Luxemburgo) e Museum Boijmans Van Beuningen (Roterdã, Holanda).

Sobre a Luciana Brito Galeria
Fundada em 1997 com o intuito de difundir globalmente a produção brasileira e de que divulgar, no Brasil, o trabalho de artistas de relevância mundial, a Luciana Brito Galeria já nasceu como um projeto de vocação internacional e intergeracional. Constituída como um espaço aberto ao diálogo, inclui entre suas representações espólios de nomes essenciais do Concretismo nacional, como Waldemar Cordeiro e Geraldo de Barros; artistas estabelecidos e renomados mundialmente, dentre os quais encontramse Regina Silveira, Marina Abramović, Caio Reisewitz e Héctor Zamora; e jovens que começaram a produzir a partir do século 21, como Tiago Tebet. Em abril de 2016, após quinze anos na Vila Olímpia, a Luciana Brito Galeria se transferiu para uma residência modernista projetada por Rino Levi com paisagismo de Burle Marx, no Jardim Europa. Com a troca de endereço, a galeria dá início a um projeto em que a herança arquitetônica modernista e questões urbanísticas integram-se à produção visual contemporânea, em busca de novas formas de perceber e mostrar arte.

“Aterro”, individual de Caio Reisewitz, curadoria: Guilherme Wisnik + “Compressões”,  individual de Tobias Putrih
Abertura: 03/09/2016, 12h – 20h
Período expositivo: 04/09/2016 – 28/10/2016
Horário de visitação: terça a sexta, das 10h às 19 h; sábado, das 11h às 18h
Local: Avenida Nove de Julho, 5162
Telefone: (+55 11) 3842-0634
Mais informações em www.lucianabritogaleria.com.br
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