Bodas de Zircão: 21 anos de estabilidade da moeda brasileira

Os mais jovens provavelmente não se lembram da época da inflação, e muito menos se recordam das "maquininhas" de remarcação de preços

Um casamento entre o Real e a estabilidade da economia brasileira talvez seja a melhor maneira para caracterizar o início de um plano econômico que atuaria no sentido de reduzir a inflação elevada e persistente, que afetou o consumidor por muitos anos. O Plano Real trouxe solidez monetária e, consequentemente, a economia passou a ser estável desde então. 

Nestes 21 anos há muito a se comemorar tanto por parte dos empresários quanto da população e do governo. Em 1º de julho de 1994 houve o início de um processo de recuperação da credibilidade da moeda brasileira após um período de inflação elevada e de incapacidade de previsão para a realização de investimento, consumo e poupança.

O Plano Real teve impacto importante, principalmente, entre as classes de renda mais baixas, ao possibilitar aumento no poder de compra, melhora na distribuição de renda, maior previsibilidade e retorno do crédito de longo prazo. Diferentemente dos planos econômicos anteriores que não conseguiram reverter o processo inflacionário no país, o Plano Real proporcionou esta reversão, tornando-se um marco não só econômico, mas também politico, social e histórico para a nação, bem como um caso de sucesso mundial em termos de condução da política econômica.

Um dos principais setores a ser beneficiado com este cenário foi o supermercadista, que passou a contar com o consumo por parte da população a itens antes não acessíveis, diante da maior renda disponível das famílias. Os supermercados se destacaram como aliados do governo no combate à inflação, por meio intensas negociações com as indústrias a fim de oferecer a menos precificação possível no ponto de venda. E os indicadores de preços ao longo do tempo têm comprovado a elevada eficiência do setor supermercadista na luta contra aumentos inflacionários. De agosto de 1994 a maio de 2015, o comportamento entre os vários índices foram os seguintes:

Enquanto o índice de inflação oficial brasileiro, o IPCA/IBGE, registrou alta acumulada de 398,85%, o IPS/APAS/FIPE, que calcula o índice de preços dos supermercados, apresentou elevação de 178,07%. São mais de 200 pontos percentuais de diferença. Isso demonstra que todos os ganhos de eficiência e produtividade alcançados pelos supermercados ao longo deste período, somados às constantes negociações junto à indústria, têm possibilitado custos mais competitivos, que são revertidos nos preços dos produtos ao consumidor. E isso tudo justifica a evolução inflacionária menor do que em outros setores da economia brasileira ao longo de 21 anos.

Os mais jovens provavelmente não se lembram da época da inflação, e muito menos se recordam das “maquininhas” de remarcação de preços, com que operadores alteravam os valores dos produtos de hora em hora nos supermercados, naqueles que foram os períodos inflacionários mais críticos e persistentes. A realidade do segmento supermercadista hoje se difere, e muito, no que diz respeito à prestação de serviços ofertada nas lojas, à busca pela profissionalização, pelas melhores práticas de gestão e operação, pelo investimento em tecnologia e, por consequência, à busca por ganhos de produtividade.

Já é previsto que o segmento supermercadista mantenha a corrida por mais eficiência que vem objetivando desde o início do Plano Real. Os supermercados certamente aperfeiçoarão suas negociações comerciais junto aos fornecedores, auxiliando na manutenção da precificação em patamares inferiores aos verificados em outros setores da atividade econômica.

Quando consideramos as perspectivas a partir de agora, o País em geral tende a conviver com um quadro econômico mais favorável do que em momentos anteriores, evoluindo para completar Bodas de Prata, Bodas de Ouro, e muitas outras Bodas de estabilidade na economia. Afinal, casamentos devem ser para a vida inteira. Contudo, há avanços ainda a serem conquistados e consolidados no que diz respeito à estabilidade monetária e, consequentemente, solidez econômica. Há um conjunto de ações de diversas vertentes a ser cumprido pelo governo, pela população e pelas empresas para que a sociedade continue desfrutando de um ambiente economicamente mais estável.


 

Rodrigo Mariano – gerente do departamento de Economia e Pesquisa da APAS

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