Três dos maiores autores brasileiros, Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura sabem por experiência própria que falar da terceira idade não é o momento de lamentar impedimentos físicos, chorar diante da perda de audição, da cegueira ou qualquer clichê do gênero. É hora de celebrar aquele tempo da vida em que você se permite ser quem quiser – sem vergonha, sem impedimentos, sem medos. Inspirado na própria força produtiva, o trio apresenta ‘BarbarIdade’, produção da Aventura Entretenimento, que está em cartaz no Teatro Oi Casa Grande até 14 de junho. Com orçamento de 10 milhões, a comédia musical tem texto de Rodrigo Nogueira (baseado na criação dos três escritores), direção e coreografia de Alonso Barros, e reúne um elenco de 18 atores, encabeçado por Susana Vieira, Osmar Prado, Edwin Luisi, Marcos Oliveira e Guilherme Leme Garcia. Com patrocínio da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro/Secretaria Municipal de Cultura e da ONS, e apoio da Apsen e da Riachuelo, ‘BarbarIdade’ faz parte do Circuito Cultural Bradesco Seguros. 

Depois da trilogia Uma Aventura Brasileira (formada pelos sucessos ‘Elis, A Musical’, ‘Se eu fosse você, o musical’ e ‘Chacrinha, o musical’), ‘BarbarIdade’ marca o lançamento do projeto Uma Nova Aventura Brasileira, que reúne espetáculos que fortalecem ícones da cultura nacional. Partiu daí a ideia de convidar três grandes nomes da literatura brasileira, Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura, para criarem uma comédia musical sobre a terceira idade. “Quisemos fugir dos clichês. Quem fala de velhice são os jovens. O velho de hoje não sente a idade que tem, está muito ativo e cheio de projetos. Basta olhar nosso trio de criadores”, analisa Aniela Jordan, sócia da Aventura Entretenimento ao lado de Fernando Campos e Luiz Calainho. “Pela primeira vez, um tema de importância sociocultural, a terceira idade, é objeto principal de criação de um musical brasileiro”, ressalta Calainho.

De acordo com Alexandre Nogueira, Diretor do Grupo Bradesco Seguros, o espetáculo abrange a questão da conquista da longevidade com qualidade de vida e bem-estar, um tema que o Grupo Segurador vem investindo há anos, através de inúmeras ações e projetos. “Para a Bradesco Seguros, investir em um evento cultural associado à terceira idade está totalmente alinhado à nossa estratégia de valorizar a longevidade. E nada melhor para nos inspirar na busca de uma vida longa e saudável do que o humor, especialmente quando os autores, além de escritores extremamente criativos, são exemplos de como envelhecer bem.

Verissimo, Ziraldo e Zuenir
Aos 83 anos, o jornalista e escritor Zuenir reforça essa intensa atividade intelectual da terceira idade. “Em um país em que, muitas vezes, o velho é considerado um estorvo, é bom lembrar que Verdi compôs Otello aos 73 anos. Aos 80, Goethe terminou ‘Fausto’; aos 90, Bernard Shaw permanecia ativo; Charles Chaplin morreu aos 88 anos, fazendo filmes e filmes. Sócrates aprendeu a tocar lira aos 70 e quando lhe perguntavam para que servia aprender naquela idade, respondia: “Serve para tocar ué”, exemplifica. Verissimo ressalta as qualidades de envelhecer. “As amizades de longo prazo, como a que tenho com Zuenir e Ziraldo, são cultivadas sem muitas expectativas, exigências ou cobranças. De uma maneira mais leve. “A gente também adquire privilégios com a idade, como sabedoria e a deferência dos mais jovens”, acredita. Para Ziraldo, os três fazem parte, com orgulho, do grupo que pode ser chamado de oitentão. “Os homens que, aos 80 anos, são cheios de charme, vida, entusiasmo. Não tem nada a ver com o velho fofinho”, declara.

Texto e direção
A partir das ideias originais desses três célebres oitentões e sua própria visão sobre o tema, o dramaturgo Rodrigo Nogueira (de ‘Rock in Rio, o musical’ e ‘Chacrinha, o musical’ ao lado de Pedro Bial) criou uma história que estabelece um paralelo entre a liberdade que se conquista na terceira idade e aquela que se vivencia quando o ator está em cima do palco. “Teatro é o lugar onde tudo o que a gente quer pode acontecer; e velhice é o tempo da vida onde tudo que a gente quer que aconteça. Fiz um espetáculo sobre a vida bem vivida”, conta Rodrigo.

A direção e coreografia são assinadas por Alonso Barros, parceiro da Aventura Entretenimento em produções como ‘Se eu fosse você, o musical’, ‘Elis, A musical’, ‘Chacrinha, o musical’, entre outros trabalhos. “A velhice faz parte do ciclo da vida. É importante acreditar que podemos chegar lá produtivos, com otimismo, vontade de viver. O musical também me deu essa oportunidade especial de trabalhar com grandes ícones da TV e do teatro brasileiros”, analisa Alonso. Ele conta que há certas peculiaridades no trabalho corporal de musicais cômicos. “BarbarIdade’, como ‘Se eu fosse você’, tem uma coreografia bem restrita à história, fechada no cenário proposto no texto. No caso de ‘Elis’ e ‘Chacrinha’, as possibilidades eram mais universais, trabalhei com o imaginário.  Na comédia, temos que ter cuidado para não repetir e estender a piada em um número musical. Temos que dar continuidade à história”, explica.

