Caio Fernando Abreu é homenageado na segunda edição do projeto “A Palavra Líquida”

Exposição, filmes, debates, e espetáculos de música, dança e teatro reverenciam escritor no Sesc Copacabana, de junho a agosto; especialistas e amigos estão entre os participantes do tributo

Caio Fernando Abreu (foto: Juvenal Pereira)
Caio Fernando Abreu (foto: Juvenal Pereira)

A partir de 6 de junho (segunda-feira), o Sesc Copacabana realiza a segunda edição do projeto “A Palavra Líquida”, tendo como homenageado o escritor, jornalista e dramaturgo (1948-1966) Caio Fernando Abreu – expoente da literatura brasileira que completa 20 anos de falecimento em 2016. Com idealização e curadoria da Gerência de Cultura do Sesc RJ A Palavra Líquida |Caio F. Epifanias propõe uma interface da literatura com diferentes linguagens artísticas – artes visuais, cênicas, audiovisual e música – abordando a tendência híbrida da palavra no mundo contemporâneo. A intenção é provocar uma reflexão sobre as novas práticas textuais que estão transformando a noção de autoria, de leitura e de escrita no mundo, a partir de temáticas relevantes na cultura brasileira. Essa tendência foi explorada na edição inaugural do projeto, realizada a partir do poema-instalação “TOTEM” de André Vallias, em novembro do ano passado.

Exposição “Caio Fernando Abreu – Doces Memórias”
Abrindo a programação, que permanece no Sesc Copacabana até 7 de agosto, será inaugurada a exposição “Caio Fernando Abreu – Doces Memórias”, idealizada pela Associação dos Amigos do Caio Fernando de Abreu (AACF), e produzida pela Of Produções.  A mostra recria a história e o universo do escritor, jornalista e dramaturgo gaúcho. Cada vez mais atual, a voz do premiado escritor se mostra viva desde pesquisas acadêmicas e adaptações de sua obra até as redes sociais, onde Caio se tornou uma espécie de guru para uma legião de jovens admiradores que nem tinham nascido quando o escritor perdeu sua batalha para a Aids, aos 47 anos.

Assim como a vida e obra do autor são indissociáveis, cada elemento do acervo, cedido pela família do escritor e pela PUC-RS, se entrelaça. Cenários que recriam ambientes e cidades por onde viveu se mesclam a fragmentos de textos, manuscritos e objetos pessoais, como a máquina de escrever, apelidada por Caio de “Virgínia Woolf”. Com curadoria de Márcia de Abreu Jacintho e Cláudia de Abreu Cabral, irmãs do autor, a atmosfera intimista da exposição se completa em meio às principais referências de Caio: música, astrologia, cinema e artes. Traços da sua personalidade metódica e mística se revelam e ajudam a compor a pluralidade de um escritor capaz de intrigar, surpreender e comover.

Mostra de Cinema
Além da abertura da exposição, o dia 6/6 também marca o início da Mostra de Cinema que conta com encontros entre os realizadores que utilizaram a vida e a obra de Caio Fernando como tema de seus filmes. Autor de textos pungentes, Caio, desde suas primeiras publicações, declarou seu amor pelo cinema e, ao longo de sua carreira, deixou rastros da influência de filmes em diversos de seus escritos. A programação audiovisual discutirá as referências cinematográficas presentes na obra do autor e como a sua literatura visceral e sua vida serviram de base para a criação de obras audiovisuais.

Para abrir essa programação, às 15h, serão exibidos o curta “História de borboletas” e o longa “Onde andará Dulce Veiga?” seguidos de encontro com os diretores Marcelo Brandão e Guilherme de Almeida Prado. A mostra conta ainda com mais duas sessões nos dias 4 e 25 de julho, também segundas-feiras, às 19h. No dia 04/07 serão exibidos os filmes “Sargento Garcia”, de Tutti Gregianin, e “Para Sempre Teu Caio F”., de Candé Salles. No dia 25/07, a sessão contará com o curta “Linda, uma história horrível”, de Bruno Gularte Barreto, e “Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes”, de Bruno Polidoro. Todos os encontros serão mediados por Flavia Prosdocimi, da Gerência de Cultura do Sesc RJ.

