Bossa Nova conquista de vez o subúrbio carioca

O projeto “Madureira cheia de Bossa” voltou a encantar ao som de clássicos de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e muitos outros craques da nossa música

Wanda Sá e Paula Morelenbaum (foto: Rafael Hora)
Wanda Sá e Paula Morelenbaum (foto: Rafael Hora)

O projeto “Madureira cheia de Bossa” voltou a encantar ao som de clássicos de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e muitos outros craques da nossa música

O projeto “Madureira cheia de Bossa” é a prova de que os moradores do subúrbio não gostam apenas de samba, pagode e funk. No segundo show da série, no último dia 26, na Arena Carioca Fernando Torres, no Parque de Madureira, o público cresceu e ficou ainda mais eclético com fãs de todas as idades e não só do bairro, mas também de Campo Grande, Bangu, Oswaldo Cruz, Marechal Hermes, Cascadura, Guadalupe, Bento Ribeiro e muitos outros bairros das zonas norte e oeste do Rio. Todos para assistirem ao espetáculo comandado pelo casal Paula e Jaques Morelenbaum, que receberam a cantora Wanda Sá.

Carlos Augusto, de 52 anos, morador de Madureira, sentia-se privilegiado: “Um show desse só na Europa!” A jovem Isabella Chagas, de 19 anos, saiu de Campo Grande e já garantiu presença nas próximas apresentações: “Escuto bossa nova desde de criança, mas é a primeira vez que tenho oportunidade de assistir a um show. Achei diferente, bem cuidado. Gostei da luz, dos instrumentos. Tudo muito chique e ainda é de graça. Fiquei impressionada e vou voltar nos próximos.” Mas havia gente que não conhecia bem o gênero, caso de José Fernando, de 65 anos, de Jacarepaguá. “Vim para conhecer um pouco mais sobre o movimento bossa nova. Não temos muitas notícias por aqui. É a primeira vez que vejo o show da Wanda Sá.” Era a primeira vez também de Maria da Conceição, de 71 anos, que foi assistir ao show com duas irmãs e duas netas: “Sou amante da boa música e fico de olho na mídia para descobrir os bons shows”.

Alegria para o público, felicidade para a convidada Wanda Sá, que nunca havia se apresentado no subúrbio e estava emocionadíssima com a receptividade e o respeito do público pela bossa nova: “O projeto está de parabéns!  É uma ousadia maravilhosa abrir espaço para a bossa nova na Zona Norte. Temos poucos espaços para o gênero.” Depois que Paula e Jaques já haviam desfiado um rosário de pérolas do gênero – como “Águas de março”, “Desafinado” e “Canto de Ossanha” –, Wanda cantou outros clássicos de Tom Jobim, Carlos Lyra, Vinícius de Moraes, Edu Lobo, Marcos e Paulo Sérgio Valle. Para todos juntos, fecharem a noite com “Samba de uma nota só”, de Jobim.

O sucesso da empreitada fez com que o idealizador desabafasse: “Ontem, tive a certeza da importância deste projeto para a ressignificação de valores relacionados ao consumo da cultura nas regiões suburbanas da cidade. Ouvi de alguns que projeto de bossa nova em Madureira e adjacências era delírio meu e que não ia pegar. Mas, mês que vem, tem mais: Menescal, dia 10 de julho. Em agosto e setembro também. Vai ter bossa nova, sim, em Madureira. E se você ainda pensa que o gênero é consumido somente por estrangeiros ou pela elite cultural do Brasil, lamento informá-lo: o povão suburbano consome e canta bossa nova lindamente. Desvencilhe-se dessa cafonice conceitual.”