A trama
Em uma metalinguagem com o teatro musical, o espetáculo narra a história de três autores (vividos por Edwin Luisi, Osmar Prado e Marcos Oliveira) que são contratados para escrever um musical sobre a terceira idade, mas não entendem nada do assunto. Diante de um bloqueio criativo, o trio recebe a visita de Matusalém (Thais Belchior), o personagem mais velho do mundo, que vai ajudá-los na missão. A atriz Susana Vieira vive uma engraçada e implacável produtora teatral responsável por lidar com essa confusão. “Eu não me identifico nem um pouco com o musical americano tradicional, aceitei o convite porque era para fazer uma comédia musical brasileira, criada por grandes nomes da nossa cultura. Ganhei um papel glorioso! O de uma produtora poderosa que tem que lidar com três autores que não conseguem escrever um texto encomendado a eles, com uma surpresa no final”, adianta Susana. Em cenas divertidas ao lado da atriz, Guilherme Leme Garcia, que já trabalhou com a Aventura Entretenimento em ‘Rock in Rio, o musical’, vive um diretor com a difícil tarefa de escalar um elenco para uma peça que ainda não tem texto. “Adoro musicais. Agora, participando de uma comédia musical, tenho a chance de brincar mais ainda”, sintetiza Guilherme. 

É a primeira vez que Edwin Luisi participa de um musical. “Eu tenho uma carreira diversificada, gosto de intercalar dramas com comédias, por exemplo. Eu nunca tinha feito um musical, e adorei a oportunidade de começar no gênero em que fala da terceira idade de uma maneira produtiva, bem-humorada, sem impedimentos”, declara Edwin, cujo personagem, descreve, tem um lado “vaidoso e garanhão”. Depois de 14 anos vivendo o personagem Beiçola em ‘A grande família’, Marcos Oliveira também comemora sua primeira experiência no gênero. “Adorei o convite! É um espetáculo que fala de como podemos chegar à terceira idade de uma maneira produtiva, deixando de lado os preconceitos ainda fortes em nosso país”, define. Experientes em musicais, Osmar Prado descreve seu personagem: “Sou o mais ponderado dos três e o mais romântico”, conta Osmar, que é apaixonado por Gilda (Vera Fajardo) na peça e vai cantar ao lado da atriz grandes canções de Frank Sinatra.

A trilha sonora é composta por mais de 30 canções (com medleys) que vão desde o funk até Frank Sinatra e algumas paródias. “É um espetáculo sobre o tempo, então foram reunidas músicas que fazem parte da vida das pessoas. Quem não tem lembranças ao ouvir ‘Detalhes’, por exemplo?”, explica Marcelo Castro, diretor musical ao lado de Felipe Habib. “Para dar uma unidade  ao trabalho, fizemos arranjos parecidos, no estilo de coros antigos dos anos 60 e 70”, acrescenta. Além de ‘Detalhes’ (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), ‘BarbarIdade’ tem no repertório ‘My Way’ e ‘Strangers in the night’ (Frank Sinatra); ‘There’s no business like show business’ (Irving Berlin)  , ‘Amante profissional’ (Roberto Lly) e ‘Show das Poderosas’ (Anitta), entre outras canções. Há ainda uma canção inédita: ‘Ser velhinho, composta por Pedro Verissimo (filho de Luis Fernando Verissimo), com letras do pai, Ziraldo e Zuenir.

Também fazem parte da equipe criativa o Estúdio Radiográfico (cenografia), Carlos Esteves (Desenho de som), Claudio Tovar (Figurinista), Daniela Sanchez (Desenho de luz) e Marcela Altberg (Produção de elenco). 

Ficha técnica
Texto – Rodrigo Nogueira, baseado na criação de Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura
Direção e coreografia – Alonso Barros
Coreógrafa convidada – Dalal Achcar
Direção Musical e arranjos – Marcelo Castro
Direção Musical e Preparação vocal – Felipe Habib
Cenário – Radiográfico
Figurino – Claudio Tovar
Design de som – Carlos Esteves
Visagismo – Martin Macias
Desenho de luz – Daniela Sanchez
Produção de elenco – Marcela Altberg

Elenco – Susana Vieira, Osmar Prado, Edwin Luisi, Marcos Oliveira, Guilherme Leme Garcia, Vera Fajardo, Igor Pontes, Thais Belchior, Diego Montez, Giselle Lima, Carol Costa, Ágata Matos, Eduardo Leão, Leonardo Senna, Leo Wainer, Germana Guilherme, Thiago Lemmos e Clara Verdier.

Músicos: Gabriel Guenter (bateria/percussão), Thiago Trajano (guitarra/violão), Pedro Aune (baixo elétrico/acústico); Matheus Moraes (trompete); Whatson Cardoso (clarinete, sax alto, clarone); Rafael Nocchi (clarinete/sax tenor/flauta); Marcelo Castro (maestro/pianista) e André Câmara (trombone).

Serviço: BarbarIdade
Teatro Oi Casa Grande, Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon
Dias e horários: 5ª a sábado, às 21h e domingo, às 19h.
Telefone: 2511-0800

Preço: 5ª: R$ 60 (balcão setor 3); R$ 80 (balcão setor 2); R$ 130 (plateia setor 1) e R$ 160 (plateia VIP e camarote).  6ª: R$ 70 (balcão setor 3); R$ 100 (balcão setor 2); R$ 140 (plateia setor 1) e R$ 170 (plateia VIP e camarote).  Sábado e domingo: R$ 80 (balcão setor 3); R$ 110 (balcão setor 2); R$ 160 (plateia setor 1) e R$ 190 (plateia VIP e camarote).

Capacidade:  926 pessoas.
Duração: 2h.
Classificação etária: Livre
Até 14 de junho

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