BANG!BLAM! Sexo, fúria e pouquinho de amor ao vivo

Jonas Sá leva ao Espaço SESC Copacabana recorte audiovisual do CD“BLAM!BLAM!” no show de lançamento do álbum, em 08 e 09 de setembro, terça e quarta-feira

Jonas Sá - Foto: Jorge Bispo
Jonas Sá - Foto: Jorge Bispo

“A voz masculina delicada de ‘Meu namorado’, de Chico Buarque e Edu Lobo, na trilha sonora de ‘O Grande Circo Místico’, de Carlos Diegues (ainda no forno). O artista que em seu novo disco, “BLAM! BLAM!” (Coqueiro Verde), apresenta um painel de sacanagens (e amores e crimes) pintado em tintas fortes. O compositor pinçado por Gal Costa para seu “Estratosférica”, no qual ela traça seu mapa do que há de mais forte na nova geração da música brasileira — ‘Casca’, parceria com Alberto Continentino, traz a voz cristalina dela sobre versos de “sangue nas mãos” e “torpor nas coxas”. O produtor que empresta sua vocação pop ao experimentalismo de Ava (no elogiadíssimo ‘Ava Patrya Yndia Yracema’) e de Negro Leo (no disco que ele prepara) — e também sua vocação experimental à face mais lírica de ambos. Envolvido em alguns dos projetos musicais mais provocativos surgidos ou a surgir neste ano, Jonas Sá o tempo todo caminha (ora chafurda, ora flutua) sobre um terreno de beleza e estranheza, brilho e sujeira — quase sempre simultaneamente…”, comenta o jornalista Leonardo Lichote em matéria recente no jornal O Globo sobre o lançamento do segundo CD de Jonas Sá, lançado no primeiro semestre deste ano.

Produzido por ele mesmo, “BLAMBLAM!” é uma colagem sonora em que Jonas se apropria de estilos como o soul, do techno oitentista e o hip hop, entre outros gêneros ali presentes como fetiches – e subvertidos em requintadas tramas harmônicas misturando sons analógicos e digitais para contar estórias sobre sexo, violência e amor. Sons de videogame tocados diretamente de seu smartphone se unem a baixos acústicos, cordas, sopros, guitarras distorcidas, sintetizadores velhos e sons de diversos ambientes.  Em faixas raramente separadas por silêncio, sua voz se reveza, hora em timbres graves, hora em destemidos falsetes, dando sentido especial a versos eróticos e repulsivos, como na faixa que abre o disco, 8 Bit: “Filho pequeno jogando videogame ao lado/ Sua mãe lambendo meu corpo suado/ E a magia começou” ou Egoísmo: “Eu só penso em mim/ Sumindo/ Dentro de você”. Ou ainda brutais, como em Gigolô: “O maço de cigarro/ E a foto da pessoa morta/ Servem de consolo/ E me cantam bossa nova” e “Perdidos na Noite”: “A cor do sangue fosforescente/ Manchando o lenço/ Que te dei de presente”.

Mas como hay que endurecer, pero sin perder la ternura, há lugar também para os afagos de “Tua cor” e a alegria com que “Teu riso vai/ Me acalentar” é cantada, o próprio verso em si como um sorriso, na faixa que fecha o álbum, “Não é adeus”.

Para o desafio de levar ao palco a pluralidade de sonoridades ouvida no álbum, ele conta com uma big band: Thomas Hares e Rafael Rocha se revezando entre bateria, MPC e percussão, Pedro Dantas no baixo, Gustavo Benjão na guitarra guitarra), Donatinho e Ricardo Dias Gomes se revezando entre rhodes e sintetizadores, Eduardo Manso tocando synths, guitarras e disparando samples e ainda um quarteto de sopros, formado por Thiago de Queiroz (sax barítono e flauta), Daniel Vasques (sax tenor e flauta),  Everson Moraes (Trombone) eAquiles Moraes (Trompete e Flughel horn).

Assim como as músicas, o projeto gráfico do disco, também criado a partir de colagens, ganhou sua tradução para a versão ao vivo. No cenário assinado pelos artistas plásticos Domingos Guimaraens e Caroline Valansi (ambos do grupo OPAVIVARÁ), um painel de 4×4 metros pintado com tinta fotossensível compõe o palco em uma colagem de corpos nus, araras e vitrolas que revelam e escondem surpresas de acordo com as cores projetadas pela iluminação.

O repertório do show também inclui, além das canções de “BLAM! BLAM!”, algumas de seu disco de estreia, “Anormal!”, e releituras. Entre elas está “Vidraça”, do disco “Praia”, de Mariano Marovatto (parceria do mesmo com o compositor paulista Rômulo Fróes).

Mais sobre Jonas Sá
Antes mesmo de lançar seu primeiro trabalho, o carioca Jonas Sá já havia chamado a atenção por sua participação no disco , de Caetano Veloso, cantando na faixa “O herói”. Seu álbum de estreia, Anormal (2008), foi lançado pelo selo SLAP, da Som Livre. Resenhas elogiosas destacaram o talento (e gosto especial) em subverter melodias derivadas do pop em levadas ruidosas e inusitadas.

Jonas angariou também elogios de artistas diversos, desde o parceiro Arnaldo Antunes – que escreveu seu release – a Frejat, que o citou em entrevistas. De Jorge Mautner, cujo EP Mitologia do Kaos foi por Jonas  produzido (em parceria com Bartolo e seu irmão, Pedro Sá) à Lenine, de quem abriu show na Fundição Progresso. Três dos quatro integraram sua lista de participações especiais das temporadas que fez no extinto Cinematheque, no Rio de Janeiro, em dois anos consecutivos. Após um hiato de oito anos, em que se dedicou à criação do segundo álbum, à produção de discos de outros artistas e assinatura de muitas das trilhas sonoras do canal GNT, “BLAMBLAM!” chegou às lojas no primeiro semestre de 2015.

Serviço:

Jonas Sá – BANG!BLAM! – Show de lançamento do CD “BLAM!BLAM”
Espaço SESC Copacabana
Data: 08 e 09 de setembro, terça e quarta feira
Hora: 20h30
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
Informações:(21) 2547-0156
Ingresso: R$ 20 (R$ 10 meia entrada e R$ 5 comerciários)
Classificação: livre
Capacidade: 242 lugares.
Funcionamento da bilheteria: terça a domingo, 15h às 21h. Pagamento somente em dinheiro.

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