Ciclo de Debates
A partir de 13 junho, A Palavra Líquida | Caio F. Epifanias promove um ciclo de debates que vai abordar, a cada encontro, diferentes facetas do escritor gaúcho, desde a criação de sua obra e a mistura entre os escritos e a vida de Caio Fernando até a sua ligação com a astrologia. Ao todo serão quatro painéis, sempre às segundas-feiras, às 19h:  no dia 13/6, Italo Moriconi, Gil Veloso e Jeanne Callegari formam a mesa “Caio F. | Criação e Correspondência”;  “Caio F. Uma vida encenada” é o tema do dia 20/6, com  Gilberto Gawronski, Luís Artur Nunes e  Renato Farias; já no dia 11/7, Amanda Costa, Claudia Lisboa e Pedro Tornaghi são os debatedores de “Caio F. | Inventário Astrológico”; e, fechando o ciclo, no dia 18/7, o painel “Caio F. | Vida e Ficção” reúne  João Silvério Trevisan, Paula Dipp e Luiz Fernando Emediato. Todos os encontros serão mediados por Ramon Nunes Mello, da Gerência de Cultura do Sesc RJ.

Música
Nos dias 21 e 22 de junho (terça e quarta-feira), às 20h30, Marina Lima convida Cida Moreira para um show-homenagem a Caio Fernando. As duas cantoras apresentam repertórios referenciados pela poética do encontro entre a música e a literatura. No espetáculo, canções serão entremeadas por uma conversa com o público sobre o convívio das duas artistas com o autor e as referências e ligação estética com a obra de Caio. Os diversos textos, crônicas e cartas serão relembrados em sua forma e conteúdo, no sentido de destacarem as trocas culturais, repercussão e o alinhamento de carreira. Ao mesmo tempo, apresentar a escrita do autor que carrega um estilo pop que toca em assuntos e linguagens aparentemente alheia a Literatura. Marina Lima fará uma apresentação voz e violão, com as canções do disco “No Osso”, seu trabalho mais recente, e também sucessos da carreira – entre os quais “O chamado”, canção citada na obra de Caio Fernando Abreu. Já Cida Moreira apresenta, no formato voz e piano, um espetáculo com canções do disco “Soledade”, lançado em 2015, e de músicas citadas nos contos do Caio Fernando Abreu.

Teatro
Nara Keiserman apresenta o espetáculo inédito “Como era bonito lá”, criado a partir de cartas de Caio não cedidas para publicação, o acervo do próprio escritor (que se encontra na PUC-RS), fotos feitas por amigos em casa, fotos dos espetáculos que fez como ator, entrevistas gravadas em áudio, e histórias vividas em Porto Alegre, Londres e Suécia. A cena está ocupada pelas imagens e pela voz de Caio, em projeções que trazem suas palavras na sua própria voz, além de fotos e fac-símiles de seus escritos. Trechos de entrevistas, das palavras de amigos intelectuais e anônimos, contos e poesias não publicados são apresentados pela atriz, que trabalha em sintonia com as projeções, criando uma espécie de dueto, de cena/música a duas vozes. “Como era bonito lá” tem sessões nos dias 5, 6, 7, 12, 13 e 14 de julho (terças, quartas e quintas-feiras), às 20h.

Dança
O grupo pernambucano “Qualquer um dos 2 Cia. de Dança” traz para o Sesc Copacabana o espetáculo “Caio”, que brinca com a ambiguidade da palavra que remete ao ato de despencar e também ao nome de Caio Fernando Abreu. Colocando em cena as relações afetivas a partir de experiências com os contos do autor, a encenação propõe um recorte de trechos que remetem à queda. Um jogo semântico que trata do cair, tanto no jogo corporal, com o significado físico, como dando outros sentidos à queda. As apresentações são nos dias 21, 22, 23 e 24 de julho (quinta, sexta, sábado e domingo), às 21h. Além da apresentação do espetáculo, a Qualquer um dos 2 Cia. de Dança ministrará oficina de dança nos dias 22 e 23 de julho,  das 14 horas às 17 horas.

Com uma programação extensa e diversa, O projeto “A Palavra Líquida | Caio F. Epifanias” é uma forma de contribuir para a construção de sociedades democráticas, baseadas na diversidade, na pluralidade e no exercício da cidadania, através da disseminação da literatura de forma ampla e singular.

A programação completa pode ser conferida no site do Sesc RJ: www.sescrio.org.br

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